Capítulo 46: Vencendo sobre Cadáveres!!!
Alice parou o movimento, franziu a testa e recuou alguns passos, fingindo choque: — Nossa, como você pôde mentir assim?
Interiormente, ela soltou um bufo de desprezo.
O julgamento desses bugs depende totalmente da boca do jogador; que sistema... lixo.
O Chef perguntou solenemente: — Jogadora Wu Fenglin, você confirma que a acusação de "Mentira" é verídica?
Os outros jogadores começaram a cochichar; a reviravolta fora rápida demais. Ela poderia ter escapado da primeira rodada, mas agora, após a interferência daquela "intrusa", não havia mais saída.
A adolescente com o urso de pelúcia desabou, chorando copiosamente: — Eu confesso! Eu admito que menti. Eu minto todos os dias: para minha família, para meu médico e para mim mesma!
O Chef assentiu e deu a ordem friamente: — Crime estabelecido. Recusa errada de crime verídico; a punição será dobrada.
Os outros observavam a cena com dificuldade. Alguns cobriam os olhos, deixando apenas uma frestinha entre os dedos — queriam ver a confusão, mas temiam o sangue. Outros se viraram de costas, pedindo aos vizinhos que os avisassem quando acabasse.
Alice permaneceu imóvel, com um sorriso quase imperceptível no rosto. Ao notar o semblante de Alice, Beatriz sentiu um calafrio subir pela espinha.
Como ela consegue sorrir sendo a culpada indireta pela desgraça daquela garota?
, pensou. Beatriz começou a desconfiar seriamente de Alice; desfazer a aliança parecia uma ideia cada vez melhor. Quem prejudica um estranho pode muito bem trair um aliado.
A punição começou. A boca da adolescente abriu-se involuntariamente.
— Ah... a-ajuda...
A língua vermelha deslizou para fora da boca e começou a se dividir: de uma para duas, de duas para quatro, até se transformar em inúmeras gavinhas de carne que se contorciam.
Eca!
A cena causou náuseas coletivas. Vários correram para os cantos do salão para vomitar. Aquelas gavinhas pareciam vermes rastejantes, um pesadelo para quem tinha tripofobia. As gavinhas cresciam freneticamente, preenchendo a boca, saindo pelas narinas, ouvidos e até pelos globos oculares da jovem. Ela olhava para cima com a boca escancarada, soltando gritos mudos de puro desespero enquanto seu corpo sofria espasmos violentos.
Leonardo fechou os olhos e virou-se; era perturbador demais. Segundos depois, a garota ficou estática na cadeira. Apenas as gavinhas continuavam a se mover, como se estivessem mastigando algo.
— Punição por recusa errada: Proliferação de Mentiras — disse o Chef calmamente. — Ela nunca mais poderá dizer a verdade; seus órgãos fonadores tornaram-se a própria mentira encarnada.
Alice voltou ao seu assento com total serenidade, como se nada daquilo a tivesse afetado.
— Pronto. Agora que meu crime de "Assassinato" foi concretizado através da tentativa, pelas normas, preciso apenas aceitar uma punição parcial.
Alice pegou a faca de mesa e, com determinação, fez um pequeno corte na palma da mão esquerda, deixando brotar uma gota de sangue. O Chef a encarou e sentenciou: — Tentativa de assassinato. Punição leve. Primeiro julgamento concluído.
Alice devolveu a faca manchada ao prato.
Este jogo está meio chato
, pensou. Não chegava aos pés da adrenalina da roleta.
Beatriz observava tudo e sussurrou para Leonardo: — Ela calculou cada passo. Provocou a Wu Fenglin de propósito para forçar a confissão e usou a "tentativa" para escapar da punição severa.
Pobre Wu Fenglin! Poderia ter saído ilesa, mas... Leonardo suspirou; o jogo era assim. Muitos vencem pisando sobre cadáveres!!! Se os outros não morrem, quem morre é você. Ele não via erro na atitude de Alice; afinal, era um concorrente a menos.
Beatriz avançou ansiosa, o coração apertado. Ao abrir seu cloche, o bilhete dizia:
【Crime: Traição】
. No prato, havia um anel preto com um coração partido na superfície. Beatriz desviou o olhar e fingiu calma: — Não é verídico.
— Tem certeza?
— Tenho.
O Chef pausou por três segundos: — Analisando... Análise concluída. Crime falso. Prossiga.
Ao ouvir isso, Beatriz relaxou, mas Alice notou que as mãos dela sobre a mesa ainda tremiam.
Ora, ora! Mais alguém mentiu.
Leonardo deu um passo à frente.
【Crime: Agressão Física】
. No prato, havia uma falange humana. Ele sorriu abertamente e disse: — É verídico.
Dito isso, ele pegou o osso e começou a mastigar com um som de
croc-croc
. Era difícil de engolir. Assim que terminou, as juntas de sua mão direita viraram-se ao contrário, perfurando a pele.
— Argh... — Ele soltou um gemido abafado, mas, sem mudar a expressão, usou a mão esquerda para colocar os ossos de volta no lugar à força.
— Mandou bem, cara. Quanta calma — comentou outro jogador, impressionado.
Leonardo respondeu: — Sabe como é, o orgulho fala mais alto que a dor. — Em outras palavras, ele estava sofrendo, mas não queria passar vergonha na frente de todos.
Alice focou sua atenção no jovem de boné; restava apenas ele. O rapaz abriu o cloche, amassou o bilhete com desdém e resmungou: — Que tédio!
Diferente das comidas bizarras dos outros, a dele era perfeitamente normal: uma fatia de bolo de morango.
— Que tipo de crime te faz comer bolo? — sussurrou alguém atrás.
O jovem devorou o doce com uma risada sinistra: — Delicioso!
Delicioso?
Os outros arregalaram os olhos. As comidas deles tinham cheiro de podridão ou gosto de ferrugem, nada era normal. Ele estava falando sério?
O Chef perguntou: — Crime verídico. E a punição?
O jovem inclinou a cabeça: — Que punição? Isso aqui é sobremesa.
O rosto do Chef teve um tique: — Crime de "Maus-tratos e Morte de Animais". Você...
— Ah, isso? — O jovem lambeu os dedos, indiferente. — Aqueles bichinhos eram tão fofos, que mal tem em matá-los? Além disso, eu sempre cuidava bem dos corpos, transformando-os em espécimes ou comendo-os.
Ele falava com uma inocência que gelava a alma.
— Isenção de punição concedida. Prossiga — disse o Chef.
Alice observava cada movimento dele. Aquele rapaz era diferente do que ela imaginava; ele era totalmente desequilibrado!