Capítulo 45: Julgamento Gastronômico (2)
A imagem mudou: um jogador abriu um cloche de prata e encontrou um bilhete listando seus crimes. Seu rosto empalideceu e ele se recusou a comer. O Chef aproximou-se e, sem usar de violência, apenas despejou a comida no chão.
Subitamente, o jogador começou a vomitar. O que saía de sua boca... eram suas próprias vísceras.
A transição de imagens continuou e, desta vez, a protagonista não era outra senão Alice. Ela abriu um cloche e o bilhete estava em branco. Ela comeu o conteúdo — um bife comum. Nada aconteceu.
Em um instante, a visão foi interrompida. Alice não entendia; no cassino, a
Precognição
também parara na terceira rodada, e agora a terceira imagem fora cortada. Ambos os casos apresentaram problemas no terceiro quadro, o que a fez suspeitar que seu dom era interferido especificamente nessa etapa.
— As regras do Julgamento Gastronômico do canhoto azul são as seguintes — o Chef bateu suas mãos gordas. Os retratos na parede começaram a se mover e as figuras nas pinturas abriram as bocas, emitindo uma voz uníssona:
【Regra 1: Cada pessoa deve escolher três cloches e abri-los em ordem.】
【Regra 2: Sob cada cloche há um bilhete com um "crime". Aqueles cujos crimes forem verídicos devem comer o conteúdo do prato; aqueles cujos crimes forem falsos podem recusar.】
【Regra 3: Comer a comida correspondente ao "crime" resultará em uma punição equivalente. Recusar um crime verídico dobrará a punição.】
【Regra 4: Recusa errada (negar um crime verídico) ou aceitação errada (aceitar um crime falso) transformará o jogador em ingrediente para o dia seguinte.】
【Regra 5: Aqueles que completarem corretamente os três julgamentos receberão o canhoto azul. Limite de apenas três vencedores.】
— Três pessoas... — Beatriz repetiu em voz baixa. — De novo apenas três.
No cassino foram três, e agora também. Leonardo gelou o olhar: — Então, nesta rodada, alguém de nós pode acabar morrendo.
Beatriz negou a ideia imediatamente: — Nós não. Eles.
O homem entendeu a mensagem e assentiu. Sim, seriam os outros!
Alice permaneceu em silêncio, encarando fixamente os cloches de prata sobre a mesa longa. Ela percebeu que as tampas oscilavam levemente; parecia que o que estava dentro se movia! Cada lugar na mesa tinha três cloches numerados como 1, 2 e 3.
— Abram conforme a numeração — ordenou o Chef. — O tempo começa agora. Limite de vinte minutos.
O homem musculoso com cicatrizes foi o primeiro. Ele levantou bruscamente o cloche número 1. Por baixo, havia um bilhete amarelado com uma caligrafia elegante:
【Crime: Roubo】
No prato, jazia um relógio de bolso dourado. Ao abrir a tampa, o mostrador estava em branco, sem ponteiros.
— Que tipo de comida é essa?! — o brutamontes questionou confuso.
O Chef respondeu calmamente: — Julgue se o crime é verídico. Se for, coma.
O rosto do homem mudou. Ele não tinha escolha senão comer! Segundos depois, ele pegou o relógio e o forçou goela abaixo. Algo estranho aconteceu: no instante em que o metal tocou seus lábios, transformou-se em pó e dissipou-se, sem deixar sequer um resquício em sua boca. O homem ficou lívido, segurando o abdômen enquanto o suor frio brotava em sua testa. Felizmente, nada mais aconteceu. Ele conteve o grito e tentou se acalmar.
A segunda foi a garota de óculos. Ela abriu o cloche número 2:
【Crime: Omissão de Socorro】
. No prato havia uma pílula vermelha. Ela ajeitou os óculos e reagiu com calma: — É verídico.
Dito isso, engoliu a pílula. O que foi feito, foi feito; não havia por que se envergonhar de admitir. Vergonhoso era não assumir os próprios atos! No instante seguinte, seus olhos ficaram injetados de sangue. Todos acharam que ela morreria, mas momentos depois, seus olhos voltaram ao normal. Ela estava ilesa, como esperado.
A terceira foi a adolescente com o urso de pelúcia. O crime revelado foi:
【Mentira】
. No prato havia um pedaço de língua ainda viva, com a ponta tremendo levemente. A garota encarou a língua em silêncio por um tempo e balançou a cabeça: — Não é verídico.
Os olhos de "gema de ovo" do Chef brilharam: — Tem certeza?
— Tenho.
— Analisando crime de "Mentira"... — O Chef pausou por três segundos. — Análise concluída. Crime falso. Prossiga.
A jovem suspirou aliviada.
Chegou a vez de Alice. Ela levantou o cloche. O bilhete continha apenas uma palavra:
【Assassinato】
. No prato havia uma faca de mesa de prata cuidadosamente polida, com entalhes complexos na lâmina. Os olhares de todos os jogadores recaíram sobre ela. A comida era uma faca... será que essa garota já matara alguém?
Cacete, se for verdade, ela é perigosa.
Alice pegou a faca calmamente, brincando com ela entre os dedos: — É verídico. Mas... — Ela olhou para o Chef. — Como se come isso? Engolir isso mataria qualquer um.
Mesmo tendo o
Corpo Imortal
, ela não queria exibi-lo diante de tantos estranhos.
— Decida você mesma a forma de consumo — disse o Chef friamente.
Alice pensou um pouco e teve uma ideia absurda. Ela apontou a faca para a palma de sua mão esquerda, mas parou antes de tocar a pele.
— Espera aí. A regra diz: "comer a comida correspondente resultará em uma punição equivalente". Se eu comer esta faca que representa o "assassinato", eu sofrerei a punição por assassinato, certo?
— Correto.
— E se... — Alice abriu um sorriso enigmático. — Eu usar esta faca para assassinar outra pessoa? A punição cairia sobre mim ou sobre o ato do "assassinato" em si?
O quê?! Todos a encararam chocados. Não podiam acreditar que tais palavras vinham de uma garota de aparência tão inofensiva. Aquilo reforçou a ideia de que "não se deve julgar o livro pela capa". O Chef ficou em silêncio por alguns segundos. Estaria ela falando bobagem?
— O que você quer dizer com isso?
Alice continuou, interessada: — Quero dizer que, se eu usar esta faca para matar alguém, o crime de "assassinato" terá sido concretizado através de uma ação prática. Já que o crime foi realizado, eu ainda precisaria "comê-la" para aceitar a punição?
Não apenas os jogadores começaram a sussurrar, mas até os retratos na parede entraram em polvorosa. O Chef respondeu: — As regras não preveem essa interpretação.
— Mas as regras também não a proíbem — rebateu Alice. — Por isso, vou realizar um experimento.
Ela virou-se para a adolescente com o urso. A garota levantou a cabeça e seus olhos se cruzaram. Alice ergueu a faca e sorriu: — Amiga, me empresta um segundinho. Fique calma, a Regra 4 proíbe dano físico entre jogadores, eu não vou te esfaquear de verdade, vou apenas encenar.
Ela se levantou e caminhou até a garota. No momento em que a ponta da faca estava prestes a encostar nela, a jovem soltou um grito desesperado:
— Eu confesso! Eu confesso! O crime de "mentira" era verídico! Eu menti agora há pouco!