Capítulo 91: Chantagem Emocional
Song Yewang estava em um lugar onde ela não podia ver, mas não demonstrava a menor intenção de guardar rancor; ele era tão gentil que parecia que nada havia acontecido.
— O jogo continua. Esperarei por você na estação final.
Dito isso, ele se virou e desapareceu na escuridão. Alice olhou ao redor; aquilo deveria contar como ter passado no teste, certo?
Madeirinha perguntou: — Mestra, você acredita nele?
— Cinquenta por cento.
— O que faremos agora?
— Um passo de cada vez — Alice virou-se, observando o trem que se aproximava velozmente ao longe. — Se ele quer que eu desconfie, usarei o meu próprio jeito para desenterrar a verdade.
No momento em que terminou de falar, o trem parou na plataforma. Ao embarcar novamente, Alice notou que os sete jogadores restantes estavam no vagão, sãos e salvos — incluindo Song Yewang, que se despedira dela há menos de três minutos. Ele estava sentado em um canto e, fingindo ser o primeiro encontro, acenou levemente para ela.
Os outros jogadores lançaram olhares polêmicos para Alice, incapazes de acreditar que ela voltara viva. Ao mesmo tempo, isso os fez suspeitar que o lado de fora talvez não fosse tão terrível quanto imaginavam. Mas, suspeitas à parte, eles não ousavam relaxar a guarda nem por um segundo.
Alice sentou-se casualmente em frente a Song Yewang. Com os passageiros a bordo, o trem partiu pela segunda vez. A voz da comissária ecoou pelos alto-falantes:
— Senhores passageiros, próxima parada: Estação da Escolha. Previsão de chegada em dez minutos.
Em pouco tempo, o caos se instalou no vagão.
— Tão rápido? — O homem de terno franziu a testa. — A primeira parada mal passou!
Nem um tempo para respirar eles nos deixam, que crueldade! Eles achavam que, após passar por uma estação, teriam pelo menos uma hora de descanso, ou no mínimo meia hora, antes da próxima. Não esperavam que seriam apenas dez minutos.
O idoso disse com um tom afável: — As regras de votação não estipulam um intervalo. Talvez cada parada seja aleatória.
A jovem de branco parou no centro do vagão; a tensão que mal havia dissipado retornou com força.
— Na próxima parada, quem de vocês vai descer?
A jovem mãe, ao ouvir isso, ficou indignada. Apontou para o nariz dela e gritou: — O que você quer dizer com "quem de vocês"? Você não é uma jogadora também? Não tem que participar da escolha?
Falava como se não pudesse ser a escolhida. Estavam todos no mesmo barco, e ela ainda dizia "vocês". Patético. A jovem tentou se explicar de forma desconexa, fingindo ter cometido um lapso e dando um tapinha leve nos próprios lábios: — Desculpe, me expressei mal. Mas nenhum de nós desceu ainda, não sabemos nada sobre o lado de fora. Em vez de nos arriscarmos, deveríamos escolher alguém com experiência.
A intenção era óbvia: o candidato para descer na próxima estação deveria ser alguém que já tivesse descido antes. E entre os presentes, apenas Alice descera na primeira parada; ela tinha experiência, enquanto os outros eram meras cobaias. Descer era, muito provavelmente, suicídio.
Os outros se entreolharam. Todos entenderam o recado. Para eles, desde que não fossem escolhidos, qualquer um dos outros servia. Porém, não ousavam deixar isso óbvio demais.
Alice soltou uma risada baixa.
Estão me cutucando, hein.
O homem de terno deu um passo à frente, esfregando as palmas das mãos, e sugeriu com um ar de falso constrangimento: — Alice, que tal você se sacrificar um pouco? Você...
Alice ergueu a sobrancelha: — Eu de novo?
— Você já...
Antes que ele terminasse, a mulher de meia-idade em roupas esportivas puxou o pulso dele e sussurrou: — Não fale bobagem.
