Capítulo 2: O Casamento é Obrigatório
Dona Helena, vestindo um elegante qipao vinho, permanecia no altar encarando Camila com frieza.
— Casamento? Pois eu digo que hoje, sem o meu consentimento, ninguém se casa nesta família!
Ao lado dela, o Sr. Ricardo, que estivera em silêncio até então, finalmente se pronunciou:
— Arthur, eu concordo com sua mãe. É absolutamente proibido que Camila entre para a família Qin.
A vontade do patriarca Ricardo selava o destino daquela união.
— Pois bem, Camila. Como você ainda tem a audácia de aparecer aqui? Você acha que a nossa família é fácil de enganar?
Ao ouvir isso, Camila estremeceu. Será que seus segredos haviam sido descobertos? Aquela velha era implacável por ter organizado outra pessoa para arruinar seu casamento; no entanto, o que importava se Arthur só amava a ela?
O amor de Arthur era o maior orgulho da vida de Camila. Ter o afeto do CEO do Grupo Qin era uma oportunidade que ela não pretendia desperdiçar. Ela segurou o braço de Arthur, mordendo o lábio inferior para forçar algumas lágrimas.
— Dona Helena, eu sei que a senhora não gosta de mim, mas Arthur e eu nos amamos de verdade...
— Chega! Guarde essa sua encenação! — Dona Helena mantinha uma postura altiva, como se olhasse para um palhaço ridículo. Ela desceu os degraus e fixou o olhar na barriga de Camila com desprezo. — O quê? Carregando o filho de outro homem no ventre e ainda planeja entrar para a nossa família?
Ao ouvir as palavras da mãe, Arthur soltou o braço de Camila bruscamente. Ele olhou para o ventre dela com um choque absoluto estampado nos olhos. Camila tremia como uma folha, cobrindo a barriga e recuando dois passos por instinto.
— Eu... eu não! Arthur!
— Não? Então o que é isso aqui? — Dona Helena tirou um exame laboratorial e o arremessou no rosto de Camila. — Está tudo escrito com clareza. Você ainda se atreve a negar?
Originalmente, ao saberem que Arthur gostava de Camila, o casal de idosos não estava totalmente satisfeito com a origem dela, mas não interferiram, esperando apenas que houvesse amor sincero. Arthur sempre fora frio e, em todos esses anos, apenas Camila parecia ter despertado seu interesse. No entanto, na véspera do casamento, Dona Helena notou algo errado.
Ontem, no hospital, ela vira Camila entrando na ala de obstetrícia com outro homem. Assim que eles saíram, Helena consultou os médicos e descobriu a gravidez. A fúria tomou conta dela; aquela mulher calculista queria se casar com seu filho para dar um herdeiro ilegítimo à família Qin? Era um delírio! Ela jamais permitiria tal coisa.
Na verdade, Dona Helena vinha observando as jovens da sociedade há anos, esperando encontrar a parceira ideal para Arthur. Ela já havia notado Alice e, sem hesitar, passou a manhã localizando a garota para trazê-la até ali.
O papel do exame caiu no chão. Arthur o pegou e, após um rápido olhar, seus dedos longos amassaram o papel em uma bola. Ele olhou para Camila sentindo uma náusea profunda. A raiva em seus olhos era como uma tempestade prestes a devorá-la. Ele sempre a tratara tão bem... Como ela teve coragem?
— Seguranças, joguem essa mulher lá fora! — ordenou Dona Helena. Homens robustos arrastaram Camila, que soluçava sem parar, para fora do salão.
O local entrou em polvorosa.
— Alice, venha aqui.
Alice observava a cena de longe, sem entender exatamente o que havia ocorrido devido à distância. Ela pressionou os lábios frios; as palmas das mãos que seguravam o vestido estavam suadas. Pensando na mãe hospitalizada, ela finalmente começou a caminhar, passo a passo, pelo tapete vermelho. Mesmo antes de se aproximar de Arthur, ela já conseguia sentir a aura gélida que emanava dele.
— Alice, segure a mão de Arthur. De agora em diante, vocês são companheiros para a vida toda.
Dona Helena uniu a mão de Arthur à de Alice. Os dedos dele estavam gelados; as pontas dos dedos dela, ardendo de calor.
O restante da cerimônia ocorreu conforme o protocolo, e a satisfação começou a surgir no rosto dos pais de Arthur. Os convidados, agindo como se nada tivesse acontecido em respeito à família Qin, ofereceram seus cumprimentos.
Terminada a cerimônia exaustiva, Alice entrou no carro nupcial e partiu para sua suposta nova casa. A mansão da família Qin ficava no coração da cidade, uma propriedade ampla e iluminada, cercada por vários jardins.
O quarto de núpcias ficava no segundo andar. Como Arthur ainda não havia retornado, Alice entrou no cômodo e retirou o pesado vestido de noiva, finalmente conseguindo respirar. Ela abriu o guarda-roupa para escolher um pijama, mas, por ser o quarto de casamento, todas as peças eram vermelhas e, possivelmente preparadas pela noiva anterior, um tanto reveladoras.
Alice escolheu o modelo mais simples, embora ainda tivesse um toque de sedução. No banheiro, ela lavou o cansaço do dia. Ao sair, colidiu diretamente com uma "parede" de músculos.
— Ai!
Alice levou a mão à testa, quase caindo. Arthur olhou para o pijama dela, e o desprezo em seus olhos aumentou.
— O quê? Já está tão ansiosa assim para subir na minha cama?
Percebendo o olhar gélido, Alice cobriu o peito por instinto.
— Des-desculpe, não foi minha intenção esbarrar em você.
Arthur soltou um riso sarcástico com seus lábios finos. Ele agarrou o pulso dela sem medir a força; Alice sentiu os ossos estalarem sob a pressão.
— Eu sei muito bem que você é igual a Camila. Só está interessada no meu dinheiro e status. É melhor não alimentar fantasias. Não importa o que faça, nunca olharei para você, porque você não merece!
Embora Alice sentisse pena por ele ter sido traído, ela não aceitaria ser maltratada. Ela soltou o pulso bruscamente e sustentou o olhar dele.
— Eu sei que você não gosta de mim, e eu também não gosto de você. Casamos apenas para obedecer à vontade dos mais velhos. Eu, Alice, posso ter muitas falhas, mas não me falta autoconhecimento. De agora em diante, pode me tratar como alguém invisível. Finja que não existo, pois eu jamais o incomodarei.
Arthur ficou momentaneamente surpreso, mas seu sarcasmo logo retornou.
— Espero que cumpra o que diz!
Ignorando-a, ele caminhou direto para o banheiro. Alice respirou fundo. Arthur era, de fato, tão implacável quanto diziam os boatos. Ela arregaçou as mangas, empurrou o sofá para longe da cama, cobriu-se com uma manta e deitou-se.
Ela estava exausta. Depois de dias correndo sem parar e sem descanso, saber que a família Qin estava cuidando de sua mãe no hospital finalmente permitiu que ela relaxasse. Alice fechou os olhos e o sono a levou rapidamente.
Quando Arthur saiu do banheiro, gotas de água ainda escorriam de seu cabelo, descendo pelo pescoço até o peito. Ele olhou para a figura no sofá e franziu a testa. Ao se aproximar, percebeu que ela realmente dormia profundamente. Os cabelos escuros caíam sobre o rosto, escondendo parte de suas feições. A pele da garota era clara e macia, com pequenas covinhas aparecendo nos cantos da boca enquanto dormia.
O desprezo nos olhos de Arthur suavizou um pouco. Pelo menos ela não tinha sido desavergonhada o suficiente para tentar dormir na cama com ele.