Capítulo 5: O Trabalho
— Você!
Beatriz ficou sem palavras de tanta raiva. Ao verem seu embaraço, as outras colegas riam discretamente. Alice, ignorando sua existência, saiu para buscar o chá com leite que havia encomendado e distribuiu uma xícara para cada uma.
Mulheres e chá com leite: uma combinação irresistível.
— Uau, é aquele novo lançamento da BLUE!
— Ouvi dizer que é super caro. Obrigada, Alice!
A atitude das colegas mudou instantaneamente, e os agradecimentos começaram a surgir. Alice sorriu gentilmente.
— De nada. Se quiserem, peço de novo da próxima vez. Podem me chamar de Alice.
Beatriz chutou a cadeira e sentou-se. Tomou apenas um gole e jogou o copo no lixo com desprezo.
— Que horror! Isso é horrível!
As outras, percebendo o comportamento infantil e amargo dela, simplesmente a ignoraram e voltaram ao trabalho.
Logo, o expediente estava chegando ao fim. Com as tarefas concluídas, as conversas paralelas começaram.
— Ei, vocês souberam? O Sr. Arthur se casou há alguns dias!
Como o solteiro mais cobiçado do mundo business, a vida de Arthur era sempre o foco das atenções.
— Sim, sim! Eu ouvi dizer que o casamento foi magnífico. Gastaram milhões só na cerimônia. Que luxo!
— Nossa! Quem será a sortuda que conseguiu se tornar a esposa dele?
As funcionárias suspiravam, empolgadas.
— O Sr. Arthur é lindo demais. Não consigo nem imaginar como ele deve ter ficado de noivo!
— Verdade! Toda vez que o vejo, meu coração dispara!
Alice soltou um riso amargo internamente. Parece que ela tinha muitas "rivais". Ele era bonito, sim, mas era tão frio que chegava a ser congelante.
— Beatriz, a diretora sempre te levava para as reuniões de projeto. Você deve ser quem mais viu o Sr. Arthur de perto, não é?
Beatriz era a fã número um de Arthur e sempre dava um jeito de acompanhar a diretora nas apresentações.
— Com certeza. Da última vez, ele até me olhou várias vezes! — Beatriz ergueu o queixo, com ar de superioridade.
Alice não pôde evitar o pensamento:
Você tem certeza de que ele estava olhando para você e não te encarando com raiva?
— Mas agora que ele casou, não temos mais chance...
— Quem disse? Eu pesquisei — interrompeu Beatriz, aumentando o tom de voz. — O Sr. Arthur nem gosta daquela esposa. Foi a mãe dele quem escolheu, ele só casou porque foi obrigado.
A fofoca causou alvoroço. Beatriz continuou, sem qualquer pudor em relação à sua ética:
— Enquanto ele não gostar daquela mulher, eu ainda tenho chance. Ele é o meu maior objetivo aqui no Grupo Qin!
Alice a encarou fixamente. Independentemente da situação, ela era a Jovem Madame da família Qin e esposa legítima de Arthur perante a lei. Enquanto sua mãe não estivesse recuperada, ela não permitiria que ninguém ameaçasse sua posição.
— Ah, entendi. Então seu objetivo no Grupo Qin é ser "a outra"?
— O que você disse? — Beatriz quase caiu da cadeira de susto.
— Eu disse algo errado? Você sabe que ele está casado. Se ele é casado e você quer se meter, como se chama esse comportamento se não for o de uma amante? — Alice sustentou o olhar, falando pausadamente.
Beatriz soltou um bufo de desdém.
— Já sei o que é. Você está com inveja porque o Sr. Arthur me notou.
— Inveja? — Alice não sabia se ria ou se chorava. Sempre havia alguém capaz de superar seus limites de bom senso. — O que você tem que eu pudesse invejar? Você realmente acha que está à altura dos olhos de Arthur?
— Sua...!
Antes que a discussão explodisse, Mariana saiu de sua sala.
— Que barulheira é essa? Já deu o horário. Quem não quiser ir embora, pode ficar para fazer hora extra!
Percebendo que a diretora estava realmente irritada, todas arrumaram suas coisas e saíram rapidamente. Ao passar pela mesa de Alice, Beatriz sibilou:
— Alice, você me paga!
Alice apenas continuou guardando seus pertences, tratando-a como se fosse invisível.
Nos dias seguintes, Alice focou em seu trabalho, ajudando Mariana em tudo o que era necessário. Sua dedicação e perfeccionismo ganharam a confiança da diretora. Arthur, por sua vez, continuava em viagem, o que permitia que Alice relaxasse um pouco mais em casa.
Recentemente, o Grupo Qin expandiu seus negócios, e a carga de trabalho no design aumentou drasticamente. No final de uma tarde, Beatriz colocou uma pilha enorme de documentos na frente de Alice.
— Alice, a diretora pediu para te entregar isso. Você deve organizar e categorizar todos esses arquivos. Tem que ser impecável; se estiver bagunçado, ela vai ficar furiosa.
Beatriz falou com a maior naturalidade do mundo e saiu logo em seguida. Ela tinha um encontro com as amigas e não podia se atrasar. Alice olhou para os papéis e depois para a sala da diretora. As luzes estavam apagadas; Mariana já tinha ido embora.
"Bom, se foi uma tarefa dada pela diretora, vou fazer o meu melhor", pensou Alice.
A noite caiu e Alice era a única pessoa restante no andar. Ela massageou os ombros doloridos ao terminar de organizar o último documento. Já eram dez da noite. Ela desligou tudo e foi para casa.
Na mansão, Dona Helena e o Sr. Ricardo já dormiam. Apenas o Sr. Wu a esperava.
— Jovem Madame, que bom que chegou. O trabalho deve ter sido exaustivo. Vou pedir para a cozinha preparar algo.
— Não precisa, Sr. Wu. Não estou com fome. Já está tarde, vá descansar.
Ao abrir a porta do quarto, Alice deu de cara com Arthur deitado na cama, mexendo no celular. Ele usava um pijama preto e óculos de armação dourada. Com a pele clara e uma aura menos agressiva, ele exalava uma beleza relaxada e atraente.
Arthur franziu a testa ao vê-la chegar com aparência exausta, parecendo não entender por que ela voltara tão tarde. Alice não disse uma palavra. Tomou seu banho, encolheu-se no sofá e foi dormir.
Não havia necessidade de agradar ninguém. Ignorar-se mutuamente era a melhor solução.
Na manhã seguinte, quando Alice acordou, Arthur já tinha saído. Ela olhou para o celular: eram apenas sete horas. "Esse cara acorda cedo assim todo dia ou está fugindo de mim?", pensou ela, confusa. Ela era tão assustadora assim?