Capítulo 40: Ela é Minha Irmã!
Ao ver Arthur de volta, a Sra. Qin correu em sua direção.
— Arthur, você fez algo para deixar a Alice brava? Ela se trancou no quarto a tarde toda e nem desceu para jantar. Vá dar uma olhada nela agora mesmo.
Arthur subiu as escadas sem hesitar. Parou diante da porta e bateu de leve. Lá de dentro, veio a voz de Alice:
— Mãe, eu não estou com fome.
Arthur agiu como se não tivesse ouvido e continuou batendo. Sem alternativa, Alice teve que levantar para abrir a porta. Para sua surpresa, assim que a abriu, Arthur estava lá parado. A fúria de Alice atingiu o ápice instantaneamente. Ela tentou bater a porta com um estrondo, mas Arthur foi mais rápido e meteu a perna na fresta para impedir.
No entanto, a força com que Alice empurrou a porta foi tão grande que ele sentiu uma dor aguda na perna. Arthur franziu a testa, massageando o local. Ele nunca tinha notado que sua esposa tinha tendências tão violentas. Alice deu as costas e caminhou para dentro do quarto sem olhar para trás, enquanto Arthur a seguia mancando.
Alice sentou-se na beira da cama, com o rosto carregado de raiva.
— O que você veio fazer aqui?
Arthur aproximou-se cautelosamente.
— Querida, você está brava?
Alice virou o rosto para o lado oposto e fechou os olhos com força.
— Eu não! Por que eu estaria brava?
Só Deus sabia que ela estava prestes a explodir de tanto ódio.
— Você foi à empresa hoje? Por que não entrou para me ver?
Mencionar isso só fez o sangue de Alice ferver mais.
— Por que eu deveria entrar? Você estava conversando tão alegremente com aquela mulher, eu não queria atrapalhar o casal!
Arthur coçou o nariz e não conseguiu conter um risinho. Dizer que não estava brava era piada; o cheiro de ciúme estava tão forte que podia ser sentido do outro lado da rua.
— Você ainda tem coragem de rir! — Irritada, Alice arremessou o travesseiro nele.
Arthur agarrou o objeto no ar.
— Querida, você não quer ouvir minha explicação? Ficar tão nervosa faz mal à saúde. Além do mais, a pessoa que estava no meu escritório hoje à tarde era a minha irmã.
— Que irmã o quê! De onde você tira tanta irmã? Eu não acredito!
Arthur balançou as mãos em sinal de rendição, resignado.
— É verdade, eu não estou mentindo. — Ele começou a se arrepender de ter aquela prima (irmã de consideração) por perto, causando tanto transtorno para sua esposa.
Alice jogou o edredom em cima dele.
— Não me importa! De qualquer jeito, você não vai dormir comigo hoje! Sinto raiva só de olhar para você!
— Ei! Querida, você está sendo irracional agora! — Arthur entrou em pânico ao ver o edredom voando em sua direção.
Alice pulou da cama e o empurrou para fora do quarto.
— Fora! Fora daqui!
A porta bateu com força. Arthur foi expulso para o corredor, segurando seu próprio edredom e travesseiro nos braços.
— Querida, me deixe entrar!
Lá de baixo, a Sra. Qin viu a cena e cobriu o rosto em desespero. Quem diria que seu filho, tão imponente lá fora, seria expulso do quarto pela esposa? Se alguém soubesse disso, morreria de rir. Arthur ficou parado na porta por um bom tempo, mas acabou desistindo e indo para o quarto de hóspedes. Ele poderia ter usado uma chave reserva, mas temia deixar Alice ainda mais furiosa. O melhor era se conformar e esperar que a raiva dela passasse no dia seguinte.
Na manhã seguinte, bem cedo.
A tia de Arthur chegou à mansão Qin acompanhada por Clara, que olhava curiosa para todos os lados. Assim que entraram na sala, Clara deu um abraço apertado na Sra. Qin.
— Tia! Que saudade eu senti da senhora!
