A princípio, ninguém acreditava que um plano tão absurdo ganharia o apoio do público. No entanto, o resultado final deixou todos os presentes boquiabertos: impressionantes 95% dos espectadores votaram a favor.
Como Olho de Sangue já havia dado sua palavra, não havia como voltar atrás; ele só podia aceitar o destino.
— Está bem, Lara. Você pode usar a passagem para sair e retornar sob o pretexto de "bis a pedido do público". Mas pense bem: uma vez que retornar, a passagem será anulada e você precisará obter o direito de partir novamente.
— Sem problemas — Alice entregou prontamente a passagem dourada para Leonardo e assentiu levemente. — Você vai primeiro. Eu uso a sua passagem para sair e, quando eu voltar, dou um jeito de conseguir outra.
Leonardo estacou: — Você... tem certeza?
Ela assentiu com firmeza. Embora sair e voltar parecesse inacreditável, aquela era a decisão de Alice.
— Tenho. O jogo ainda não perdeu a graça.
Enquanto todos lutavam desesperadamente para fugir, ela, tendo a chance de partir, decidia retornar. Leonardo não entendia, mas respeitava. Já que lhe davam uma chance de sobrevivência, ele não seria tolo de recusar. Ele pegou a passagem com um olhar de profunda gratidão e disse solenemente: — Obrigado.
Ninguém sabia o real motivo por trás do ato de Alice. Todos estavam convencidos de que havia um abismo enorme entre ela e uma pessoa normal; ela constantemente fazia coisas absurdas e incompreensíveis.
Leonardo caminhou até a amurada com a passagem em mãos. No instante seguinte, um bote salva-vidas surgiu no mar de sangue. Ele subiu no bote e olhou três vezes para trás, encarando os outros jogadores. A culpa era da crueldade do jogo: para que um vivesse, outros estavam destinados a morrer. Ele os olhou com piedade antes de desaparecer na névoa.
Alice perguntou: — Pronto, agora eu vou fazer o meu "bis". Como funciona?
Olho de Sangue apertou um botão vermelho sem expressão. Alice foi envolta por um pilar de luz bizarra e, no segundo seguinte, apareceu misteriosamente no bote, sentada ao lado de Leonardo.
Leonardo olhou para a pessoa que surgiu do nada com uma expressão confusa: — O que você está fazendo aqui?
Alice observou a superfície do mar, que estava estranhamente calma e tingida de um vermelho escuro infinito.
— O método de envio não é nada amigável, hein — murmurou ela para si mesma, ficando cada vez mais animada conforme olhava.
A confusão de Leonardo aumentou: — O que disse?
Alice respondeu rápido: — Espero que você consiga remar para fora rápido! Eu vou indo na frente.
Assim que o bote se distanciou um pouco, Alice pulou na água sem hesitar.
— Ei! Você pretende voltar nadando?! — gritou Leonardo. Alice parecia não ouvir; não respondeu e continuou nadando de volta para o Ghost Ruins por conta própria.
Ao mesmo tempo, Leonardo notou que o mar calmo parecia estar borbulhando.
O que é isso?
Ele tocou cautelosamente a superfície da água com a ponta do dedo e o recolheu instantaneamente.
— Ai! Está fervendo!
A água do mar estava quente! Num relance, ele viu que o dedo que tocara a água estava saindo fumaça e perdera uma camada de pele. A temperatura era altíssima. Ao olhar para frente, Alice já havia desaparecido da superfície. Com aquela temperatura, ela provavelmente morrera cozida.
Ele não sabia, porém, que com o
Corpo Imortal
, embora Alice sentisse uma dor terrível e seu corpo soltasse fumaça, ela não sofria nenhuma queimadura real.
Na cabine de comando, o Capitão Olho de Sangue e os outros três jogadores observavam o relógio na parede. A cada minuto que passava sem sinal de Alice, eles se convenciam de que ela não voltaria. Meia hora depois, quando Olho de Sangue estava prestes a declarar o fim do jogo e sentenciar os três restantes à morte, a porta da cabine se abriu.
— Voltei! — Alice chegou a tempo, com o corpo encharcado.
