Capítulo 62: Dar uma Lição no Sistema do Cenário
— Ah, a propósito, uma vez que uma nova regra seja adotada, o proponente se tornará o executor dela, detendo parte da autoridade administrativa. Claro, também terá que assumir a responsabilidade: se a regra causar a morte em massa de jogadores, o executor também será punido.
Alice já estava farta das regras convencionais. Desta vez, ela estava decidida a dar uma lição no sistema do cenário, ensinando uma nova forma de jogar.
Eles se sentaram ao redor do pedestal e trocaram olhares. Vendo que ninguém tomava a iniciativa, Lúcia levantou-se para dar o exemplo:
— Eu sugiro que seja estabelecida uma regra na área da Galeria: é proibido o uso de violência. Qualquer tentativa de ataque físico ou mental contra outros será repelida pela própria Galeria, com a punição decidida pelo ambiente.
Alice assentiu, imitando o tom de avaliação da Madame Corvo: — Razoável. Embora não seja muito divertido, dá para passar.
Leonardo propôs: — No Teatro, cada pessoa deve interpretar um personagem que seja o oposto absoluto de si mesma. Por exemplo, alguém bondoso interpreta um vilão, um covarde interpreta um herói. E quem falhar na atuação perde temporariamente a percepção de si mesmo.
— Interessante — Alice concordou. — Aprovado.
Beatriz, hesitante como sempre, demorou a decidir: — Eu sugiro que, no Salão dos Espelhos, cada pessoa veja a ilusão do que mais deseja, em vez do que mais teme.
Leonardo franziu a testa: — Isso não é uma regra, parece mais um benefício para os jogadores.
Beatriz sorriu levemente: — Calma, eu não terminei. Se a pessoa se deixar levar pela ilusão por mais de dez minutos, ficará presa no espelho para sempre, passando o resto da vida lá dentro.
— Hum~ — Leonardo levantou o polegar em aprovação. — Que cruel.
— Estamos no mesmo nível — rebateu ela.
O jovem de boné, abraçado ao boneco, olhava para eles ocasionalmente: — Minha sugestão é que, em todo o terceiro andar, todas as obras de arte ganhem vida e interajam com os jogadores.
Ao ouvirem isso, os outros três sentiram um calafrio. Chamar de "obras de arte" era o termo gentil; na prática, eram as entidades do cenário. Deixar as entidades interagirem com os jogadores? O que ele tinha na cabeça? Se os monstros não os matassem já seria lucro, e ele queria uma "interação amigável"? Delírio!
Eles imaginaram cenas de monstros apertando mãos de jogadores e jantando em paz... a ideia lhes causou arrepios. O jovem, sem notar o estranhamento, continuou:
— Os personagens das pinturas podem falar, as esculturas podem se mover, a música toca sozinha. E a interação deve seguir a "lógica artística"; você não pode exigir que uma pintura abstrata se torne figurativa.
Eles entenderam o ponto. Basicamente, tudo o que era inanimado passaria a ter consciência. Beatriz pensou consigo mesma:
"Os próximos jogadores terão muita sorte... aproveitando a proximidade amigável dos monstros!"
Alice estava encantada. Ela bateu palmas animadamente: — Aprovado!
— E você? — Beatriz encarou Alice. Podia esquecer de qualquer um, menos dela.
— Eu? — Alice coçou o queixo, fingindo refletir.
Madeirinha riu: — Mestra, você tem que pensar em algo mais incrível que todos eles para impressionar geral.
— Que "ideia de girico" o quê, me respeite! É um método sério!
Alice lançou um olhar severo para o Madeirinha e corrigiu o vocabulário dele. Em seguida, declarou em voz alta:
— Eu proponho que, dentro do terceiro andar, todas as regras possam ser questionadas, modificadas ou até revogadas. A condição é que isso deve ser feito através de um debate formal de regras. Se as partes não chegarem a um acordo, todas as obras de arte presentes votarão para decidir o vencedor, e o perdedor deverá aceitar uma exigência razoável do vencedor.
Os outros quatro ficaram estupefatos. Eles entenderam o peso dessa regra: era o mesmo que transferir o poder para o próprio cenário.
— Tem certeza? — Lúcia perguntou com os olhos semicerrados e descrentes.
— Isso transformaria o terceiro andar em um campo de jogo em constante mudança. Não haveria regras eternas, apenas debates eternos.
Alice confirmou com um "hum" decidido. Um campo de jogo mutável era muito mais divertido que um estático.
As cinco novas regras foram estabelecidas. Instantaneamente, todo o terceiro andar começou a mudar diante de seus olhos. Os personagens nas pinturas viraram a cabeça, piscaram e começaram a sussurrar entre si. Esculturas que antes eram apenas decorativas desceram de seus pedestais e, para surpresa dos jogadores, começaram a passear pelo salão. O gramofone começou a tocar um jazz antigo. No Salão dos Espelhos, as sombras de medo foram substituídas pelos desejos mais profundos de cada um.
Leonardo se viu em um pódio de honra; Beatriz viu-se salvando todas as pessoas que morreram por sua causa; Lúcia viu a filha viva... No Teatro, as cortinas se abriram, revelando heróis, vilões, palhaços e reis esperando para serem interpretados. Para Alice, o terceiro andar havia ganhado vida!
O canhoto amarelo em sua mão transformou-se em um texto de regras em constante mutação. Alice disse suavemente, trazendo-os de volta à realidade: — Agora podemos usar este bilhete para ir ao quarto andar, mas antes, falta uma coisa.
Jogadores: ...
Ainda tem mais?
Seguindo o olhar de Alice para a escada, viram uma figura que nunca tinham visto antes: um homem de meia-idade vestindo um uniforme preto e luvas brancas, segurando uma pasta de documentos, com uma expressão severa. Para eles, parecia um garçom de restaurante de luxo do mundo real.
O homem aproximou-se e disse com voz grave: — Sou o Inspetor do Cenário, codinome "O Tabelião". Detectamos uma alteração anômala nas regras do terceiro andar e vim verificar.
Ele abriu a pasta e leu de forma mecânica:
— Infração 1: Morte não natural da administradora "Madame Corvo". Infração 2: Sombras do Salão dos Espelhos fora de controle. Infração 3: Jogadores criando regras próprias para adulterar a estrutura do cenário.
— Com base no Artigo 7, Parágrafo 3 dos Regulamentos de Gestão de Cenários, declaro o fechamento temporário da cabine do terceiro andar. Todos os jogadores serão transferidos à força para o quarto andar e as cinco novas regras serão anuladas!
Assim que ele falou, o texto no canhoto de Alice parou de mudar, as pinturas pararam de sussurrar, as esculturas voltaram aos pedestais e a música cessou. Tudo voltou ao normal por causa de algumas palavras.
Lúcia levantou a mão: — Eu tenho uma objeção.
O Tabelião olhou para ela sem emoção: — Objeção inválida.
Lúcia comprimiu os lábios; nem tinha dito qual era a objeção e ele já recusara.
Alice interveio: — Mas eu me lembro de que há outra cláusula nos Regulamentos. O Artigo 9, Parágrafo 1 diz: "Se os jogadores provarem que a alteração das regras contribui para aumentar o entretenimento ou o desafio do cenário, o Inspetor poderá mantê-las a seu critério".