Capítulo 52: Prorrogação (2)
— A participação é voluntária, mas uma vez iniciada, deve ser concluída. Quem desistir no meio do caminho se tornará meu "aprendiz" — o Chef bateu palmas. Dois assistentes de uniforme branco e máscaras saíram da cozinha; seus movimentos eram extremamente rígidos e, em seus pulsos expostos, era possível ver claramente cicatrizes de sutura proeminentes.
Obviamente, os assistentes eram jogadores que falharam anteriormente e foram transformados.
Alice continuou perguntando: — Qual é a recompensa?
— Um "Cartão de Isenção". Ele pode ser usado uma vez em qualquer cabine de jogo para anular uma única punição. É de uso exclusivo do portador e não pode ser transferido.
Ao ouvir isso, o interesse de todos despertou instantaneamente. O tal Cartão de Isenção era praticamente um artefato divino em um cenário de cinco estrelas. Possuí-lo significava ter capital para agir com certa imprudência pelo menos uma vez.
Alice foi a primeira a se voluntariar: — Eu participo.
Tudo o que envolvesse itens especiais, ela fazia questão de conquistar um por um.
Beatriz hesitou por um momento. Já havia perdido o canhoto azul e não podia se dar ao luxo de perder o cartão. Ela disse com firmeza: — Eu também participo. — Não podia sair dali de mãos abanando.
O jovem de boné, cujos braços ainda sangravam, parecia não sentir dor alguma e soltou uma gargalhada: — Me incluam nessa!
Leonardo limpou o sangue do rosto e disse com a voz fraca: — Como algo tão bom poderia acontecer sem mim? — Se os outros iam participar, ele também iria. Não queria ficar para trás.
O brutamontes rangeu os dentes: — Eu também participo. — Seu pensamento era igual ao de Beatriz: as feridas não podiam ser em vão; ele precisava sair do restaurante com algo.
Com todos participando, o Chef mostrou-se satisfeito e virou-se para a mesa longa. Cinco cloches de prata surgiram subitamente, e parecia haver algo se contorcendo sob cada um deles. O cenário era familiar; Alice reconheceu imediatamente que era idêntico ao jogo de abertura do restaurante. Ela chegou a suspeitar se o conteúdo da prorrogação seria exatamente o mesmo.
— Velhas regras, girando a roleta. Sob cada prato há um ingrediente. Vocês escolherão os pratos para abrir por turnos. Quatro pratos são seguros; um contém um "ingrediente de morte instantânea". Quem escolher o prato fatal morre; os outros vencem e dividem o Cartão de Isenção.
"Um morre e os outros dividem? Que lógica torta é essa?!", pensou Alice. Ela questionou o Chef sobre o que não entendiam: — Se cinco participam, um morre e quatro vencem, como vamos dividir um único Cartão de Isenção?
Uma ideia absurda passou pela cabeça dela: rasgar o cartão em quatro pedaços? Um pedaço para cada? Nesse caso, o efeito de isenção ainda seria válido? As regras do jogo estavam cada vez mais difíceis de entender e bizarras.
O Chef exibiu um sorriso astuto: — Os quatro vencedores precisarão decidir entre si quem realmente ficará com o cartão. O método fica a critério de vocês: votação, duelo ou qualquer outra forma que não viole as regras.
Os cinco se entreolharam; era sempre a mesma coisa. Antes da roleta anterior começar, disseram que três pessoas ganhariam o canhoto. Após lutarem até o fim, foram informados de que a competição não havia terminado. Mudar as regras no meio do caminho já era ruim, mas achavam que a prorrogação seria mais honesta... doce ilusão.
O silêncio entre os jogadores transbordava indignação. Isso significava que, mesmo sobrevivendo à roleta, haveria outra competição interna.
— A ordem de escolha será determinada pelos pontos de vida. Quem tiver a maior pontuação escolhe primeiro.
