Capítulo 53: Armadilha do Mestre
Leonardo fixou o olhar no coração, agarrou-o e o enfiou na boca. O resultado foi o mesmo de antes: o órgão desapareceu no instante em que tocou seus lábios.
"Isso conta como seguro, certo?", pensou ele, com o coração ainda disparado de medo.
Somente quando ouviu o Chef pronunciar a palavra que mais desejava — "Seguro" — é que Leonardo pôde finalmente relaxar.
Chegou a vez do jovem de boné. Restavam apenas os cloches 2 e 4. Embora seu braço ainda sangrasse, ele caminhou até a mesa com indiferença, hesitando entre as duas opções. Para ele, havia 50% de chance de revelar o ingrediente de morte instantânea.
O jovem virou-se para Alice: — Qual você acha que é o mais seguro?
Ele estava testando-a. Baseado na experiência da rodada anterior, ele estava convencido de que Alice sabia de algo antecipadamente.
Alice deu de ombros com desdém: — Não sei. Mas se você escolher errado e morrer, será ótimo para mim. Afinal, é um concorrente a menos.
Não! Para ser exato, seria bom para todos os jogadores. O problema era que as intenções do jovem eram simples demais; ele nem sabia esconder seus segredos, e Alice lia cada um de seus pensamentos. Mesmo que soubesse, e daí? Ele achava que podia deduzir o caminho seguro através da reação dela? Tolice.
O jovem soltou uma risadinha: — Você é bem honesta, hein.
Sem conseguir a reação que queria, ele teve que confiar em si mesmo e escolheu o número 4 por instinto. Com 50% de probabilidade, o deus do azar cairia sobre ele? Ninguém tinha certeza; todos prenderam a respiração enquanto o Chef levantava a tampa.
Era um prato de globos oculares! Idênticos ao que caíra do boné do jovem. Era o retorno do carma. Sem hesitar, o rapaz pegou um olho, colocou na boca e mastigou, produzindo um som de "squelch". Quando ele terminou de engolir, todos esperavam que algo acontecesse.
Mas, para a surpresa geral, nada ocorreu. O ambiente permaneceu calmo.
— Seguro — sentenciou o Chef.
Uma onda de decepção cobriu o rosto dos outros jogadores; o resultado final agora era óbvio. Pelas regras, se todos os pratos seguros fossem escolhidos antes, o que sobrasse para Alice seria obrigatoriamente o fatal. No cenário atual, os quatro anteriores escolheram 1, 3, 4 e 5, e todos estavam seguros. Então, o número 2...
O Chef anunciou com tom monótono: — Sua vez. Cloche número 2.
Todos os olhares convergiram para Alice. Aos olhos deles, o número 2 era a morte instantânea e, sendo o único prato restante, ela não tinha escolha: seu fim estava selado. Se Alice não tivesse passado a vez no início e escolhido primeiro, provavelmente teria pego um prato seguro. Agora, parecia que ela havia entregado sua segurança de bandeja para os outros.
Beatriz sussurrou: — Você apostou alto.
— Eu estou sempre apostando.
Alice caminhou sem hesitar até o cloche número 2. Pousou a mão suavemente sobre a tampa, mas não a abriu. Em vez disso, questionou o Chef: — Posso fazer mais uma pergunta?
O Chef pensou:
Como essa pessoa pergunta tanto? Não pode simplesmente seguir as regras?
Mesmo irritado, ele não podia privar ninguém do direito de perguntar.
— Pode.
— Se eu desistir da prorrogação agora, o que acontece?
— Você se torna meu "aprendiz". Perde o status de jogador, mas não morre — explicou o Chef. — Você ficaria aqui, ajudando-me a preparar os banquetes futuros.
Ele veria todos os tipos de jogadores interessantes, assim como agora. Os crimes deste grupo eram diferentes de todos os anteriores, o que aguçava seu interesse. Ele realmente desejava que alguém ficasse, mesmo que fosse na forma de um morto-vivo.
