Capítulo 15: Mulher Entende Mulher
Alice recolheu a mão rapidamente, fechou os olhos e continuou fingindo que dormia. Arthur massageou a testa e lançou um olhar para a pessoa ao seu lado; ele sabia que ela estava fingindo.
Sem desmascará-la, Arthur levantou-se, foi ao banheiro e logo saiu do quarto já vestido. Alice abriu os olhos cautelosamente e olhou ao redor. Ao confirmar que ele realmente havia saído, levantou-se às pressas para se arrumar; afinal, era dia de trabalho e ela não podia se atrasar.
Na mesa de jantar, Alice tomava o café da manhã sozinha, pois Arthur já partira cedo para a empresa.
— Alice, você tem planos para este fim de semana? — perguntou Dona Helena.
— Nada importante, mãe. Por quê?
Os olhos de Helena brilharam de animação:
— Que ótimo! Teremos uma reunião de família neste fim de semana. Muita gente virá, vai ser uma festa maravilhosa!
— Ah? Reunião de família? — Alice fez uma careta. Reunião de família? Ela mal conhecia os próprios parentes, quanto mais os da família Qin.
— Sim! Muitos deles ainda não te conhecem. Alice, você e o Arthur devem aparecer juntos. É a oportunidade perfeita para eu apresentar minha nora a todos; eles vão morrer de inveja!
Dona Helena adorava agitação e, só de imaginar o olhar de admiração das velhas amigas, já irradiava felicidade.
— Ei, querida, pare de rir tanto, senão vai ganhar rugas — brincou o Sr. Ricardo, jogando um balde de água fria na empolgação da esposa.
Ao ouvir sobre as rugas, Helena conteve o riso, mas não deixou de lançar um olhar de reprovação ao marido:
— Seu velho rabugento, pare de falar bobagens...
Embora Helena estivesse animada, Alice sentia-se apreensiva. Ela sempre fora péssima para decorar nomes de parentes e frequentemente os chamava errado, o que dirá agora com a imensa árvore genealógica dos Qin. Pensando na confusão que seria, decidiu que era melhor conversar com Arthur sobre isso.
À noite, Arthur estava em uma videoconferência no escritório. Alice esperou um bom tempo no quarto e, como ele não saía, resolveu entrar. O escritório era imenso, com paredes cobertas de livros e vários álbuns de fotografia.
Alice pegou um álbum ao acaso e percebeu que continha fotos de Arthur desde a infância. O pequeno Arthur tinha bochechas gordinhas, segurava uma bola de basquete e vestia um conjunto esportivo estiloso, mantendo uma expressão séria à beira da quadra. No ensino médio, ele já exibia traços solares e atraentes; posava de braços cruzados, olhando friamente para a câmera, cercado por garotas que sorriam feito bobas para a lente.
"Pelo visto, esse sujeito é bonito desde que nasceu. Com essa aparência, deve ter partido muitos corações", pensou Alice, suspirando diante da injustiça da genética.
Após quase uma hora de espera, Arthur encerrou a reunião. Alice guardou o álbum.
— Arthur, sua mãe disse que haverá uma reunião de família este fim de semana e quer que apareçamos juntos.
Arthur virou-se, com seu tom de voz gélido habitual:
— Sim. Na ocasião, precisaremos cooperar um com o outro para não deixar transparecer nenhuma falha. Entende o que quero dizer?
"Falhas?" Alice refletiu por um instante e logo captou o sentido. O significado era claro: o casamento era um negócio. "Cooperar" nada mais era do que esconder a falta de intimidade e manter as aparências da família Qin.
Alice soltou um riso amargo.
— Eu entendo.
Seu casamento era uma farsa conveniente; ela não tinha o direito de exigir nada além disso.
O fim de semana chegou rapidamente. Alice observava da janela o movimento de pessoas entrando no jardim e sentia a cabeça latejar. "Quanta gente...", pensou. Na sala, bandejas de frutas estavam dispostas, criados serviam os convidados e chefs preparavam o banquete na cozinha. Tudo estava impecável.
Alice terminou de se arrumar diante do espelho, usando as roupas e joias que Dona Helena lhe dera para garantir uma aparência digna. Arthur olhou para o relógio:
— Vamos.
— Sim.
Alice hesitou por um segundo, mas acabou entrelaçando o braço no dele. Ambos desceram as escadas. A aparição do casal atraiu imediatamente todos os olhares. O ambiente silenciou por um instante. Alice manteve a postura ereta, esforçando-se para exibir um sorriso adequado, enquanto Arthur permanecia com sua máscara de gelo inexpressiva.
— Que casal magnífico!
— Ricardo, Helena, vocês têm muita sorte!
— A Jovem Madame é deslumbrante, parabéns!
Ouvindo os elogios, os sogros de Alice não conseguiam esconder o orgulho. De repente, uma voz dissonante cortou o clima:
— Puff! De que adianta ser bonita? Não passa de um vaso decorativo, bonita por fora e vazia por dentro.
O silêncio tomou conta do salão. O rosto de Dona Helena fechou-se imediatamente. Quem falara fora Bárbara, filha de Wilson, um grande amigo do Sr. Ricardo. As famílias eram próximas há gerações. Bárbara era uma estrela de cinema famosa, dona de uma beleza marcante e olhos sedutores, mas também dona de um temperamento arrogante de "filha de papai". Acostumada a ser mimada, nem o próprio pai conseguia controlá-la.
Sua mãe, Cecília, sempre a idolatrara, gabando-se de que a filha nascera para ser uma estrela. Cecília sabia que Bárbara era apaixonada por Arthur desde pequena e esperava que os dois se casassem para unir ainda mais as famílias. No entanto, bastou Bárbara sair para uma filmagem para Arthur se casar. Era natural que a filha estivesse furiosa.
Wilson deu um cutucão na filha rebelde:
— Menina! Que modos são esses?
Cecília tentou amenizar a situação:
— Pois é, essa menina não tem juízo. Não levem a mal, por favor. Bárbara, peça desculpas à sua cunhada agora mesmo!
Embora Cecília entendesse os sentimentos da filha, falar aquilo em público era uma prova de falta de educação.
— Por que eu deveria pedir desculpas? Não disse nenhuma mentira — retrucou Bárbara.
O clima ficou extremamente embaraçoso. Alice empalideceu; ela esperava fofocas, mas não um insulto direto e gratuito. Antes que pudesse reagir, Arthur passou o braço pelos ombros dela, trazendo-a para perto.
— Quem você pensa que é para avaliar a minha esposa?
O tom de Arthur era gélido, carregado de uma fúria contida. Seus olhos pareciam duas pedras de gelo. Todos perceberam o perigo, menos Bárbara, que mantinha o queixo erguido, recusando-se a ceder.
Alice, aproveitando o momento, abraçou a cintura de Arthur e encostou a cabeça em seu peito, encenando uma demonstração de afeto perfeita. Se era para atuar, que fosse de forma convincente. Ela olhou para cima, para Arthur, com um ar de fragilidade e doçura:
— Arthur, não fique bravo. É a primeira vez que nos vemos, a Bárbara ainda não me conhece bem. Não a culpe por isso.
Alice já havia sacado as intenções da outra. Afinal, mulher entende mulher; aquilo não passava de puro ciúme.