Capítulo 81: Arrancando os Dentes da Entidade
Ah Yuan e Xiao Nian estavam lá dentro, cercados por mais de dez crianças recém-libertadas, todos observando com expressões de pavor as silhuetas humanas gigantescas no horizonte.
— Irmãozão! O que é aquilo?
— Os ex-diretores! — Alice entrou correndo e deu uma ordem severa: — Não saiam, escondam-se bem.
Todos se viraram para encarar as dezessete figuras colossais que se aproximavam; ninguém ousava sequer respirar. Que tipo de entidades eles haviam provocado, afinal?
A primeira diretora parou a dez metros da cerca, baixando a cabeça para observar o grupo de "formigas" lá embaixo com seus olhos de bala do tamanho de bolas de futebol.
— Quem... mudou as regras?
A voz da primeira diretora soava como milhares de potes de açúcar quebrando ao mesmo tempo, aguda e desagradável.
— Eu.
Os jogadores se entreolharam; ninguém se atreveu a dar um passo à frente. Para ser exato, a ideia de mudar as regras não fora proposta por eles, e ninguém queria levar a culpa. No entanto, em momentos de vida ou morte, sacrifícios necessários são inevitáveis.
Alice ia se apresentar voluntariamente quando, inesperadamente, sentiu um empurrão violento nas costas. Ela tropeçou para fora da multidão. Os olhos da diretora giraram, travando nela instantaneamente, assumindo que ela era a culpada pela mudança das regras.
— Você... sabe das consequências?
Alice, sem mudar a expressão, olhou para trás. Os outros estavam de cabeça baixa, agindo como se aquilo não fosse problema deles. Cada um ali pensava que a vida ou a morte de Alice não lhes dizia respeito; que a punição caísse apenas sobre ela.
Alice soltou um riso irônico. Por um momento, sentiu um leve arrependimento por tê-los ajudado. Ela virou o rosto, encarando a diretora sem qualquer medo: — Que consequências?
— Nós vamos... comer... vocês...
Ela abriu a boca, revelando fileiras cerradas de dentes de açúcar. Cada dente era afiado como uma lâmina de faca.
— Se comermos dezessete crianças, poderemos voltar a dormir.
Dezessete diretores, dezessete crianças. O número era exato!
"Quantos somos aqui?", Alice tentou confirmar o número imediatamente. Oito jogadores, dezessete crianças NPCs, mais Lin Yuntang, Ah Yuan e Xiao Nian... totalizando vinte e sete pessoas. Havia dezessete "vagas" para a morte. Menos da metade sobreviveria.
— Ela está mentindo! — Lin Yuntang abriu caminho até a frente, apontando para a primeira diretora com a voz trêmula. — Eu fui diretora, eu sei que o que elas dizem nem sempre é verdade.
— Mas também não é necessariamente mentira, não é? — rebateu Alice prontamente.
Lin Yuntang ficou sem palavras. Era verdade. Verdade ou mentira, a situação já havia chegado a um ponto sem volta.
Nesse meio tempo, a diretora baixou a mão, agarrando o alvo mais próximo: Beibei, que segurava seu cavalinho de balanço. Vendo os tentáculos prestes a tocá-la, Beibei gritou desesperada:
— Aaaaaah! Socorro!
— Mestra, vamos ajudar?
Mal Madeirinha terminou de falar, Alice foi empurrada novamente por uma força poderosa, jogando-a exatamente para cima de Beibei. Ela acabou empurrando a menina para longe e recebendo o impacto da mão da diretora em seu lugar. Aos olhos de Beibei, Alice acabara de salvar sua vida.
Antes que pudesse reagir, Alice foi erguida pela diretora e levada até a boca da criatura. Os outros viram, impotentes, Alice ser colocada entre os dentes de açúcar. Ouviu-se um
Croc!
Seu corpo foi partido ao meio na altura da cintura pelos dentes afiados. O sangue jorrou, manchando o rosto da diretora. Beibei desabou no chão, com os olhos arregalados de choque. Alguns jogadores mostraram pesar; outros permaneceram indiferentes, achando que ela merecia — afinal, se não fosse por ela ter levado o grupo ao castelo, essas entidades não teriam acordado.