A Sra. Qin olhou para a garotinha de antigamente e viu que ela havia se transformado em uma moça belíssima; não pôde deixar de suspirar com a rapidez do tempo. Clara, com seu jeito doce e tagarela, não parava de falar enquanto segurava o braço da tia, deixando-a radiante de alegria. Com um sorriso de orelha a orelha, a Sra. Qin disse a uma empregada:
— Temos visitas. Vá chamar o patrãozinho e a Jovem Madame para descerem.
A empregada subiu e bateu na porta de Alice.
— Jovem Madame, temos visitas. A patroa pede que a senhora e o senhor Arthur desçam.
Após algumas batidas, a voz de Alice respondeu:
— Está bem, já vou descer.
No quarto de hóspedes ao lado, Arthur ouviu a movimentação e também saiu.
No quarto, Alice maquiava-se cuidadosamente e escolheu um vestido elegante. Diante de convidados, ela não podia perder a compostura. Quando terminou de se arrumar e desceu as escadas, Arthur já estava na sala. Mal Alice pisou no último degrau, Clara correu e enlaçou seu braço.
— Oi, Cunhada! Eu sou a Clara, pode me chamar de Clarinha!
A expressão de Alice congelou no ato. "Meu Deus! É a mesma mulher que estava no escritório do Arthur ontem!"
Então Arthur não estava mentindo... ela era realmente a irmã dele! Ao perceber que tivera um ataque de pelanca e discutira seriamente com o marido por causa de um mal-entendido, Alice sentiu um constrangimento mortal. Queria que o chão se abrisse para ela se esconder.
Alice soltou um sorriso amarelo e lançou um olhar furtivo para Arthur, cheia de vergonha. Arthur estava encostado no corrimão da escada, com o cabelo um pouco bagunçado e olheiras profundas sob os olhos magoados. Por causa da briga, ele não conseguira pregar o olho a noite toda. Sem a esposa ao lado, o sono simplesmente não vinha. Ao vê-lo naquele estado abatido, a culpa de Alice aumentou.
No entanto, a Sra. Qin a puxou para conversar com a tia, então ela teve que cumprimentar as visitas primeiro. Clara aproveitou para se aproximar de Arthur, com uma cara de quem queria fofocar.
— Arthur, você e a cunhada brigaram? Notei que vocês não saíram do mesmo quarto. O quê? Estão vivendo separados?
Arthur deu um cascudo na testa dela imediatamente.
— A culpa é toda sua!
— Ai! — Clara massageou a testa com os olhos marejados. — O que foi que eu fiz?
Arthur deu as costas e saiu, sem paciência para a tagarelice da prima.
Clara fez uma careta para as costas dele e correu novamente para segurar a manga de Alice.
— Cunhada, cunhada! Eu trouxe um presente para você! — Com um ar misterioso, ela levou Alice para um canto e tirou uma caixa da bolsa.
— O que é isso? — perguntou Alice, estranhando tanto mistério.
Clara abriu apenas uma frestinha da caixa. Alice ficou vermelha na mesma hora e fechou a tampa bruscamente. Era uma camisola de renda extremamente sensual! Alice cobriu a testa com a mão. O que passava na cabeça dessa garota? Aquilo era presente que se desse a alguém?
Clara piscou os olhos e empurrou a caixa para as mãos de Alice.
— É para você, cunhada. Vi muitas mulheres usando isso lá fora. Como eu não tenho namorado, pensei que você seria a pessoa perfeita para ganhar.
— Mas... isso é revelador demais, eu não posso usar isso — Alice recusou prontamente.
Clara fez um biquinho, parecendo não ver problema algum.
— Do que você tem medo? É para usar para o meu irmão, não para os outros. Você precisa ser mais ousada! Eu não aceito "não" como resposta; trouxe isso de muito longe. Se não aceitar, é porque você não gosta de mim como irmã!
Alice sentiu um suor frio. "Presente com chantagem emocional agora?"