Capítulo 42: Quando Dois Bobalhões se Encontram
Pela manhã, Alice e Clara se encontraram na entrada do shopping. De braços dados, cada uma com sua beleza particular, pareciam duas lindas irmãs do mundo mortal.
— Cunhada, eu conheço uma manicure maravilhosa por aqui. Vamos fazer as unhas juntas? — Clara esfregou as mãos, animada.
— Vamos sim! — Alice assentiu. As duas subiram direto pelo elevador, com Arthur seguindo-as logo atrás.
De repente, o celular no bolso de Arthur tocou. Ele franziu o cenho e atendeu. A voz alta de Hugo veio do outro lado da linha:
— Arthur, você não é nada legal, hein! A Clarinha voltou e você nem me avisa?
— Como você ficou sabendo?
— Piada! Eu sou um herdeiro de renome nesta cidade. Como eu não saberia que Haishi ganhou de repente uma nova e bela socialite? Onde vocês estão? Vou aí encontrar vocês agora mesmo.
Arthur massageou as têmporas.
— No shopping.
— Eu sabia que ela ia te obrigar a bater perna. Continua igualzinha a quando era criança. Me dá dez minutos, chego já! — Hugo desligou.
Dez minutos depois, ele realmente apareceu diante de Arthur. Hugo ajeitou o cabelo e começou a olhar para todos os lados.
— E aí, fui pontual? Onde está a garotinha?
Arthur, sem expressão, começou a subir a escada rolante. Em pouco tempo, os dois apareceram atrás de Alice e Clara. As duas nem perceberam; estavam rindo e se divertindo enquanto faziam as unhas. Os olhos de Hugo brilharam, e ele cutucou Arthur.
— Shhh... não diga nada.
Ele se curvou levemente e aproximou-se sorrateiramente por trás de Clara. Arthur cruzou os braços, observando friamente aquele comportamento infantil. Hugo chegou bem perto e, de repente, colocou as mãos nos ombros de Clara.
— Olá, beldade!
Clara levou um susto tão grande que seu corpo deu um solavanco e ela soltou um grito. Sua mão se moveu bruscamente, estragando completamente a unha que acabara de ser pintada. Ela se virou e deu de cara com Hugo, a poucos centímetros de distância, com os olhos apertados em fendas de tanto rir.
— E aí? Feliz em me ver?
Clara, furiosa, desferiu um soco direto.
— Feliz é o meu nariz!
Hugo soltou um grito de dor, cobrindo o olho e choramingando.
— Você já é bem grandinho para esse tipo de brincadeira, Hugo! Deixa de ser infantil!
Hugo começou a pular de um lado para o outro enquanto tapava o rosto.
— Ai, minha nossa! Você pesa a mão demais! Você não é uma mulher, é o próprio Shrek! Não admira que não consiga casar!
Clara ficou possessa.
— O quê? Você teve a audácia de me chamar de monstro?
Ela arregaçou as mangas, deu um passo à frente e agarrou a orelha de Hugo.
— Repete se tiver coragem!
Hugo começou a berrar de dor.
— Ai, ai! Eu errei, majestade! Solta logo, minha orelha vai cair!
Clara afrouxou a mão.
— Se falar bobagem de novo, cuidado com a outra orelha!
Hugo, massageando a orelha vermelha, escondeu-se atrás de Arthur.
— Arthur, com uma irmã dessas, vai ser difícil alguém querer casar com ela.
Arthur olhou para ele; os dois trocaram um olhar de mútuo consentimento.
Momentos depois, talvez porque a dor tivesse diminuído, Hugo voltou a provocar. Com um olho roxo e uma orelha vermelha, ele parecia um tanto ridículo. No entanto, ele estava determinado a recuperar sua dignidade masculina e não ser derrotado por uma "mulherzinha".
— Clara, bater nos outros qualquer um bate. Quero ver se você tem coragem de me enfrentar numa partida de sinuca!
O shopping tinha muitas opções de lazer. Hugo amava sinuca, enquanto Clara era péssima no jogo. Clara ergueu o queixo e colocou as mãos na cintura, recusando-se a recuar.
— Aceito o desafio! Quem perder paga o almoço, e eu quero comer frutos do mar!
— Fechado! Se eu perder, pago os frutos do mar. Se você perder, me paga comida japonesa, fechado?
— Combinado!
Hugo andava em círculos ao redor de Clara, com um ar arrogante.
— Não vá chorar quando perder, hein? Se você me chamar de "Irmão Hugo", eu te perdoo e ainda pago o almoço de graça.
Clara revirou os olhos.
— Credo, eu não vou perder!
Arthur e Alice observavam o comportamento infantil dos dois com total resignação.
Na sala privada, uma mesa de sinuca padrão ocupava o centro. Hugo e Clara estavam em lados opostos, trocando olhares que soltavam faíscas no ar. Alice e Arthur sentaram-se no sofá ao lado, sentindo como se estivessem assistindo a uma briga de crianças. Alice cochichou no ouvido de Arthur, preocupada:
— Querido, você acha que esses dois vão passar da sinuca para o vale-tudo?
Arthur pensou por um instante.
— É bem provável.
Hugo posicionou-se diante da mesa com uma postura elegante e deu a primeira tacada. Em um único lance, encaçapou duas bolas. Ele lançou um olhar provocador para o outro lado.
— É difícil lidar com tanto talento, não é?
Clara estava morrendo de raiva. Ela pegou o taco, mirou e colocou força. Mas, por algum motivo, o taco errou a bola perfeitamente.
— Escuta aqui, dondoca, você está tentando acertar o ar? Hahahaha!
O rosto de Clara ficou vermelho.
— Essa não valeu, vamos de novo!
Ela deu outra tacada, mas desta vez pareceu colocar força demais; a bola saltou na mesa e quase caiu no chão. O clima ficou um tanto constrangedor.
— Hahahaha! — Hugo ria tanto que chegava a lacrimejar. — Pelo visto, a comida japonesa de hoje já está garantida.
Dito isso, ele pegou o taco e, com destreza, encaçapou várias bolas seguidas. Clara fez um biquinho, mas não conseguia acertar nada.
Hugo ria tanto que sentia câimbras no rosto. Ele se encostou na mesa.
— E então? Acha que ainda há necessidade de continuar o jogo?
Clara jogou o taco de lado.
— Eu sou uma mulher de palavra. É só um almoço japonês, não é? Diga logo, onde vamos comer?
Hugo arqueou as sobrancelhas.
— Quero comer no Furukawanai!
O Furukawanai era o restaurante japonês mais famoso de Haishi, com decoração luxuosa e pratos refinados. Naturalmente, os preços também eram "refinados". Clara pegou sua bolsa e saiu pisando duro.
— Vamos logo então, não tenho medo!
O grupo seguiu para o local indicado por Hugo. No restaurante, Hugo pediu uma montanha de comida. Ele focou em sashimis e caviar, pratos caríssimos, decidido a levar Clara à falência. Já Alice e Arthur pediram apenas alguns sushis doces e bebidas; eles não estavam com tanta fome e estavam ali apenas para acompanhar.
Clara olhava para a mesa cheia de pratos sentindo uma dor no bolso. Ela olhou de soslaio para Hugo.
— Você vai conseguir comer tudo isso?
Hugo levantou o olhar.
— Claro que vou. Por que? Está com pena do seu dinheiro?
Clara rangeu os dentes.
— Coma! Coma tudo! Se o dinheiro não der, eu te deixo aqui lavando pratos!
Hugo deu de ombros e não respondeu. Ele saboreava a comida com uma expressão de total satisfação.