Capítulo 74: A Vila de Blocos de Montar
As regras pareciam ser elásticas. Quem quer que a Diretora detestasse, teria mais facilidade em ser "malcriado".
Madeirinha perguntou: — Então você a irritou de propósito para ser odiada?
— Sim — Alice assentiu. — Quero saber como as regras mudam quando ela detesta alguém.
Madeirinha fez um bico e escondeu o rosto no colarinho de Alice.
— Mestra, você é realmente muito doente.
— Obrigada.
Após os jogadores terminarem seus discursos, a Diretora Doce voltou para a frente do piano; sua saia de fondant ondulava levemente sob o calor.
— Todos foram ótimos! — disse ela sorrindo. — Agora, vamos brincar de um jogo.
A Diretora bateu palmas e os desenhos infantis na parede se moveram em uníssono. Eles se alinharam em fila, olhando para os jogadores.
— Estes são os nossos "bons amigos"~ As regras não serão muito difíceis.
As familiares letras coloridas surgiram:
1. Cada amiguinho deve escolher um animal para ser seu "amigo".
2. Segure a mão do seu amigo e vá a qualquer três lugares do parque para tirar fotos.
3. Ao tirar a foto, o amigo deve mostrar um "sorriso feliz".
4. Tempo limite: 30 minutos.
Quem estourar o tempo, deixar o amigo triste ou perdê-lo perderá 5 flores vermelhas.
5. Amiguinhos que concluírem com sucesso ganharão 3 flores vermelhas extras.
Alice olhou para baixo. Um coelho de papel estava parado aos seus pés, com a cabecinha erguida para encará-la. Suas órbitas oculares eram substituídas por dois buracos negros e profundos. Suas orelhas pendiam moles e, olhando de perto, havia marcas de fita adesiva transparente nas bordas.
Alice agachou-se para ficar na altura dele e perguntou gentilmente: — Qual é o seu nome?
O coelho não respondeu.
— Você tem pensamentos próprios?
O coelho continuou em silêncio.
— Você está com medo?
As orelhas do coelho tremeram levemente. Alice abriu um sorriso e estendeu a mão amigavelmente. O coelho hesitou por um momento, e então sua pata de papel pousou lentamente na palma da mão de Alice.
— Vamos, amigo — Alice levantou-se e convidou-o com entusiasmo. — Vou te levar para tirar três fotos.
Assim, ela seguiu em direção à porta segurando o coelho. Ao passar pela moldura vazia, Alice parou subitamente; notou uma linha de letras miúdas escritas a lápis na borda inferior, que haviam sido cobertas com corretivo e depois raspadas por unhas.
【Regra 4: Nunca houve uma Regra 4.】
Abaixo havia outra linha, com caligrafia mais clara, parecendo ser mais antiga:
【Eu tentei, não dá para sair.】
A Diretora apareceu silenciosamente atrás de Alice. Não disse nada, apenas ficou observando. Alice sentiu os olhos hostis em suas costas, mas não se demorou. O coelho de papel, segurado por ela, ergueu levemente as orelhas pela primeira vez. Nem ele mesmo sabia o porquê. Já não conseguia se lembrar de quando alguém o segurou pela última vez.
Ao longe, os ponteiros da torre do relógio da Vila de Blocos moviam-se lentamente. Faltavam vinte e dois minutos para o prazo final. Alice caminhava sem pressa com o coelho em direção ao primeiro ponto de foto.
Atrás dela, Zhou Yu segurava aquele coelho branco de pescoço torcido em 180 graus e entrava em outra bifurcação. O coelho branco encostava a orelha no pulso do menino, imóvel. O garoto mantinha a cabeça baixa, sem olhar para ninguém. Ao passar pela moldura vazia, seus passos pararam por um instante, curiosamente como os de Alice. Então, estendeu a mão lentamente e passou o polegar pela borda da moldura. Feito isso, continuou em silêncio, sem notar a linha de letras miúdas abaixo.
Alice desviou o olhar e seguiu com o coelho pela estrada principal do parque. Sob o céu rosa-azulado, o contorno da Vila de Blocos ficava cada vez mais nítido. As construções eram feitas de blocos gigantes — vermelhos, amarelos e azuis; embora parecessem meio tortas, eram estranhamente estáveis. As ruas eram cobertas por pisos de borracha que cediam sob os pés, como se estivessem pisando em um bolo.
— Mestra — Madeirinha espiou pelo colarinho. — O seu coelho... parece estar olhando para você o tempo todo.
Alice olhou para baixo. De fato, o coelho de papel a encarava com suas órbitas negras. Mesmo sem globos oculares, a sensação de ser observada era inegável.
— Você sabe ler? — perguntou Alice calmamente.
O coelho não reagiu.
— Sabe balançar a cabeça ou dizer que não?
O coelho não disse nada, apenas ficou olhando fixamente.
— Então o que você sabe fazer?
As orelhas do coelho tremeram levemente. Uma ou duas vezes poderia ser coincidência, mas a terceira já era irracional. Alice interpretou aquilo como o jeito do coelho responder.
Ela comprimiu os lábios, pensou por alguns segundos e decidiu mudar a pergunta: — O que você quer que eu faça por você?
Desta vez, as orelhas tremeram com muito mais intensidade. O coelho esforçou-se para erguer uma pata mole de papel e apontar para a direção da Vila de Blocos. Seguindo o gesto, Alice viu uma área cercada por tapumes coloridos antes da vila. De longe, cada ripa da cerca era pintada de uma cor diferente e ostentava uma placa:
【PROIBIDA A ENTRADA · ÁREA DE REFLEXÃO PARA CRIANÇAS MALCRIADAS】
.
Ela ergueu a sobrancelha: — É para lá que você quer ir?
As orelhas do coelho balançaram para cima e para baixo, como se ele assentisse.
— Tudo bem — Alice não pensou duas vezes, apertou a patinha dele e disse decidida: — Vamos para lá.
Madeirinha entrou em pânico na hora: — Mestra! Está escrito "proibida a entrada"! A regra três diz que não se pode fazer o que a professora proíbe!
Alice abriu um sorriso astuto: — Mas o coelho não é a professora. — Sendo assim, como poderia ser considerado violação?
— ...
Alice olhou para o próprio distintivo: — Além disso, as palavras "proibida a entrada" estão em uma placa. Quem colocou a placa? Não sabemos. Quem colocou a placa conta como "professora"? Não necessariamente.
Nesse processo, ela praticamente perguntava e respondia a si mesma. Madeirinha ficou sem argumentos.
— Mestra, às vezes sua lógica é realmente irritante.
— É? Talvez você tenha que se acostumar comigo assim daqui em diante.
Eles contornaram a rua principal e seguiram por uma trilha de cascalho até a cerca. De perto, a pintura na cerca não era tinta comum; era uma mistura de pigmentos secos com algo mais. Alice raspou levemente com o dedo e cheirou. Parecia cheiro de xarope de açúcar. Ela cheirou novamente, incerta; havia também um leve odor de ferrugem.
O portão da cerca não estava trancado, apenas encostado. Havia um papel colado com uma caligrafia garranchada, nitidamente infantil:
【Quem entrar deve deixar algo.】
【Pode ser uma flor vermelha, uma memória ou um amigo.】
【Se não quiser deixar nada, deixe a si mesmo.】
Alice arrancou o papel sem hesitar, dobrou-o e o guardou no bolso.
— Preservando evidências — disse ela. — Vai que eu precise depois.
Ela empurrou o portão e encarou o mundo lá dentro com um semblante complexo. Madeirinha foi direto ao ponto: — Isso não é lugar de gente morar.