Capítulo 92: Derrotou a Entidade?
Alice e Song Yewang permaneciam sentados, imóveis. Seus olhares se cruzaram no ar e, diante daquela entidade feroz, seus olhos estavam estranhamente calmos.
Alice arqueou levemente o canto da boca: — Você não vai correr?
Song Yewang respondeu com indiferença: — Não há como fugir. Ela veio atrás de mim.
— De você?
— Sim. — Song Yewang levantou-se com serenidade. — Eu sou o designer deste jogo. Ela foi atraída pela minha presença. — Enquanto falava, ele se aproximou da criatura. — Ela vai me devorar e então...
Antes que pudesse terminar a frase, o braço da entidade varreu o ar num golpe súbito. Song Yewang foi arremessado por uma força esmagadora, chocando-se violentamente contra a parede do vagão antes de deslizar para o chão.
A entidade então se virou para Alice: — Você também é especial.
Ela caminhou pesadamente em direção a Alice, enquanto o vagão era preenchido por gargalhadas sinistras. O olhar de Alice mudou; ela viu imagens promissoras em sua
【Precognição】
.
Ela não apenas viu o padrão de ataque da criatura — três varreduras e uma perfuração a cada segundo — como também descobriu seu ponto fraco: uma névoa densa e escura no centro do peito. Aquilo era a sua "origem". Se atingisse aquele ponto, a entidade se dissiparia.
No entanto, havia um problema: a criatura era rápida demais. Uma pessoa comum jamais conseguiria esquivar-se a tempo. Mesmo com o
【Corpo Imortal】
, ela seria despedaçada inúmeras vezes, presa num ciclo infinito de mortes. A menos que...
A premonição terminou. Alice observou friamente os jogadores que fugiam desesperados e agora se encolhiam nos cantos, assistindo à cena com pavor. A jovem de branco puxou a barra de sua blusa, com a voz trêmula: — Não... não tente enfrentá-la. Essa coisa é cruel demais. Vamos nos esconder ou morreremos com certeza.
Alice olhou para ela e soltou um riso de desdém.
— Escondam-se se têm medo de morrer. Eu não tenho.
Ela arregaçou as mangas. Em seu ombro, havia um corte profundo que já estava cicatrizando a uma velocidade visível a olho nu.
— Eu já vi todos os golpes fatais dela — Alice encarou a entidade nos olhos. A palavra "medo" não existia em seu dicionário. Com total confiança, ela declarou: — Eu sei exatamente como matá-la.
A entidade parou, fixando em Alice um olhar hostil; a névoa negra em seu corpo agitou-se com mais violência do que antes.
— Humana insolente! Vou te despedaçar!
Aos olhos dos outros, a velocidade da criatura era um borrão. Para Alice, era completamente diferente. A
【Precognição】
já havia decomposto cada movimento em câmera lenta; ela sabia exatamente onde o golpe cairia. Alice não se esquivou e recebeu o primeiro impacto em cheio; seu braço esquerdo foi aberto por uma ferida longa e profunda, e o sangue jorrou por toda parte.
Ao ver isso, a jovem de branco parou de tentar convencê-la e correu para se esconder em outro lugar, temendo ser atingida. A entidade, vendo que acertara Alice, soltou uma risada triunfante.
Rá, criatura pretensiosa. Acha que pode me desafiar? Ainda é muito ingênua.
Justo quando ela ia repetir a dose para acabar com ela, Alice desferiu um soco em contra-ataque, atingindo precisamente o peito da entidade. Os jogadores observavam fixamente e alguns chegaram a rir. Um soco daquele tamanho, diante de uma criatura tão colossal, parecia apenas uma cócega.
A entidade não a levou a sério. Ia baixar o punho para esmagá-la, mas, naquele instante, uma dor aguda emanou de seu peito.
— Você perdeu.
Só então eles notaram: o punho de Alice envolvia um pequeno clipe de papel, quase invisível. O clipe penetrou na névoa negra como ferro em brasa no gelo — elementos opostos que se anulam!
