Capítulo 30: O Verdadeiro Culpado do Acidente
Alice passou o dia inteiro de vigília no hospital. Quando a Sra. Jiang acordou novamente, já era tarde da tarde. Alice deu leves batidinhas no próprio rosto para se manter alerta; desta vez, sua mãe parecia muito mais lúcida e disposta do que da primeira vez.
Alice levantou a mão, exibindo sua aliança de casamento.
— Mamãe, olhe, eu me casei.
A Sra. Jiang primeiro ficou atônita, mas logo abriu um sorriso de alegria.
— Parece que dormi por tempo demais, a ponto de nem saber do casamento da minha própria filha. Quem é o noivo? Traga-o logo para que eu o conheça.
Ao pensar que não pudera participar do casamento da filha nem vê-la vestida de noiva, o coração da Sra. Jiang se encheu de lamento. O rosto de Alice transbordava felicidade:
— Mãe, é o Arthur. Eu me casei com um membro da família Qin. Ele não está no hospital agora, por isso não pôde vir vê-la ainda.
A Sra. Jiang franziu o cenho imediatamente.
— Arthur? O presidente do Grupo Qin? Alice, fale a verdade para mim: como você conseguiu entrar para uma família da alta nobreza como os Qin? Além disso, ouvi dizer que Arthur é um homem frio. Por favor, não se sacrifique nem sofra em silêncio.
A Sra. Jiang percebeu logo que algo estava estranho. Ela lembrava que Alice e Arthur não se conheciam antes. Teria sua filha se forçado a casar com os Qin apenas para pagar seu tratamento? A família Jiang já fora rica, e a Sra. Jiang sabia muito bem que não era fácil se estabelecer em uma família poderosa. A quantidade de pessoas tentando dar o golpe do baú era incontável.
— Mãe, o que a senhora está pensando? O Arthur me trata muito bem. O Sr. e a Sra. Qin me consideram como uma filha legítima. Sou muito feliz agora, não se preocupe.
A Sra. Jiang fixou os olhos nos de Alice e, ao ver o brilho genuíno em seu olhar, finalmente relaxou. Ela segurou a mão da filha:
— Fico aliviada em ouvir isso. Mas preciso te dizer: agora que é uma mulher casada, não pode mais ser teimosa como antes. Deve ser uma nora dedicada e dar herdeiros ao Arthur o quanto antes.
Alice ficou vermelha na hora.
— Mãe, o que a senhora está dizendo?!
A Sra. Jiang acariciou a bochecha corada da filha e riu.
— Digo isso para o seu bem. Para manter sua posição em uma família como a deles, é assim que se faz.
Alice assentiu, sabendo que sua mãe estava apenas zelando pelo seu futuro. Neste mundo, apenas os pais pensam no bem dos filhos sem qualquer interesse por trás. Após conversarem por um longo tempo, Alice assumiu uma expressão séria:
— Mãe, a senhora consegue se lembrar do dia do acidente? Quem foi que atropelou a senhora e o papai?
Aquele acidente fora um pesadelo absoluto para a Sra. Jiang. Ela ainda lembrava que, no momento do impacto, seu marido a abraçara com força, protegendo-a com o próprio corpo para que ela sobrevivesse. Ela levou a mão ao peito, as lágrimas escorrendo:
— Foi o Hugo.
Naquela noite, ela viu claramente Hugo descendo do carro. Aquela face cruel e perversa ela jamais esqueceria enquanto vivesse.
— Hugo... — Alice murmurou o nome. Um ódio profundo inundou sua mente, destruindo qualquer resquício de racionalidade. — Por que ele fez isso?! Por quê?!
Alice gritou desesperada, as lágrimas caindo sem parar.
— Mãe, me perdoe! A culpa foi toda minha... fui eu... se eu não tivesse conhecido o Hugo, nada disso teria acontecido! Eu destruí a senhora e o papai! Eu destruí a nossa família!
Alice cobriu a cabeça, chorando em agonia. A Sra. Jiang a puxou para um abraço, tentando confortá-la:
— Não foi culpa sua, Alice. Você era jovem e foi enganada por ele, você não tem culpa de nada...
Alice abraçou a mãe com força. O desespero e o ódio a sufocavam como uma maré alta; apenas o choro podia aliviar tamanha dor. Ela chorou até a exaustão, até não restar mais nenhuma força em seu corpo.
Ao entardecer, Arthur chegou ao hospital. Ele ia em direção ao quarto quando viu Alice parada junto à janela do corredor. Sua silhueta parecia pequena e frágil enquanto ela olhava para o vazio. Arthur segurou a mão dela e percebeu que suas mãos estavam terrivelmente geladas.
O rosto de Alice estava pálido e seus olhos sem vida. Ela abraçou Arthur com força, as lágrimas caindo silenciosamente:
— Arthur, a culpa é minha. Por que eu fui conhecer o Hugo? Eu acabei com a minha família... — Sua voz estava rouca de tanto chorar.
O coração de Arthur doeu intensamente. Ele tirou o paletó, cobriu-a e a carregou até o carro. No caminho de volta para a mansão Qin, Alice dormia profundamente nos braços dele. O olhar de Arthur estava gélido e uma aura de fúria assassina emanava de seu corpo.
Ele já havia entendido tudo. O acidente fora obra de Hugo. Hugo destruíra a família de Alice. Arthur pegou o celular e fez uma ligação.
— Presidente — respondeu uma voz respeitosa do outro lado.
O tom de Arthur era o mais frio possível:
— Investigue agora os dados pessoais e a localização exata de Hugo. Quero o resultado em uma hora. E coloque pessoas para vigiá-lo.
— Sim, senhor. Vou cuidar disso agora mesmo.
Na mansão Qin, Arthur carregou Alice diretamente para o quarto. Ele trocou as roupas dela e a agasalhou bem sob as cobertas. Ela não dormia tranquila; suas sobrancelhas estavam franzidas, como se estivesse vivendo um pesadelo terrível. Arthur permaneceu sentado à beira da cama, protegendo-a em silêncio.
O telefone tocou e ele foi para a varanda atender.
— Presidente, localizamos o alvo. Quais são as ordens?
— Fiquem de olho nele. Não o deixem escapar.
Noite adentro, Alice acordou assustada por um pesadelo. Arthur entrou trazendo uma tigela de canjica e a envolveu nos braços.
— Arthur, eu sonhei com o meu pai... — Alice estava coberta de suor frio, que encharcara sua camisa.
A imagem trágica da morte de seu pai ainda estava gravada em sua alma. Quando ele era vivo, sempre a ensinara a ser calma perante as adversidades. Mas agora, ela estava verdadeiramente em pânico. Arthur afagou seus ombros, como se acalmasse uma criança assustada.
— Não pense nisso agora. Coma um pouco.
Arthur soprou a colher e, ao garantir que não estava quente, levou-a aos lábios dela. Alice não tinha apetite — seu estômago doía como se estivesse sendo retalhado — e só conseguiu dar duas colheradas. O tom de Arthur carregava uma ternura rara:
— Coma um pouco mais. Depois que terminar, eu vou te levar lá.
— Onde? — Alice olhou para ele, confusa.
A expressão de Arthur endureceu e um brilho gélido passou por seus olhos:
— Vamos encontrar o Hugo.