Capítulo 71: Visitando o Túmulo
【Clipe de Papel ×1 (Já possuído)】
Proveniente do Hospital Psiquiátrico do Mundo da Pintura.
Nota do Sistema: Você chama isso de item especial?
【Liquidação de Recompensa Oculta】
Detectado que o jogador ativou o final oculto de nível S "O Jogo Final do Capitão" e alcançou um empate...
Detectado que o jogador recebeu atenção especial do Tabelião...
Recompensa Oculta Concedida:
【Fortalecimento de Habilidade: Precognição】
A habilidade de 【Precognição】 do jogador subiu de nível.
Agora você pode "buscar" ativamente fragmentos do futuro de alvos específicos (ex: o ponto fraco de uma entidade, o método de morte de um jogador).
Tempo de recarga: 3 vezes por cenário.
【Liquidação do Cenário Concluída.】
【Iniciando transporte de volta ao mundo real...】
【3... 2... 1...】
Um clarão branco passou.
Alice abriu os olhos e percebeu que estava deitada no sofá de sua casa. Sobre a mesa de centro, a tigela de macarrão instantâneo que ela não terminara antes de entrar no cenário ainda estava lá; o macarrão já havia virado uma massa pastosa e inchada.
Alice olhou para o relógio na parede. Do momento em que entrou no cenário até a sua saída, passaram-se apenas vinte e três minutos no mundo real.
— Madeirinha, estou com fome — disse Alice preguiçosamente.
Madeirinha deu um pulo do ombro de Alice e tentou segurar a tigela de macarrão com suas mãozinhas de madeira: — Mestra, está muito pesada, não consigo carregar.
Alice suspirou diante da cena: — Esquece, vamos pedir delivery.
Enquanto isso, de volta ao Ghost Ruins, a múmia estava na beira do convés observando calmamente o horizonte. Ela segurava uma placa onde se lia, em letras tortas:
【BEM-VINDA DE VOLTA, ALICE — RESPEITOSAMENTE, MÚMIA DO QUARTO 413】
De repente, uma brisa marinha soprou e a placa caiu. A múmia agachou-se, pegou-a e continuou a segurá-la. Não muito longe dali, o Capitão Olho de Sangue suspirou ao ver a cena. Em seguida, ele tirou uma pequena placa e a pendurou discretamente na porta da cabine de comando:
【PROIBIDO CAÇAR BUGS. AGRADECEMOS A COOPERAÇÃO.】
A placa não ficou pendurada por três segundos antes de ser recolhida pelo Tabelião, que saía para verificar a situação. O Tabelião disse sem emoção: — Seu comportamento viola gravemente o Artigo 3 do Código de Conduta da Tripulação.
Olho de Sangue: — ...
O Tabelião fez uma pausa e acrescentou: — Além disso, não funciona com aquela jogadora.
— ...
O Tabelião amassou a placa e a jogou com força no mar.
Tchibum!
A superfície da água criou círculos de ondas que se espalharam lentamente.
No terceiro dia após o fim do cenário, Alice finalmente conseguiu dormir até acordar naturalmente. Ela caminhou até a janela e viu o céu cinzento lá fora, parecendo que ia chover. Ela voltou para a cama e ficou encarando o teto.
— Mestra — Madeirinha escalou o travesseiro com esforço. — Tem cenário hoje?
— Não.
— Então... tem alguma entidade para brincar?
— Não.
— O que vamos fazer hoje?
Alice não respondeu de imediato. Após um longo silêncio, disse com um tom de voz melancólico: — Hoje... vamos visitar o túmulo.
Madeirinha descobriu pela primeira vez que no mundo real também existiam "cemitérios". Pousado no ombro de Alice, ele observava as fileiras ordenadas de lápides de pedra cinza; seu pequeno rosto de madeira estava cheio de confusão.
— Mestra, todas as pessoas aqui estão mortas?
— Sim.
— E as almas delas? Foram para os cenários? Reencarnaram? Ou estão presas em algum lugar?
