Capítulo 22: Sedução
Após o banquete de aniversário do Sr. Ricardo, Alice tornou-se ainda mais ocupada. Com o divórcio se aproximando, ela sabia que não poderia mais depender da família Qin. Precisava trabalhar com mais afinco para ganhar dinheiro e sustentar a si mesma e à sua mãe. Por isso, nos últimos dias, frequentemente voltava para casa tarde da noite.
No escritório da empresa, o Sr. Zhang segurava o celular enquanto limpava o suor frio da testa.
— Presidente Arthur, apareceram fotos da Jovem Madame na internet...
Arthur pegou o celular. Na tela, as fotos de Alice com Gustavo haviam sido publicadas, e os comentários abaixo eram ultrajantes. O olhar de Arthur tornou-se sinistro e, com um estalo, a caneta em sua mão foi quebrada ao meio.
— Notifique esses meios de comunicação para removerem as fotos imediatamente. Reduza o impacto ao mínimo.
— Sim, senhor! — Zhang obedeceu e saiu correndo da sala.
Arthur caminhou até a janela e massageou as têmporas. "Alice, você não vai se divorciar de mim nem em seus sonhos!"
Na mansão.
Arthur saiu cedo do trabalho e foi direto para a cozinha. Em sua mente, ecoavam as palavras que Lucas lhe dissera naquele dia:
"Se você quer conquistar o coração de uma mulher, primeiro conquiste o estômago dela. Mulheres são seres sentimentais; quando ela se acostumar com a sua comida, não conseguirá mais viver sem você."
O chef da casa ficou apavorado ao ver o patrão entrar.
— Patrão.
— Ensine-me a cozinhar.
O cozinheiro ficou inquieto, achando que tinha ouvido errado.
— Patrão, será que a minha comida não está lhe agradando? Posso mudar o cardápio agora mesmo...
— Não tem nada a ver com você. Apenas me ensine.
O chef finalmente entendeu. Embora fosse algo incompreensível, ele achou melhor não questionar os pensamentos de Arthur. O homem ficou ao lado de Arthur ensinando-o pacientemente, mas Arthur nunca tinha sequer tocado em utensílios de cozinha na vida, e mal sabia distinguir os temperos básicos. Aprender a cozinhar em pouco tempo não seria uma tarefa fácil.
Arthur ficou na cozinha por duas horas inteiras. O resultado não foi apenas uma comida intragável, mas também bolhas de queimadura em seus dedos.
Dona Helena e o Sr. Ricardo observavam a cena escondidos na porta. Para não serem vistos, usaram uma criada como escudo humano.
— O que deu no nosso filho? Por que resolveu aprender a cozinhar do nada? — sussurrou Helena.
— Como eu vou saber? — Ricardo franziu o cenho.
— Será que ele se interessou por culinária de repente? Ou será que... ele está fazendo isso pela Alice? — Helena esfregou as mãos, animada. — Meu filho finalmente "acordou"! Ele aprendeu a mimar a esposa!
Nos dias seguintes, toda vez que Arthur chegava do trabalho, mergulhava na cozinha. Finalmente, em um jantar, ele saiu trazendo dois pratos de aparência refinada. Os olhos de Helena brilharam e ela já ia pegando os talheres, mas Ricardo a impediu.
— Espere, querida! Isso provavelmente foi feito especialmente para a Alice. Não podemos estragar o gesto do nosso filho. Vamos esperar.
Helena, relutante, soltou os talheres. Arthur arrumou a mesa meticulosamente.
— Vá chamar a Jovem Madame para jantar.
A criada subiu, mas voltou rapidamente.
— Patrão, a Jovem Madame disse que está sem apetite e não vai jantar.
Um brilho de irritação passou pelos olhos de Arthur. Ele se esforçara tanto por dias e aquela mulher ousava não comer? Ele jogou os talheres na mesa e subiu as escadas. Helena, preocupada, cutucou o marido:
— Ricardo, você acha que eles brigaram?
— Coisa de jovem, não vamos nos meter. Coma logo, vamos provar o talento do nosso filho.
Pensando na briga do casal, Helena perdeu o apetite e foi para o quarto.
— Coma você, eu perdi a fome.
— Ei! Todo mundo resolveu não comer agora? — Ricardo resmungou, sobrando sozinho à mesa.
No quarto, Alice estava enrolada em uma manta no sofá. Não era pirraça; como toda mulher, havia aqueles dias do mês em que a cólica era insuportável. Sentia o abdômen como se estivesse sendo retalhado e realmente não conseguia comer nada.
Arthur abriu a porta e entrou.
— Por que não foi jantar?
Ao notar o estado dela, percebeu que ela não parecia bem. Alice virou-se para o outro lado.
— Não é da sua conta.
Ela continuava segurando a barriga. Arthur arqueou as sobrancelhas, com uma expressão de quem compreendera a situação, e voltou para a cozinha. Pouco depois, ele trouxe uma tigela de água quente com açúcar mascavo. Soprou com cuidado e, ao garantir que não estava quente demais, disse:
— Abra a boca. — O tom era de comando, como um oficial dando ordens a um soldado.
— Não precisa, eu faço sozinha. — Alice pegou a tigela, bebeu tudo de um gole só e fechou os olhos, ignorando o homem atrás dela.
Arthur suspirou. Tudo o que ele preparara com tanto esforço ela nem provou. Parecia que seu trabalho fora em vão.
Dois dias se passaram. À noite, Alice estava deitada no sofá mexendo distraidamente no celular. Arthur saiu do banheiro e, ao vê-lo, os olhos de Alice estagnaram. Não era exagero dela, mas Arthur estava...
Estava irresistível.
Ele estava com o peito nu, a pele lisa e os músculos peitorais definidos cobertos por algumas gotas de água. As gotas deslizavam lentamente pelos oito gomos do abdômen, descendo em direção à pelve onde algumas veias saltavam levemente.
Alice engoliu em seco. "Não pode ser!! Isso é o mesmo que tentar me seduzir!", pensou ela. Alice sentiu que ia começar a babar, limpou o canto da boca e cobriu os olhos com as mãos. Respirou fundo para acalmar o coração e, malandramente, afastou o dedo médio do indicador para espiar pela fresta.
Arthur agia como se nada estivesse acontecendo, andando de um lado para o outro na frente dela.
"Não! Alice, não seja tão patética!", repreendeu-se. Ela cobriu os olhos novamente e correu para fora do quarto. Arthur, vendo-a fugir em pânico, deu um leve sorriso de canto. Parecia que o conselho de Lucas realmente funcionava.
No corredor, Alice pressionava o peito, tentando acalmar os batimentos. "O que o Arthur tem na cabeça?! Sorte que eu sou uma moça direita, ora essa!". De repente, sentiu o nariz úmido. Ao limpar, percebeu que estava tendo um sangramento nasal!
Ela fechou os olhos, com vontade de se dar dois tapas. "Putz, Alice! E você ainda se chama de 'moça direita'? Você é uma completa sem-vergonha!". Uma criada passou e se assustou:
— Jovem Madame, você está bem? Por que seu nariz está sangrando tanto?
— Nada, nada! É que eu... comi muita comida "quente" ultimamente e estou com excesso de energia interna... — Alice dispensou a criada e correu para o banheiro para se lavar.
"Que vergonha!", pensou. Não dava, ela não podia ficar no mesmo quarto que ele hoje, ou acabaria tendo pensamentos pecaminosos. Decidida, ela voltou furtivamente ao quarto, pegou seu pijama e sua manta. Dormiria no quarto de hóspedes por aquela noite.
Alice entrou no quarto de hóspedes e trancou a porta.