— AAAAAAAH!
A entidade jogou a cabeça para trás e soltou um grito de agonia lancinante. Alice zombou com indiferença: — Só tem essa habilidade e ainda ousa mostrar as garras na minha frente?
Sem dar tempo para a criatura respirar, ela desferiu o segundo e o terceiro soco consecutivamente. A cada golpe, o clipe de papel afundava mais no peito da criatura. Com a sucessão de socos, o corpo da entidade começou a se estilhaçar a partir do peito, como vidro quebrado, caindo aos pedaços.
Antes de morrer, o olhar que ela lançou a Alice continha medo, perplexidade e... um traço de libertação. A entidade desapareceu, e o silêncio mortal retornou ao vagão antes mergulhado no pânico. As luzes se acenderam novamente.
Os jogadores encolhidos nos cantos olhavam para Alice boquiabertos. Aquela mulher franzina... derrotara a entidade?
— Você... — o homem de terno gaguejou por um longo tempo antes de recuperar a voz. — Quem é você, afinal?
Alice limpou o sangue do rosto sem pressa. Cada ferida em seu corpo já havia cicatrizado completamente.
— Alguém que quis morrer, mas não teve sucesso.
Alice caminhou até Song Yewang. Ele estava encostado na parede do vagão, pálido, mas minimamente consciente.
— Por que... por que me salvou?
Alice agachou-se para ficar na altura dele.
— Porque você ainda não respondeu à minha pergunta.
— Que pergunta?
— Quem é você de verdade?
Song Yewang permaneceu em silêncio.
— Quem eu sou não importa. O que importa é o clipe de papel que você usou. — Ele apontou para o objeto na mão de Alice, que agora estava torto e deformado pelo uso. — Eu te dei isso no nosso primeiro encontro.
Alice estancou, olhando para o clipe em sua palma.
Me deu? Mas eu trouxe isso do mundo da pintura.
— Errado. Eu o encontrei.
Song Yewang: — Você diz que o encontrou, mas na verdade não foi bem assim. Fui eu quem o deixou lá. O hospital psiquiátrico no mundo da pintura foi desenhado por mim; eu o escondi no jogo apenas para esperar por você.
Alice: — Esperar por mim?
Song Yewang assentiu, admitindo sem hesitação: — Esperar que você me encontrasse, esperar que você viesse... me matar. Você sabe por quê?
Alice balançou a cabeça.
Óbvio que não, se eu soubesse não teria vindo te procurar.
Song Yewang estendeu a mão e segurou gentilmente a mão esquerda de Alice, que ainda apertava o clipe. Com um tom sério, ele disse: — Porque apenas se você me matar é que este jogo poderá terminar de verdade. O mundo que criei aprisionou almas demais. Você é a única pessoa capaz de me libertar.
Alice fixou o olhar nas pupilas de Song Yewang; seus olhos eram limpos e gentis, exatamente como os do jovem da foto. Mas o que estava escondido nas profundezas daquelas pupilas era algo que Alice não conseguia decifrar.
— Eu não confio em você.
— Eu sei.
— E não tenho certeza se você está mentindo para mim.
— Eu sei.
Alice manteve sua atitude de ceticismo, mas com determinação na voz: — Vou continuar seguindo em frente, continuarei buscando respostas. Se no final provar que você é real, eu voltarei.
Song Yewang não tentou impedi-la, pois sabia que não conseguiria.
— Eu esperarei por você.
O trem sacudiu levemente.
— Senhores passageiros, segunda parada — Estação da Escolha. Chegamos.
O trem parou lentamente. Pela janela, via-se que a plataforma da segunda parada era muito mais decrépita que a primeira. Na placa de madeira, as palavras "Estação da Escolha" estavam descascadas pela metade, restando apenas fragmentos pendurados solitários. Enquanto os outros prestavam atenção na placa, o olhar de Alice esteve, desde o início, fixo nas pessoas na plataforma.