Capítulo 5
A mente de Clarice ficou em branco, e ela tentou se defender instintivamente: "Eu... eu não sabia que era ela! O prontuário que a enfermeira trouxe era de outra paciente!"
"Chega!" Henrique a interrompeu bruscamente. Ele avançou em sua direção, agarrou seu pulso com força e seu olhar era tão frio e cruel que parecia capaz de matar. "Clarice, eu não imaginei que você pudesse ser tão perversa! Só porque a Paola molhou acidentalmente aquele equipamento da última vez, causando um ferimento leve em você, você decidiu se vingar dessa forma?! Operando ela à força? Você tem noção de que remover um órgão saudável sem consentimento é crime? É lesão corporal gravíssima!"
"Eu não fiz isso!" Clarice sentia uma mistura de urgência e fúria, lutando para soltar o braço. "A enfermeira disse que não conseguiam encontrar o Dr. Liu e me pediu para cobrir uma cirurgia de apendicite! Eu verifiquei o prontuário antes de entrar! O nome no prontuário definitivamente não era Paola Furtado!"
"Ainda tentando mentir!" Henrique não acreditou em uma única palavra. Ele a olhava com nojo e decepção. "Enfermeira? Qual enfermeira? Eu vou chamar todas as enfermeiras deste hospital agora mesmo para uma acareação! Vamos ver se alguém te deu ordens para isso!"
Nesse momento, Paola soltou um gemido baixo na cama e abriu os olhos lentamente.
"Paola!" Henrique soltou Clarice imediatamente e correu para a beira da cama. Ele segurou a mão dela com uma ternura e ansiedade sem precedentes. "Como você se sente? Onde dói? Não tenha medo, eu estou aqui."
Paola percorreu o quarto com o olhar e, finalmente, focou em Clarice. Ela estremeceu e se encolheu nos braços de Henrique, enquanto lágrimas começavam a rolar. Sua voz estava trêmula, cheia de medo:
"Henrique... dói tanto... eu, eu não sei o que aconteceu... Eu estava andando pelo corredor e a Dra. Clarice me bateu por trás com um bastão, e então eu apaguei... Quando acordei, já estava aqui..."
Ela chorava de forma lamentável, uma imagem que despertaria piedade em qualquer um. Cada acusação era como uma lâmina envenenada cravada diretamente em Clarice.
"Isso é mentira! Eu nunca te bati! Foi a enfermeira que me chamou para a cirurgia, eu nem sabia que era você!" Clarice rebateu desesperadamente, olhando para Henrique. "Henrique Cavalcante, acredite em mim! Eu realmente não fiz isso!"
Henrique deu tapinhas suaves nas costas de Paola para acalmá-la. Quando levantou a cabeça para olhar Clarice, o último vestígio de calor em seus olhos havia desaparecido, restando apenas uma fúria gélida e implacável.
"Com testemunhas e provas materiais, você ainda tenta negar? Clarice, por causa de rancores pessoais, você abusou do seu cargo para ferir gravemente a saúde de outra pessoa. Isso é de uma natureza extremamente vil."
Ele deu ordens severas aos seguranças de terno preto atrás dele: "Tragam-na. Amarrem-na e levem-na para o centro cirúrgico da ginecologia."
Os olhos de Clarice se arregalaram de horror: "Henrique Cavalcante! O que você pretende fazer?!"
Henrique a encarou com um olhar desprovido de qualquer humanidade. Palavra por palavra, ele declarou:
"Você removeu o apêndice da Paola. Embora seja um órgão dispensável, sua intenção foi maligna. Vou garantir que você aprenda a lição."
"Já que você gosta tanto de operar, vou deixar que sinta o que é ter um órgão removido à força."
"Levem-na para a ginecologia. Façam uma histerectomia total. E lembrem-se: nada de anestesia. Quero que ela esteja lúcida para sentir cada detalhe da dor... e entender o preço do que fez."
Clarice sentiu como se o mundo estivesse desabando. Ela lutou desesperadamente contra os seguranças. "Henrique Cavalcante! Não! Você não pode fazer isso comigo! Eu não fiz nada! Eu juro que não a feri! Investigue direito! Chame aquela enfermeira! Henrique! Por favor! NÃO—!"
Mas sua resistência e seus gritos eram insignificantes diante de seguranças treinados. Eles a imobilizaram facilmente, usaram cordas e fitas adesivas já preparadas para prender suas mãos e pés e vedar sua boca. Ela foi carregada como se fosse um fardo.
Foi amarrada à força na mesa de cirurgia.
Instrumentos frios entraram em seu corpo. Uma dor excruciante emanou do abdômen, como se mãos estivessem rasgando suas entranhas vivas. Sem anestesia, cada corte, cada pinçada e cada ponto eram sentidos com clareza absoluta.
"AH——!!!"
Ela soltou um grito abafado e lancinante, seu corpo convulsionando violentamente. Mas ninguém parou. Ela podia sentir os instrumentos revolvendo seu interior, sentia o tecido sendo separado... sentia um órgão vital, parte de quem ela era, sendo arrancado de seu corpo.
Dor. Uma dor que dilacerava a alma e penetrava nos ossos. Uma dor que a afogava. Sua consciência flutuou entre o tormento e o desespero até que, finalmente, ela mergulhou na escuridão total.
...
Quando acordou novamente, estava em um quarto comum. Clarice abriu os olhos lentamente, encarando o teto com um olhar vazio. Suas lágrimas haviam secado; restava apenas uma calma letárgica.
"Senhorita Clarice, acordou?" A acompanhante entrou apressada, colocando uma garrafa térmica na mesa de cabeceira. "Seus pontos estão cicatrizando bem. Mas, de agora em diante, você não terá mais menstruação... e nunca poderá ter filhos."
As pupilas de Clarice se moveram muito lentamente em direção à mulher. A acompanhante sentiu um arrepio com aquele olhar de água parada, mas continuou: "Ah, o Sr. Henrique pediu para avisar que ele levou o caso à diretoria do hospital. Ele exigiu uma punição severa por lesão dolosa. Mas o Diretor a protegeu, dizendo que a cirurgia foi um mal-entendido e que você também foi vítima de uma armadilha. No final, o hospital emitiu uma advertência pública e você foi suspensa temporariamente."