Capítulo 31: Vingança
Na boate, as luzes laser coloridas ofuscavam a visão, e o ar estava saturado com um cheiro forte de cigarro e álcool. A música era ensurdecedora, com homens e mulheres dançando colados na pista de dança.
Hugo estava completamente embriagado, jogado em uma poltrona. Uma mulher com maquiagem carregada e roupas provocantes estava encostada em seu peito, insistindo para que ele bebesse mais. Hugo beijou os lábios vermelhos da mulher com uma expressão lasciva e vulgar.
Ele se levantou apoiando-se no banco.
— Querida, não bebo mais, preciso ir embora.
A mulher ao lado, com um ar dengoso, enlaçou seu pescoço para impedi-lo de sair.
De repente, vários homens vestidos de preto invadiram o local. Eles abriram caminho entre a multidão e agarraram Hugo, puxando-o para fora. Hugo, bêbado demais para se manter em pé, lutava com todas as forças.
— Quem diabos são vocês? Por que estão me prendendo? — Ele até pegou uma cadeira para ameaçá-los. — Sabem quem eu sou? Quem me tocar hoje vai se ver comigo!
Antes que pudesse terminar,
pow!
, uma garrafa de bebida explodiu em sua cabeça. As pessoas ao redor gritaram e o caos se instalou. Hugo balançou a cabeça, vendo estrelas. O sangue escorreu pelo seu rosto; ele limpou com a mão e, no segundo seguinte, desmaiou. Os homens de preto o seguraram pelo colarinho e o arrastaram dali.
No camarote privativo.
Hugo estava firmemente amarrado e jogado em um canto. Um balde de água gelada foi despejado sobre ele, fazendo-o despertar com um sobressalto. Ao ver os homens de preto, ele começou a xingar furiosamente:
— Vocês sabem quem é o meu pai? Eu sou o jovem mestre da família Gao! Me soltem agora, ou vou fazer vocês se arrependerem amargamente!
A família de Hugo geria uma pequena agência de publicidade. Em Haishi, empresas como aquela eram tão comuns quanto mato.
— Se me tratarem assim, meu pai não vai perdoar vocês!
Os homens de preto permaneciam inexpressivos, deixando-o gritar sozinho.
Arthur entrou na sala com Alice segurando seu braço; o corpo dela estava extremamente tenso.
— Presidente Arthur — os homens baixaram a cabeça em respeito.
Arthur fez um sinal com a mão e eles se retiraram para o lado.
Hugo parou de gritar e estreitou os olhos. Um sorriso sarcástico e vulgar surgiu em seus lábios.
— Ora! Se não é a Jovem Madame da família Qin. O que faz aqui hoje para ver este seu ex-namorado? Fiquei com um pouco de remorso por termos terminado de um jeito tão ruim da última vez.
Alice sentiu um gelo percorrer todo o corpo. O asco e o ódio eram tão intensos que ela sentia vontade de retalhar Hugo em mil pedaços. O olhar de Arthur era sombrio, e uma aura de perigo mortal emanava dele, como um demônio vindo do inferno. Hugo não conseguiu evitar um calafrio.
— Foi você quem causou o acidente da família Jiang?
Hugo girou os olhos, mantendo sua postura cínica.
— Quem disse que fui eu? Eu poderia dizer que foi você. Vocês têm provas?
Arthur soltou uma risada fria.
— Não importa se não confessar. Eu posso te ajudar a refrescar a memória.
Ele fez um sinal com o dedo e um homem robusto se aproximou. O pânico tomou conta dos olhos de Hugo; ele se arrastou para perto da parede, engolindo em seco.
— O que... o que vocês vão fazer? Meu pai não vai deixar isso barato!
— Vá, ajude-o a lembrar — ordenou Arthur.
O brutamontes assentiu e parou diante de Hugo. No instante seguinte, um soco do tamanho de um saco de areia atingiu em cheio o rosto dele. O homem o jogou no chão como se fosse um frango e pisou em seu peito, imobilizando-o. O rosto de Hugo inchou instantaneamente, e ele começou a gritar de dor enquanto o sangue escorria pelo canto da boca.