Estando presente, era impossível para Alice fingir que não via ou não ouvia. Ela analisou cada um deles: — Eu desci na primeira estação. Se isso me torna uma veterana experiente, não tenho nada a dizer. Vocês simplesmente querem que eu desça em cada estação para levar vocês em segurança até o final, não é?
Eles ficaram em silêncio. Era uma confirmação tácita. A jovem mãe, abraçando o filho, murmurou: — Mas... você não se voluntariou? Você desceu sozinha na primeira...
Alice percebeu que eles queriam completar o cenário em segurança sem mover um dedo. Mas não existia almoço grátis no mundo. Ser prestativo uma vez não significava que ela ajudaria toda vez que alguém tivesse dificuldades.
Ela declarou abertamente: — Eu desci na primeira estação para sondar o caminho. Agora que a sondagem acabou, é a vez de vocês.
— Você!
Querem me fazer chantagem emocional? Rá, impossível!
— Eu o quê? — Alice aproximou-se com uma expressão severa, fazendo a jovem mãe recuar assustada. — As regras dizem que a votação decide, não que eu devo ser o escudo humano de vocês.
O homem de terno rebateu: — Mesmo assim, você não pode forçar os outros a descerem!
— Forçar? — Alice exibiu um sorriso irônico. — Quem está forçando? Eu apenas disse que é a vez de vocês votarem.
Ainda queriam jogar a culpa para cima dela? Não tinham noção do próprio peso. Alice voltou ao seu assento, fechou os olhos e cruzou as pernas.
— Em dez minutos, vocês escolhem.
Eles se entreolharam. Se ela se recusava, teriam que escolher um entre eles. Ou melhor, empurrar um para fora. O que não esperavam era que os dez minutos nem chegariam a passar.
Por algum motivo, o trem começou a sacudir violentamente. As luzes do vagão piscaram, e o pânico dos jogadores escalou instantaneamente.
— O que está acontecendo?
— Aaaaaah! — Junto com os gritos, a luz desapareceu por completo.
Na escuridão absoluta onde não se via a palma da mão, apenas as luzes de sinalização lá fora passavam ocasionalmente. De repente, um ruído agudo de estática vindo dos alto-falantes preencheu o vagão:
— DE-TEC-TA-DA... IN-VA-SÃO... A-NOR-MAL...
— O... que invasão?
Ninguém respondeu, e ninguém sabia.
— Mestra, estou com tanto medinho! — Madeirinha não queria parecer deslocado no meio deles e fingiu terror para se juntar ao coro, buscando o consolo de Alice.
Alice deu um tapa nele: — Fale direito, pare de forçar a voz. Se está com medo, te jogo pela janela e o medo passa.
O boneco aquietou-se na hora. Alice vislumbrou, na extremidade do vagão, algo se condensando na escuridão. Pendia do teto como um rio invertido, tomando forma lentamente. Tornou-se uma figura humana gigantesca e retorcida. O rosto era uma névoa negra e borrada, e no lugar das pupilas havia dois buracos profundos. Seus braços eram extremamente longos, arrastando-se pelo chão, e cada dedo era afiado como uma lâmina.
Uma entidade. Uma entidade real. Alice percebeu que aquilo era um monstro que rastejara de uma fenda nas regras. A voz estridente e desagradável da criatura substituiu a estática do alto-falante, com um entusiasmo evidente:
— Trem Expresso da Meia-Noite... finalmente, a espera acabou.
Em um piscar de olhos, ele surgiu no centro do vagão. Foi tão rápido que não deixou rastro. Os dedos longos da criatura riscaram o assento displicentemente, e o veludo carmesim tornou-se instantaneamente cinza-azulado.
— CORRAM! — Alguém gritou, e todos se dispersaram.
O homem de terno correu em pânico para o vagão seguinte. A jovem gritou e encolheu-se em um canto. A mulher de agasalho correu desesperadamente para trás, abraçando seu pote térmico. O idoso tentou se levantar tremendo mas, pela dificuldade de locomoção e lentidão, acabou tropeçando em uma cadeira. O jovem de boné desapareceu na multidão caótica. A jovem mãe escondeu-se debaixo de um assento com o filho, tremendo incontrolavelmente.