Capítulo 64: Cooptando a Criatura
Alice parou diante da porta 401. Na placa de bronze, estavam gravadas as palavras:
OCUPADO POR WANG DEFA
. Ela tentou girar a maçaneta, mas a porta não se moveu. Estava trancada.
Beatriz encarou a inscrição na placa com o cenho franzido: — O que significa "ocupado"? Outro jogador chegou antes de nós?
Lúcia assumiu uma postura solene e acrescentou, enfatizando as palavras: — Ou melhor, talvez algo já more aqui desde o princípio.
Mesmo sem dizer explicitamente, todos imaginaram que tipo de "coisa" seria, e empalideceram de medo, ficando estáticos onde estavam. Em contrapartida, o jovem de boné, abraçado ao boneco sem rosto, correu animado até a porta 409 e apontou: — Olha, esse quarto tem o meu nome!
409: AGUARDANDO ENTRADA DO JOVEM DE BONÉ!
Alice percorreu o corredor com o olhar e logo encontrou seu nome na placa da 413; assim como a do jovem, também dizia "aguardando entrada". Percebendo que provavelmente havia um para cada um, os demais começaram a procurar seus nomes. Lúcia estava no 407, Beatriz no 411 e Leonardo no 415.
Alice ironizou: — Pelo visto, todos temos aposentos garantidos.
— E as regras? Deve haver regras aqui também.
Assim que ela falou, linhas de sangue brilhantes surgiram na parede ao fundo do corredor:
【Regras da Área de Cabines do 4º Andar】
【1. Cada passageiro deve ocupar seu próprio quarto e descansar por pelo menos uma hora.】
【2. O interior do quarto é seguro, mas não durma na cama por mais de dez minutos.】
【3. Se precisar de serviço, toque a campainha ao lado da cama; o camareiro chegará em três minutos.】
【4. Da meia-noite à 1h da manhã, é proibido sair do quarto ou responder a batidas na porta.】
【5. Após o descanso, dirija-se à cabine de comando no 5º andar para concluir o jogo final.】
【Hora atual no navio: 18:00. Faltam 6 horas para a meia-noite.】
— Descansar por uma hora? — Leonardo arregalou os olhos, a voz apressada. — Não temos tempo para descansar agora!
Achar uma forma de sair sem precisar da passagem era o mais importante. Era hora de tirar um cochilo? Ele fingia calma, mas por dentro estava em pânico. Lúcia rebateu: — Não viu que a regra diz "deve"?
— E o que acontece se violarmos?
Antes que alguém pudesse responder, a porta 401 abriu-se fresta, como se respondesse à pergunta. Em seguida, uma mão pálida saiu da fresta e jogou um bilhete no chão. Alice adiantou-se, pegou o papel e o abriu, deparando-se com uma caligrafia garranchada:
"Ontem eu estava cansado, não descansei e quis ir direto para o 5º andar."
"Quando abri a porta, vi o corredor cheio de versões de 'mim'."
"Todos diziam que eram o verdadeiro e queriam me matar para me substituir."
"Agora, estou escondido debaixo da cama há doze horas inteiras."
"Socorro!"
Alice virou o bilhete e viu a assinatura: Wang Defa. Ao ler aquilo, ela entendeu qual era a punição por não descansar. Era um castigo aterrorizante, mas não necessariamente fatal se você soubesse lidar. Enquanto passava o bilhete para os outros, ela explicou:
— Se violarmos a regra, enfrentaremos uma crise de clones. O sujeito do bilhete está preso aqui há doze horas, o que indica que o fluxo do tempo no quarto andar pode ser diferente do exterior.
Lúcia olhou para o relógio de pulso: — Meu relógio marca que se passaram apenas cinco minutos desde que saímos do terceiro andar, mas o bilhete fala em doze horas...
— Talvez cada andar tenha uma velocidade temporal diferente. Passamos mais de uma hora no terceiro andar e lá fora talvez tenham passado apenas minutos. Já aqui, uma hora pode equivaler a minutos lá fora. Ou vice-versa.
— Que seja — Alice cortou o assunto, dirigindo-se à cabine 413. — De um jeito ou de outro, teremos que descansar.
Na lógica dela, descansar agora ou depois dava no mesmo. Melhor aproveitar que era obrigatório para tirar um cochilo e recuperar as energias!
— Mas o tempo é curto, e se nos atrasarmos por causa disso...
— Entre se atrasar ou enfrentar clones assassinos, escolha qual problema você prefere.
Dito isso, Alice ignorou os olhares tortos e tentou girar a maçaneta novamente. Desta vez, a porta abriu! O quarto não era grande, configurado como uma cabine padrão. Ao lado da cama de solteiro havia um criado-mudo e o banheiro inevitável. Na parede, uma pintura marinha com ondas que oscilavam levemente.
Por algum motivo, no momento em que a porta se fechou, a
Precognição
de Alice tornou-se frenética. Inúmeras imagens surgiram em sua mente como se tivessem perdido o controle. Ela massageou as têmporas, exausta: — Uau, os métodos de morte aqui são bem variados.
Alice viu, através da premonição, diversas formas de os jogadores morrerem. As cenas eram tão sangrentas que lhe deram náuseas. Madeirinha comentou tenso: — Mestra, a maldição aqui é muito densa, as imagens da premonição estão quase explodindo na minha cabeça.
Embora ver tantas cenas do futuro fosse um fardo, aquilo era exatamente o que ela queria. Significava que havia muitos bugs nas regras para explorar. Ao sentar-se na cama, a visão continuou. A
Precognição
mostrou-lhe entrando no quarto e verificando que o vão sob a cama estava vazio. Quando ia se deitar, um camareiro trazia um prato especial: uma mão humana. O hóspede da 414 batia à porta pedindo socorro e, ao entrar, seu pescoço se rasgava, revelando uma bocarra sangrenta para morder Alice.
A imagem sumiu. Alice deduziu que quem a morderia seria um clone. Ela gritou para o quarto: — Pare de se esconder, eu sei que você está debaixo da cama!
No segundo seguinte, ouviu-se um farfalhar vindo de baixo. Estava lá mesmo. Ela abriu um sorriso confiante e levantou o colchão de uma vez. Lá estava deitada uma múmia vestindo pijama de hospital; curiosamente, havia uma colher cravada em seu peito. Vendo que fora descoberta, a múmia parou de fingir.
— Boa noite. Quer jogar um jogo de palavras? Não jogo com ninguém há cinquenta anos.
"Ótimo, é uma múmia educada", pensou Alice. Percebendo que não havia hostilidade, ela bolou um plano. Já que não podia evitar os eventos, iria usá-los a seu favor!
— Não quero — recusou Alice prontamente, assumindo o controle da situação. — Mas você pode me fazer um favor: daqui a pouco alguém vai bater na porta pedindo socorro. Você morde ele para mim.
Morder?! A múmia hesitou: — Sério? Eu posso morder? Mas o capitão disse que não era permitido morder os passageiros...
"Além de educada, é cumpridora das normas. Que desperdício ser apenas uma múmia", pensou Alice. Cooptar as entidades do cenário era estranhamente gratificante. Ela explicou solenemente: — Ele é um clone, não conta como passageiro. Se você o despedaçar, a culpa é minha.
— Fechado!
Com a promessa de Alice, a múmia não hesitou mais. Saiu rapidamente debaixo da cama e escondeu-se atrás da porta. Vendo que estava tudo pronto, Alice tocou a campainha. No instante seguinte, o camareiro apareceu pontualmente.
— Senhorita, em que posso—