Alice caminhou silenciosamente até parar diante de uma das lápides. As inscrições estavam um pouco desgastadas, mas ainda era possível ler:
Aqui jaz meu falecido pai, Xu Zhengguo
Aqui jaz minha falecida mãe, Xie Ying
Erigido por seu filho devoto, Alice
Não havia datas de nascimento ou morte, nem epitáfio; além dos nomes, não havia nada. Madeirinha ficou quieto. Estava com Alice há algum tempo, mas era a primeira vez que a via assim: sem sorrisos, sem aquele brilho de loucura nos olhos. Aquele olhar vazio transmitia uma sensação de inexistência, quase como se ela fosse uma ilusão.
— Eles são... — Madeirinha perguntou cautelosamente.
— Mortos — respondeu Alice sem mudar o semblante. — Quando eu tinha doze anos.
Sua voz era assustadoramente calma, como se falasse de algo que não lhe dizia respeito. Não era que não importasse, mas sim que, após anos vivendo sozinha, ela se tornara anestesiada. Indiferente.
— Acidente de carro. Um caminhão furou o sinal vermelho e transformou o carro deles num disco de metal. Eu estava doente naquele dia e faltei à escola, por sorte escapei.
Ela se agachou e usou a manga para limpar um pouco de lama da lápide.
Desde aquele dia, Alice se arrependera inúmeras vezes de ter faltado à aula; sentia que deveria ter ido com eles. Se tivesse ido, hoje não seria uma pessoa solitária no mundo. Ela soltou um riso sarcástico: — Nem tive a chance de vê-los pela última vez. Eles foram cruéis, ficaram deitados na cama com lençóis brancos cobrindo o rosto. Metade da sobrancelha do meu pai estava queimada. Eles dormiram... mas não me levaram.
Tinham prometido ser uma família. Agora, deixá-la sozinha... que tipo de família era essa? Madeirinha não soube o que dizer. Ele tentou, com sua mãozinha de madeira, tocar levemente o lado do rosto de Alice. Ela não se afastou e tirou duas coisas da mochila: um maço de cigarros fechado e uma garrafa de aguardente.
Colocou o cigarro diante da lápide do pai e derramou a bebida diante da mãe.
— Meu pai queria parar de fumar; tentou por vinte anos e nunca conseguiu — Alice acendeu um cigarro e o colocou no incensário. — Minha mãe o xingava todo dia por causa do fumo, mas toda vez que o via trabalhando até tarde da noite, deixava uma luz acesa e um pratinho de amendoins para ele.
O vento soprou e a fumaça do cigarro subiu em espirais. Alice colocou a garrafa no canto da lápide: — Minha mãe gostava de beber um pouquinho, dizia que ajudava a dormir. Toda vez que meu pai ouvia isso, ele a repreendia dizendo que ela não aguentava nada e caía com um copo só. Ela não aceitava, e os dois podiam passar a noite inteira discutindo por causa dessa bobagem.
Alice parou de falar, perdida em pensamentos, e murmurou para si mesma: — Na verdade, não era briga. Era o jeito deles de conversar.
Madeirinha ouvia em silêncio as mágoas de sua mestra. Nessas horas, além de ser um bom ouvinte, não havia mais nada que pudesse fazer.
— Antes dos doze anos, eu achava que a vida seria sempre assim: a família discutindo, indo ao parque de diversões nas férias de verão e voltando para a terra natal no Ano Novo Chinês. Nada de especial. Só depois que eles se foram é que percebi que aqueles dias "comuns" foram os melhores da minha vida.
Ela silenciou novamente. O vento ficou mais forte, soprando as cinzas do cigarro diante da lápide, fazendo-as girar no ar antes de se dispersarem. Ela se levantou e tirou uma terceira coisa do bolso: um pequeno tigre de pano desbotado.
Madeirinha reconheceu o objeto imediatamente e exclamou: — Isso é da Vila Névoa Oculta...
Estranho. Ele vira com os próprios olhos Alice devolvendo aquele objeto para o garoto louco, Ah Qing. Como ele poderia estar aqui?
Alice disse: — Ficou curioso sobre como eu consegui isso?
— Hum — assentiu Madeirinha honestamente.
— Usei um pequeno truque. No começo eu queria guardar para mim, mas depois pensei melhor e decidi que este objeto não deve ficar comigo.
Ela colocou o tigre de pano exatamente entre as duas lápides.