Capítulo 34: Traição
No primeiro dia de volta às aulas, Alice ainda estava meio aérea. Depois de um longo dia de estudos, ela ainda precisava sair para fazer uma pesquisa de mercado. Nos últimos dias, ela percorreu quase todos os mercados de vestuário e lojas de moda de Haishi; queria entender melhor o setor e, ao mesmo tempo, enriquecer sua inspiração criativa.
No shopping, Alice caminhava sem rumo. Após duas horas andando, seus pés latejavam de cansaço. Ela comprou um chá de bolhas (bubble tea) e sentou-se em um banco do corredor para descansar. Seu olhar vagou distraído pelas vitrines, até que deparou com algo inesperado.
Em uma joalheria, um cliente estava escolhendo joias para a mulher ao seu lado. O homem era levemente gordinho e usava óculos. Sua mão envolvia a cintura fina da mulher, e ele sorria tanto que seus olhos pareciam fendas. A mulher tinha curvas generosas e usava um vestido preto com decote em V, observando alegremente uma pulseira de ouro em seu pulso.
O sangue de Alice ferveu e ela, instintivamente, prendeu a respiração. Aquele homem não era outro senão Marcos, o marido de Valentina. Alice aproximou-se alguns passos e esfregou os olhos, temendo estar enganada. Mas era realmente Marcos. Embora só o tivesse visto uma vez em uma festa, era impossível confundi-lo.
Alice pegou o celular e tirou duas fotos discretamente. Se seu palpite estivesse correto, Marcos estava traindo a esposa ou mantendo uma amante, e Valentina certamente não sabia de nada. Alice fechou os olhos, sentindo uma onda de nojo. Pensando em Valentina, sentia que ela não merecia aquilo.
Valentina era elegante, bonita e implacável no mundo dos negócios. Muitas das negociações mais difíceis da empresa eram conduzidas por ela; era o exemplo perfeito de uma mulher forte e bem-sucedida. O Grupo Lin costumava ser uma empresa minúscula e só atingira a escala atual graças à gestão de Valentina. A Sra. Qin já comentara que, antes de Valentina se casar, nobres e herdeiros faziam fila na porta da mansão Qin para pedi-la em casamento.
No entanto, Valentina não se interessara por nenhum deles, entregando seu coração justamente a Marcos, seduzida por suas palavras doces, e acabara "descendo de nível" para se casar com ele. Alice não conseguia entender: tendo uma esposa tão bonita e competente, por que ele não a valorizava e preferia buscar uma amante fora? Pelo visto, quem se cansa das iguarias de casa sempre acha que o lixo da rua tem um cheiro melhor.
Se pudesse, Alice queria entrar ali e dar uma surra naquele canalha asqueroso. Irritada, ela jogou o chá no lixo e saiu do shopping.
À noite, Alice entrou no escritório onde Arthur trabalhava. Ela refletira bem e decidira que Arthur precisava saber. Valentina não podia continuar sendo enganada; aquele lixo de homem precisava ser punido severamente.
— Querido.
— O que foi? — Arthur envolveu a cintura dela e olhou para cima.
— Quero te mostrar uma coisa.
Alice pegou o celular e mostrou as fotos. Arthur folheou as imagens e um brilho gélido passou por seus olhos.
— O que vamos fazer? Devemos contar para a minha irmã? — perguntou Alice, preocupada.
Arthur segurou a mão dela.
— Não pense mais nisso. Eu vou cuidar do assunto.
— Eu só fico com pena dela, por ter encontrado um cafajeste tão nojento!
O olhar de Arthur tornou-se implacável e ele soltou um riso frio.
— Fique tranquila. Se ele realmente a traiu, mesmo que eu não faça nada, minha irmã jamais o deixará sair impune. Afinal, nós, da família Qin, não toleramos traição.
Alice assentiu. Arthur pegou o telefone e fez uma ligação.
— Presidente.
— Investigue o círculo social de Marcos e veja se ele teve algum comportamento anormal recentemente. Qualquer notícia, me informe imediatamente.
— Sim, senhor.
No Clube Mizuwan, Arthur estava encostado no sofá, batendo os dedos ritmicamente na mesa. Valentina entrou no recinto. Usava um conjunto social profissional, com o cabelo castanho cacheado caindo sobre os ombros, parecendo sofisticada e eficiente.
— O que houve, Arthur? Por que me chamou com tanta pressa?
Recentemente, ela andava exausta por causa da entrada de Bento na pré-escola.
Arthur tirou um envelope com fotos e o entregou. Valentina folheou as imagens e sentiu seu coração despencar em um abismo sem fundo. O homem nas fotos era seu marido, Marcos, agindo de forma íntima com uma mulher; havia até registros de entrada em hotéis. Valentina conhecia aquela mulher: era Leticia, a secretária de Marcos.
Seus dedos se contraíram e seu coração parecia esmagado por uma pedra de mil quilos, tornando difícil até respirar. Nos últimos dois anos, devido ao nascimento de Bento, Valentina se afastara gradualmente da linha de frente da empresa para se dedicar à família. Ela sabia que o marido trabalhava muito, por isso nunca fizera perguntas. Será que todas as vezes que Marcos dizia estar em viagens de negócios, ele estava, na verdade, se divertindo com aquela mulher?
Ela nunca imaginou que Marcos faria algo tão desavergonhado pelas suas costas, e ainda por cima dentro da própria empresa. Isso era uma humilhação pública.
— Mana, precisa que eu faça algo? — perguntou Arthur, com o olhar carregado de fúria contida.
Valentina limpou uma lágrima solitária e seus olhos brilharam com uma fúria avassaladora.
— Não interfira. Eu mesma vou resolver isso.
Ela pegou a bolsa e levantou-se.
— Arthur, não conte nada aos nossos pais ainda, não quero que fiquem preocupados. Amanhã vou levar o Bento para a mansão; peça para eles cuidarem dele por uns dias.
Ela precisava de tempo livre para lidar exclusivamente com aquela situação. Arthur assentiu. Valentina ajeitou a roupa e saiu do clube com passos firmes. Já que o canalha e a amante resolveram aparecer, ela não teria piedade!
No dia seguinte, Valentina levou Bento para a casa dos pais. Como era fim de semana, Alice também estava lá. Valentina parecia relaxada e agia normalmente, mas Alice percebia que, sob aquela fachada forte, havia um coração ferido.
Valentina agachou-se diante de Bento, acariciando o rostinho do filho.
— Bento, vai brincar com a titia por uns dias, tá bom? A mamãe volta logo para te buscar.
O pequeno, segurando seus brinquedos, não queria soltar a mão da mãe.
— Mamãe, para onde você vai?
— A mamãe vai trabalhar para ganhar dinheiro e comprar brinquedos para você! Quando eu voltar, que tal se eu te trouxer o maior robô de brinquedo que existir?
Os olhos do pequeno brilharam na hora; ele amava robôs.
— Então a mamãe tem que vir me buscar logo, hein!
Valentina beijou o rosto dele.
— Assim que eu terminar, eu volto. Lembre-se de obedecer à vovó e à titia!
— Sim! — Bento acenou e correu para os braços de Alice.
Valentina saiu e dirigiu direto para o Grupo Lin. A primeira coisa que ela faria seria retomar seu lugar na empresa e recuperar o controle total do poder central do grupo. Enquanto a maioria das ações estivesse em suas mãos, ninguém poderia detê-la. Nem mesmo Marcos seria capaz de lhe causar mais nenhum dano.