— E se eu abrir a tampa e for o ingrediente fatal? Eu morro, mas como os outros dividem o Cartão de Isenção?
— Os quatro decidem entre si quem fica com ele.
Alice assentiu com um sorriso leve. Ela retirou do peito o canhoto vermelho que obtivera no cassino e o colocou sobre o cloche número 2. Sem mudar a expressão, declarou: — Vou usar o canhoto vermelho para trocar por uma "Dica". Por favor, diga-me se o conteúdo deste cloche é seguro.
Chef: ???
Jogadores: ???
"Pode fazer isso?", pensaram todos. Ninguém entendia o sentido daquela manobra. Já havia sido dito que só havia quatro pratos seguros; usar um canhoto valioso para confirmar uma morte certa parecia um desperdício total.
— As regras não prevêem essa troca...
— Mas as regras também não a proíbem — Alice continuou com sua lógica, implacável. — O canhoto é uma recompensa do jogo. Tenho o direito de decidir como usá-lo. Trocar por uma dica é perfeitamente razoável.
No mesmo instante, o bracelete no pulso de Alice deu um estalo e disparou um choque. Ela conteve a reação para não ser descoberta, suportando a dormência no braço enquanto mantinha a pose. Ela adorava caçar bugs e não se sentia bem se não o fizesse. Um choquinho de nada não a deteria.
Em seguida, os retratos na parede sussurraram entre si. O Chef respondeu, contrariado: — Troca aceita. O ingrediente sob o cloche número 2 é... "seguro".
Alice sorriu satisfeita e abriu a tampa. Por baixo, havia um prato de espaguete fumegante com molho à bolonhesa. Parecia delicioso.
— Seguro.
Essa foi a palavra "seguro" que o Chef menos gostou de dizer em toda a sua existência. Todos os jogadores suspiraram de alívio, mas ao mesmo tempo sentiram um calafrio. Se Alice podia quebrar um beco sem saída de forma tão bizarra, ela também poderia eliminar qualquer um deles sem que percebessem. Pensando nisso, o brutamontes cogitou se deveria procurar uma oportunidade para remover aquela ameaça perigosa.
O Chef conteve sua raiva: — Todos os cinco estão seguros. Não houve ingrediente fatal. A prorrogação... terminou em empate.
Beatriz percebeu algo subitamente. Se o último prato era seguro, onde estava o ingrediente de morte instantânea mencionado?
— Você disse que havia um prato fatal, mas estamos todos vivos. Onde ele está?
O Chef apontou para o centro da mesa longa. No lugar que antes estava vazio, um sexto cloche subiu lentamente. Diante do questionamento de Beatriz, o Chef respondeu calmamente: — O ingrediente fatal está aqui, mas nenhum de vocês o escolheu. Portanto, o resultado da prorrogação é... ninguém morreu, ninguém venceu. O Cartão de Isenção fica com a casa.
Todos ficaram estupefatos. Desde o início da prorrogação, eles haviam caído em uma armadilha. Um jogo feito para que o Chef não perdesse o cartão e eles apenas perdessem tempo.
Alice relembrou as regras citadas. O Chef jogara com as palavras: ele disse "cinco cloches, um deles é fatal", mas nunca disse "há apenas cinco cloches no total". Na verdade, eram seis, e o sexto estava escondido sob a mesa. Eles focaram tanto na superfície da regra que ignoraram a informação crucial.
— Você nos enganou.
— Eu não enganei ninguém. Disse a verdade, apenas não a disse inteira. As regras dos cenários são sempre assim; elas revelam apenas parte da verdade.
O restante cabia aos jogadores descobrir e compreender. De repente, um aplauso sonoro ecoou no ambiente. Alice riu, batendo palmas sem parar: — Brilhante. Simplesmente brilhante. Então nós cinco trabalhamos de graça e não ganhamos nada?