— E então, lembrou?
Hugo cuspiu sangue, rangendo os dentes.
— Eu confesso, fui eu! E o que vão fazer? Vão me matar por acaso? Alice, sua vadia! Na época da escola eu te persegui por tanto tempo, e você nem me deixava encostar em você!
A face de Hugo tornou-se distorcida.
— Você sabe o quanto eu odiava aquele seu ar de superioridade? O que você tem de tão orgulhoso? Você não passa de um monte de lama sob os meus pés! Seus pais ainda me deram dinheiro para eu ficar longe de você, e eu fiquei radiante! Mas quando o dinheiro acabou e eu voltei, eles me fecharam a porta na cara, me chamaram de lixo da sociedade e ameaçaram chamar a polícia! Eles eram tão nojentos quanto você! Por que mereciam um final feliz?
Sua voz tinha um tom de loucura doentia.
— Eu ainda me lembro da cara do seu pai morrendo sem conseguir fechar os olhos. Foi gratificante! A falência da família Jiang foi justiça divina!
O corpo de Alice gelou. Ela jamais imaginou que Hugo machucaria sua família por um motivo tão pífio. Ela pegou a faca que estava sobre a mesa e caminhou passo a passo em direção a ele. A arrogância de Hugo transformou-se em pavor absoluto.
— O que vai fazer? Não chegue perto! AAAAHHH!!!
Um grito lancinante ecoou pelo camarote. O sangue escorria da mão de Hugo, pingando no chão. Alice retirou a faca e a cravou com força na outra palma dele. Hugo empalideceu de dor, tremendo violentamente, incapaz de dizer mais uma palavra. Alice continuava aplicando força.
— Você não era tão arrogante? Por que se calou agora? Hugo, eu queria te cortar em mil pedaços, queria que você pagasse com a vida pela minha família! Por que alguém como você ainda vive neste mundo? Eu fui cega por ter me interessado por algo tão asqueroso como você!
Alice retirou a faca e a enterrou no braço dele. Hugo soltou um último grito e desmaiou completamente. O sangue fluía silenciosamente pelo chão. Alice se levantou e jogou a faca ensanguentada de lado. Suas bochechas estavam coradas e seu corpo tremia de pura fúria. Arthur a envolveu pelos ombros, abraçando seu corpo trêmulo.
— Joguem ele na porta da delegacia — ordenou Arthur antes de sair.
— Sim, senhor.
No dia seguinte, a polícia foi ao hospital colher o depoimento da Sra. Jiang e prendeu Hugo formalmente. A empresa da família Gao não apenas faliu da noite para o dia, como também acumulou dívidas astronômicas.
Com a vingança concretizada, um peso saiu do coração da Sra. Jiang. Alice cuidou dela com toda a dedicação no hospital e, em pouco tempo, ela já conseguia se levantar e caminhar.
Pela manhã, Alice amparava a mãe em um passeio pelo jardim do hospital. O local estava cheio de flores e pássaros, com muitas pessoas se exercitando. Arthur também chegou ao hospital. Ele abandonara seu habitual semblante gélido e, ao ver a Sra. Jiang, seu rosto mostrava uma leve calidez. Ele foi atencioso e gentil; mesmo quando a Sra. Jiang falava sem parar, ele não demonstrava impaciência, ouvindo tudo com atenção.
A Sra. Jiang estava encantada com ele, extremamente satisfeita com o genro. Alice observava com espanto a mãe e Arthur conversando no banco. O sorriso no rosto da mãe chegava a dar um pouco de ciúmes na filha. "Mamãe é demais, ganhou um genro e esqueceu da própria filha". Ela nunca imaginou que Arthur pudesse ter um lado tão obediente e dócil, parecendo uma pessoa completamente diferente do homem implacável que era no dia a dia.