— Alice! — gritou Qin Zhao, com a voz dilacerada.
Porém, justo quando todos achavam que Alice se tornaria o banquete da diretora, algo inesperado aconteceu. Alice abriu as pálpebras subitamente e acenou alegremente para a entidade: — Ei, sua mordida é bem precisa. Desculpe a indiscrição, mas qual é o gosto?
Diretora: — ...
Jogadores: — ...
Uma onda de descrença se espalhou. Ela não morreu?! O corpo dela era tão duro assim? Ou melhor, a vida dela era tão resistente?!
A primeira diretora olhou para a metade do corpo em sua boca e depois para a metade em sua mão. Seus olhos giraram freneticamente, fora de controle.
— Você... por que você...
— Corpo Imortal — Alice sorriu como uma boba que não conhece o perigo. — Já ouviu falar?
Em seguida, ela enfiou a mão na boca da diretora, agarrou um dente de açúcar e puxou com força.
Croc— Croc— Croc—!
Um a um, os dentes de açúcar foram arrancados brutalmente por suas mãos nuas. Os outros jogadores começaram a se perguntar se os dentes das entidades eram macios, pois parecia fácil demais para uma garota arrancá-los assim.
A dor de ter os dentes arrancados fez a diretora soltar um urro de agonia. Por instinto, ela abriu a mão e recuou vários passos. A parte superior do corpo de Alice caiu no chão. Mesmo assim, ela não parecia sentir dor; continuava sorrindo.
— Do que ela é feita, afinal?
— Ela não sente dor? Que admiração...
— ...
Os comentários na multidão eram de puro espanto pelo fato de ela ter o corpo partido e não soltar um único grito.
— Mestra... dói?
Alice: — Tenta você e descobre.
Ela sentia claramente a dor lancinante de ter os ossos e a carne esmagados e divididos em dois. Como não doeria?
— Por que está fugindo? A brincadeira ainda não acabou.
A expressão de Alice voltou ao normal. A parte inferior de seu corpo rastejou para fora da boca da diretora, arrastando tripas e sangue, movendo-se passo a passo até o lado da parte superior. Sob o olhar aterrorizado de todos, as duas metades começaram a se conectar. A carne se regenerou, os ossos se curaram e a pele se uniu.
Trinta segundos depois, Alice estava de pé, inteira, diante deles. Ela limpou a poeira da roupa e encarou os dezessete diretores paralisados, soltando um riso debochado.
— Venham — Alice provocou, fazendo um sinal com o dedo indicador. — Continuem.
Diante disso, os diretores não se mexeram. Todos chegaram à mesma conclusão: aquele humano não podia ser morto. Se não podia ser morto, significava que não poderiam "completar a meta de dezessete". Se não batessem a meta, não poderiam voltar a dormir. E se não dormissem, teriam que ficar acordados para sempre...
Já que não podiam comê-la, decidiram não perder mais tempo e mudar de alvo. A primeira diretora mudou de ideia instantaneamente e avançou em outra direção. Lá estavam três jogadores: o homem de cabelo raspado, a menina do rabo de cavalo e um homem cujo nome ninguém lembrava.
— Merda! — o homem de cabelo raspado xingou e saiu em disparada. Ele não queria morrer ali; queria viver cem anos e completar o cenário em segurança.
Contudo, a diretora era rápida demais. Com seu corpo gigantesco, um passo dela equivalia a três de um humano. Ela alcançou a menina do rabo de cavalo e a agarrou.
— Não, socorr...
Antes que terminasse o grito, a menina foi enfiada na boca da primeira diretora.
Croc.
O sangue escarlate escorreu por entre os dentes de açúcar enquanto a criatura mastigava. Ao verem isso, os outros diretores perderam a hesitação: um avançou sobre o homem de cabelo raspado e outro sobre o jogador sem nome.