Capítulo 45: Gravidez
Após o discurso, Alice desceu lentamente os degraus do palco. Usando saltos altos, ela caminhava com extrema cautela. Arthur estava ao pé da escada, estendendo a mão para ela. Seu olhar era terno e os lábios esboçavam um leve sorriso.
Os olhos de Alice subitamente arderam. Em seus momentos mais difíceis, fora Arthur quem estivera ao seu lado, apoiando seu retorno ao instituto de design e incentivando-a a realizar seus sonhos. Ela saltou o último degrau e lançou-se nos braços dele. Naquele instante, ela só queria estar ao lado de Arthur, para nunca mais se separar.
Momentos depois, um grupo de repórteres os cercou.
— Senhorita Alice, com o sucesso deste desfile, você planeja fundar sua própria marca?
— Senhorita Alice, a marca XX deseja colaborar com você. Existe algum interesse?
— Senhor Arthur, sua esposa é brilhante. O senhor...
Inúmeras perguntas surgiram de uma só vez. Alice assentiu educadamente:
— Ainda não considerei essas questões. Avisarei a todos quando houver novidades, obrigada.
Mal terminou de falar, Arthur segurou seu braço e a conduziu para o carro. O Sr. Zhang barrava os repórteres ao lado:
— Abram caminho, por favor! Não bloqueiem a passagem!
Logo, o carro afastou-se da multidão em direção à mansão Qin. No quarto, Alice tomou banho e deitou-se, caindo em um sono profundo em poucos instantes. Ela estivera exausta ultimamente e, agora que o desfile terminara, finalmente podia descansar. Arthur entrou no quarto silenciosamente, aproximou-se da cama e a cobriu cuidadosamente.
Uma empregada bateu à porta.
— Jovem Mestre, a patroa está chamando para o almoço...
Arthur franziu o cenho e fez um sinal de silêncio. A empregada assentiu rapidamente e retirou-se. Arthur também saiu de fininho. À mesa, a Sra. Qin olhou para ele, confusa:
— Arthur, por que a Alice não veio almoçar?
— Ela está exausta. Deixe-a descansar — respondeu ele, mantendo a expressão serena.
A Sra. Qin concordou:
— Então pedirei à cozinha para preparar uma canja de galinha e levarei para ela mais tarde.
Ela sabia o quanto Alice se esforçara para o desfile.
Após o almoço, Arthur foi para a empresa, enquanto Alice dormiu a tarde inteira. Ao entardecer, ela acordou. O quarto estava silencioso; Arthur ainda não voltara. Ao levantar-se, sentiu a cabeça pesada e o estômago revirar. Tocou a própria testa:
— Será que estou com febre?
Pegou um casaco e desceu. Na sala, a Sra. Qin fazia arranjos florais enquanto o Sr. Jianguo lia o jornal no sofá. Ao ver a nora, a Sra. Qin a convidou para sentar:
— Alice, você não almoçou. Está com fome? Pedi para fazerem uma canja, tome um pouco.
Alice ajudou a colocar uma flor no vaso:
— Mãe, não estou com fome. Vou esperar o Arthur para comermos juntos.
As duas ficaram podando as flores por quase uma hora até Arthur chegar. A Sra. Qin imediatamente ordenou que servissem o jantar, com um fingido tom de bronca:
— Moleque, por que demorou tanto? A Alice está te esperando há um tempão.
À mesa, Alice olhava para a comida sem o menor apetite. Arthur afastou uma mecha de cabelo do rosto dela:
— O que houve? Não está se sentindo bem?
Alice balançou a cabeça negativamente. A Sra. Qin serviu uma tigela de canja para ela:
— Experimente, querida.
Ao olhar para o caldo amarelado, Alice sentiu um aperto no peito e uma náusea súbita. Ela segurou na mesa e começou a ter ânsias de vômito. Quando ergueu a cabeça, estava pálida. Arthur, preocupado, massageou as costas dela:
— O que você tem? Quer ir ao médico?
Alice sinalizou que não:
— Querido, eu quero água.
Somente a água parecia aliviar o mal-estar. Após alguns goles, ela sentiu o estômago acalmar. A Sra. Qin observava a cena com um olhar de compreensão:
— Alice... você não estaria grávida?
Alice olhou para ela, confusa:
— Ah? Grávida de quê...
— Minha filha, de que mais seria? De um bebê, é claro! — disse a Sra. Qin, rindo da inocência dela.
— Não pode ser...
Alice olhou para o próprio ventre plano e depois para Arthur, que também parecia atordoado. Será que era mesmo...?
A Sra. Qin esfregou as mãos, animada:
— Sr. Wu, agende um médico agora mesmo!
— Sim, senhora — respondeu o mordomo, fazendo a ligação imediatamente.
No hospital, após uma série de exames, a Sra. Qin andava de um lado para o outro no corredor, ansiosa. Alice sorriu; parecia que a sogra estava mais nervosa que a própria paciente. No consultório, o médico pegou o resultado:
— Jovem Madame, parabéns. A senhora está mesmo grávida.
Alice ficou atônita. Levou a mão ao ventre, sem acreditar que uma pequena vida crescia ali dentro.
— Oh, que maravilha! — A Sra. Qin deu tapinhas entusiasmados no ombro de Arthur. — Meu filho, você vai ser pai!
Arthur esboçou um sorriso doce, com os olhos transbordando ternura.
O médico continuou:
— Jovem Madame, agora a senhora não pode se sobrecarregar. Precisa descansar, manter o bom humor e ter uma dieta leve e equilibrada.
Alice assentiu, ainda em choque. Ao sair do consultório, ela olhou para a escadaria e sentiu um súbito receio. A ideia de carregar uma vida a deixava tensa. Ela parou no degrau e olhou para Arthur:
— Querido, estou com medo...
Arthur pausou por meio segundo e soltou uma risada baixa e carinhosa. Ele se curvou, pegou-a no colo e beijou sua testa:
— Não tenha medo.
Alice enlaçou o pescoço dele e escondeu o rosto em seu ombro.
De volta à mansão, a Sra. Qin gritou para o marido:
— Jianguo, você vai ser avô! Que alegria!
O Sr. Jianguo ajeitou os óculos e assentiu, sorridente. A Sra. Qin reuniu todos os empregados:
— Agora que a Jovem Madame está grávida, guardem qualquer objeto perigoso. Especialmente o chão e as escadas; devem estar sempre secos. Se ela escorregar por erro de vocês, eu não vou perdoar!
Os empregados assentiram e correram para organizar tudo.
No quarto, Arthur entrou trazendo uma tigela de mingau de frutos do mar.
— Querida, experimente. Eu mesmo fiz.
Alice notou os dedos dele avermelhados pelo calor e sentiu pena:
— Você devia ter deixado a cozinha fazer isso. Veja só, você se queimou.
— Não foi nada. Tive medo de que o tempero da cozinha não te agradasse. Prove.
Arthur pegou uma colher, assoprou e levou à boca dela. Alice provou; estava delicioso. Ela sorriu:
— Querido, quem diria que você tem talento para ser chef?
Arthur também sorriu:
— Se você gostar, farei para você todos os dias.