Assim que o Chef terminou de falar, os números no peito dos cinco brilharam, revelando os pontos atuais:
Alice:
9
Beatriz:
8
Brutamontes:
7
Leonardo:
6
Jovem de Boné:
5
Sem surpresas, Alice estava em primeiro lugar. Na mesa, cinco cloches numerados de 1 a 5 estavam alinhados. Alice concentrou-se e a
Precognição
surgiu como esperado. No entanto, algo deu errado. Na visão, os cinco pratos estavam envoltos em uma névoa densa e impenetrável; era impossível ver o que havia dentro.
A interferência era forte demais. Alice pensou que isso não era a primeira vez. Desde que entrara neste cenário, as interferências tornaram-se mais frequentes. Ela não sabia onde estava o problema, muito menos como resolvê-lo. Sem saída, recorreu ao Madeirinha.
— Madeirinha, chegou a hora de você mostrar serviço.
— Mestra... — o boneco sussurrou em seu ouvido. — Esses pratos estão cobertos por alguma coisa. Eu não consigo ver através deles.
Nem o Madeirinha conseguia ver? Que estranho! Alice refletiu e achou melhor deixar os outros escolherem primeiro para observar. Ela olhou para o Chef e perguntou educadamente: — Posso fazer uma pergunta?
— Pois não.
— Se eu não quiser escolher agora e deixar o próximo ir primeiro, eu posso?
Chef: — As regras não proíbem, mas se você passar a vez, quando chegar a sua vez novamente, você pode não ter mais o direito de escolha.
O significado era claro: se os que fossem antes pegassem todos os pratos seguros, o que sobraria para ela seria obrigatoriamente o fatal. Nesse caso, não haveria escapatória. Alice, porém, não entrou em pânico. Sorteios aleatórios dependiam de sorte; mesmo que sobrasse o prato da morte, ela não temia. O
Corpo Imortal
era a fonte de sua confiança audaciosa.
Alice assentiu, fingindo cautela: — Entendido. Eu passo a vez. Beatriz, você escolhe primeiro.
Beatriz ficou surpresa por um momento, mas logo entendeu a intenção de Alice. Ela estava observando, coletando informações. "Mas como a Lara desistiu do primeiro lugar e me deixou ser a pioneira, eu aceito de bom grado. Afinal, quanto mais tarde se escolhe, mais passiva se torna a situação", pensou Beatriz.
Beatriz caminhou até a mesa e examinou os cinco cloches. Era visível que as tampas oscilavam e ouvia-se um leve som de "farfalhar" lá dentro. Ela observou por mais de um minuto e apontou para o número 3: — Escolho este.
Após receber a permissão, Beatriz levantou a tampa do número 3 com as mãos trêmulas, pronta para correr a qualquer sinal de perigo. Ao abrir, um polvo vivo surgiu; seus tentáculos estavam cobertos de ventosas, e dentro de cada ventosa era possível ver dentes miúdos e afiados. No mesmo instante, o polvo saltou em direção ao rosto de Beatriz.
Entretanto, ela estava preparada. Sua adaga saiu da bainha e, com um movimento rápido, ela cravou o polvo na mesa.
Hunf, tentou me emboscar? Nem pensar.
O polvo lutou por alguns instantes preso pela faca e logo parou de se mover, morto.
O Chef sentenciou: — Seguro.
Beatriz soltou um suspiro de alívio por ter escolhido um prato seguro.
— Próximo.
O brutamontes, suportando a dor da punição anterior, passou os olhos rapidamente pelos pratos e escolheu o número 1 sem hesitar. Ao levantar a tampa, encontrou um prato de morangos frescos, vermelhos e exalando um aroma doce.
— Seguro — disse o Chef secamente.
Chegou a vez de Leonardo. Seguindo uma decisão tomada previamente, ele escolheu seu número da sorte: o 5. No prato número 5, havia um coração que ainda pulsava, muito parecido com o que Alice vira antes, mas em uma escala bem maior.