Capítulo 13
Na manhã seguinte, na sala de jantar da nova casa.
Café da manhã ocidental sofisticado estava posto sobre a mesa longa. Paola, vestindo um robe de seda, espalhava geleia lentamente enquanto comentava, como quem não quer nada: "Você não voltou ontem à noite."
Henrique cortava o ovo frito em seu prato sem sequer levantar a cabeça: "Hum, a reunião internacional foi até tarde, acabei dormindo na sala de descanso da empresa."
Paola levantou o olhar, percorrendo o rosto dele, que permanecia sem expressão, e subitamente abriu um sorriso terno: "Eu sei que você trabalha duro. Pedi especialmente para a governanta preparar uma sopa de codorna com ervas medicinais, ferveu a noite toda. Por que não experimenta?"
Ela fez um sinal para a empregada servir a sopa.
O requintado pote de sopa foi colocado diante de Henrique. Ao abrir a tampa, o vapor misturado com o aroma das ervas e do alimento se espalhou pelo ar. Henrique pegou a colher, provou um pouco e levou à boca. O caldo era rico, os ingredientes de primeira e o tempo de cozimento perfeito.
Contudo, ele franziu o cenho quase imperceptivelmente e logo pousou a colher.
"O gosto não está certo", disse ele friamente.
O sorriso no rosto de Paola congelou instantaneamente.
"O gosto... não está certo?" repetiu ela, com a voz subindo de tom, carregada de incredulidade e uma irritação por se sentir ofendida. "O que há de errado? Foi feita pelo melhor chef da casa, seguindo a receita mais autêntica! Henrique, você já tomou sopa demais feita por aquela vadia da Clarice, não é? Agora nem o que o chef da casa faz presta para o seu paladar?!"
"O que você está dizendo!" O rosto de Henrique escureceu, interrompendo-a com desagrado.
Paola, no entanto, parecia um foguete aceso; seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente e sua voz embargou: "Eu estou inventando? Você não estava na empresa ontem à noite! Você foi para a mansão de West Hill, não foi? Você foi atrás dela? Henrique, o que você me prometeu? Você disse que me amava apenas! Você disse que ela era apenas uma ferramenta! Você se apaixonou por aquela ferramenta agora?!"
Novamente aquilo.
Discussões, acusações, lágrimas; exigindo que ele largasse tudo imediatamente para acalmá-la, explicar e provar sua lealdade. Uma exaustão infinita o inundou novamente, como uma maré. Ele olhava para o rosto de Paola, banhado em lágrimas mas escondendo uma acusação afiada, enquanto em sua mente surgia a imagem de Clarice, que, mesmo injustiçada, apenas viraria as costas em silêncio com os olhos marejados.
"Eu não fui atrás dela." Ele reprimiu a irritação, suavizou a voz e explicou com paciência: "A reunião apenas terminou tarde e não quis te acordar. A sopa está boa, eu apenas não tenho apetite. Pare com isso, está bem?"
Ele estendeu a mão para segurar a de Paola, mas ela a afastou bruscamente.
"Eu estou parando? Henrique, é você quem está mudando!" Paola levantou-se chorando. "Vou contar tudo para o meu pai!"
Ela virou-se e correu para o andar de cima. Henrique permaneceu sentado, olhando para o pote de sopa que esfriava lentamente. Pela primeira vez, sentiu que aquele casamento que antes julgava necessário — símbolo de vitória e plenitude — era como um grilhão luxuoso mas pesado, que o deixava quase sem fôlego.
Naquela tarde, Paola levou dois seguranças e dirigiu até a mansão de West Hill. Ao entrar na casa, percorreu o lugar vazio como uma patroa inspecionando seu território, com um olhar crítico e gélido.
"Venham aqui. Todo esse lixo deixado por aquela amante," ela apontou para o notebook e os vasos de plantas, ordenando aos seguranças, "e aquelas roupas velhas no closet, joguem tudo fora. O mais longe possível, de preferência para serem trituradas no lixão."
"Sim, Dona Paola."
Os seguranças agiram imediatamente. Paola pegou o celular e ligou para Henrique. Quando a ligação foi atendida, sua voz já havia recuperado a doçura habitual.
"Henrique, está ocupado? Desculpe pelo meu comportamento mais cedo, não queria brigar, você me perdoa? Tenho algo para tratar com você." Ela usou um tom leve. "Ouvi dizer que a Clarice fez birra e se mudou de West Hill? Tenho uma prima que acabou de voltar do exterior e ainda não encontrou um lugar fixo, o que acha... de deixá-la ficar lá por uns dias? Já que está vazio mesmo."