— Ufa! — A plateia explodiu em aplausos estrondosos. Beatriz e os outros dois juntaram-se à comemoração. Ninguém acreditava que ela conseguiria, mas ela provou o contrário!
Num canto onde ninguém notava, o rosto de Olho de Sangue estava mais sombrio que o fundo de uma panela. Cessados os aplausos, Alice disse ofegante: — Agora, o enredo oculto deve ser ativado, certo?
Olho de Sangue silenciou por um momento, até que seu rosto severo foi tomado por um sorriso sinistro.
— Meus parabéns, Lara — disse ele com um riso amargo. — Você ativou com sucesso o final oculto de dificuldade máxima do Ghost Ruins:
O Jogo Final do Capitão!
Assim que ele falou, o grande palco desapareceu, substituído por uma mesa de apostas. Diferente dos andares anteriores, não era uma roleta, mas uma enorme mesa de pôquer. Olho de Sangue sentou-se na posição de Crupiê. Alice ocupou o lugar do jogador. Beatriz e os outros foram forçados a sentar na plateia, assistindo ao duelo. Eles queriam entender por que diabos Alice resolvera voltar.
— Uma rodada decide tudo. Se você vencer, todos partem. Se perder, todos ficam para sempre, incluindo Leonardo, que será trazido de volta à força.
Aquele ato colocava a vida de todos nas mãos de Alice. Ela segurava quatro vidas. Se vencesse, seria a salvadora; se falhasse, seria a inimiga mortal deles. Madeirinha não aguentou e tentou aconselhá-la: — Mestra, não aposte com ele. Essa regra foi feita para te empurrar para o inferno. Se perdermos e ficarmos presos, eles vão te culpar, te odiar e te bater. Não aposte!
Alice já previra isso. O que o boneco dizia era possível: se ficassem presos, eles poderiam culpá-la sem restrições. Especialmente Leonardo; ela sabia o que era dar esperança e depois mergulhar alguém no desespero. Mas... e daí? O destino dos outros três já estava selado; apostando, ao menos haveria uma chance.
Alice ergueu a sobrancelha: — O que vamos jogar?
— Pôquer. A aposta é a essência da existência de vocês.
Ela não objetou e aceitou calmamente. As cartas foram dadas! Alice manteve a calma, encarando as duas cartas de Coringa (Joker) em sua mão sem expressão.
Nada mal.
Quando quatro Coringas surgiram na mesa, Alice inclinou a cabeça e perguntou: — Empate?
Olho de Sangue: — Não. Neste jogo, o Coringa representa possibilidades infinitas. Agora entraremos na fase de apostas ilimitadas até que um lado desista.
Dito isso, o Capitão apostou a própria vida: — Eu aposto minha identidade como Capitão.
Alice comprimiu os lábios e pensou por alguns segundos: — Eu cubro. Aposto meu
Corpo Imortal
.
"Corpo Imortal? O que é isso?", pensaram Beatriz e os outros, confusos. Não entendiam o termo, mas sentiam que o valor daquela aposta era colossal.
— Eu aposto a propriedade de todo o navio Ghost Ruins!
— Eu cubro. Aposto a minha
Precognição
!
Os dois continuavam aumentando as apostas. Cada item que Alice oferecia era algo que os jogadores não conseguiam compreender.
— Eu aposto o controle total deste cenário.
Alice, sem medo, respondeu com serenidade: — Aposto tudo o que sou. Meu passado, meu presente e meu futuro. Todas as minhas possibilidades.
Um rastro de choque cruzou os olhos de Olho de Sangue. Ele não esperava que ela fosse tão longe a ponto de apostar a si mesma por inteiro. Ela estava falando sério!
— Se você perder, desaparecerá completamente. Até os vestígios da sua existência serão apagados.
— O mesmo vale para você. Se perder, perderá tudo.
Olho de Sangue sentiu a confiança vacilar; um rastro de covardia surgiu em seu peito. Notando isso, Alice usou a psicologia reversa: — O quê? Ficou com medo?
O coração hesitante do Capitão endureceu subitamente: — Mostre as cartas!
Obviamente, a provocação surtira efeito. Os dois revelaram suas mãos simultaneamente.