Capítulo 43: O Vencedor Interno foi Derrotado tão Facilmente?!
— Apostem~
Enquanto a
croupier
girava a roleta, o jovem, após hesitar por um momento, colocou três fichas no número "7". Sua experiência e intuição lhe diziam que a probabilidade do "7" era altíssima.
"Fingido! Vamos ver até quando você consegue manter essa máscara", pensou Alice. Sem hesitar, ela apostou a mesma quantidade de fichas no mesmo número que o jovem.
— Lara, você não está nervosa? — Beatriz perguntou, arregalando os olhos de incredulidade. Em uma situação tão tensa, onde a vida estava em jogo, Alice parecia calma demais, como se fosse apenas uma mera espectadora.
— Nervosa por quê? O nervosismo não altera o resultado. A vida e a morte estão nas mãos do destino — respondeu Alice com naturalidade, exalando uma aura de relaxamento totalmente incompatível com o momento.
A roleta girou lentamente e o ponteiro parou no "7".
— Parabéns ao número 7! — A mulher de rosto costurado bateu palmas. — Retorno de fichas em dobro.
A primeira rodada terminou e os 3 pontos de vida de Alice tornaram-se 6 fichas. Beatriz e Leonardo também haviam apostado no "7". No outro casal, o rapaz e a moça divergiram; ela errou o número e teve 2 pontos de vida deduzidos. Alice sorriu; tudo corria conforme sua
Precognição
.
Na segunda rodada, o jovem apostou cinco fichas no "3", alegando novamente "experiência e intuição", e acertou de novo, ganhando o direito de isenção. Agora, ele tinha seus 10 pontos iniciais, mais 3 da primeira rodada, 5 da segunda e uma imunidade. No total, possuía 18 fichas e uma isenção.
Ao fim de duas rodadas, a moça do casal errou novamente e seus pontos chegaram a zero. Ela permaneceu sentada na cadeira com os olhos arregalados, mas seu peito parou de subir e descer. Estava viva, mas seu coração parara de bater.
A
croupier
lambeu os lábios, fingindo tristeza: — Que pena~ Mas eles ainda podem ser nossos espectadores.
Antes da terceira rodada, ela anunciou uma regra especial: — Na última rodada, é obrigatório apostar todos os pontos de vida restantes.
Restavam apenas cinco pessoas na mesa: Alice, o jovem solitário, o rapaz do casal, Leonardo e Beatriz.
— O quê?! — Leonardo levantou-se bruscamente. — Tudo?!
— Isso é... cruel demais — Beatriz disse entre dentes. O sistema não respeitava a vontade dos jogadores, tratava-os como marionetes.
— Sim, exatamente~ — A mulher sorriu. — O vencedor ganha uma recompensa generosa; o perdedor... morre~
Leonardo tentou manter a calma e voltou a sentar-se, olhando para a jogadora que se tornara um morto-vivo. O jovem de óculos suava frio; com 18 fichas, apostar tudo era um risco enorme. Enquanto ele hesitava, Alice falou:
— Ei, colega, eu sugiro que você aposte no 11 nesta rodada.
— Por... por quê?
— Intuição.
Novamente a palavra intuição. O rapaz do casal franziu a testa, irritado com aquela palavra que acertara as duas primeiras rodadas. Leonardo e Beatriz decidiram apostar tudo no "12", deixando a vida ou a morte para a sorte.
O jovem encarou a roleta e depois olhou para Alice. Movido por uma confiança inexplicável, ele rangeu os dentes e empurrou suas 18 fichas para o número "11". Na verdade, as vozes do cenário já haviam dito para ele escolher o "11" sem medo. O rapaz do casal, arrasado pela perda da namorada, empurrou suas fichas para o "2" com as mãos trêmulas.
Com todos os outros tendo apostado, Alice continuava imóvel, sem mover uma ficha sequer.
— Cliente, sua vez~ — O olho normal da
croupier
fixou-se nela com um olhar malévolo e cheio de insatisfação.
— Minha aposta já foi feita antes — Alice recostou-se na cadeira com as mãos atrás da nuca. — Eu apostei que aquele sujeito seria eliminado. Isso conta como aposta feita, certo?
— Conta. — O dedo da mulher moveu-se imperceptivelmente e o fio preto conectado à roleta esticou-se. — Comece a terceira rodada.
O ponteiro de costela deslizou pelos números, o diamante na ponta refletindo uma luz sangrenta. A velocidade diminuiu, aproximando-se do "11". Nesse momento, a mão da
croupier
pressionou a borda da mesa e o fio preto vibrou.
Antes de parar, Alice disparou: — A propósito, senhora
croupier
, a Regra 5 diz que quem não tiver passagem quando o navio submergir ficará aqui para sempre. Mas o navio está subindo agora, indo em direção ao topo do céu. Para ele afundar, vai levar pelo menos umas dez horas, não?
A mulher congelou por um milésimo de segundo. Esse breve lapso foi suficiente; o ponteiro tremeu, deslizou lentamente pelo "11" e parou no "12". O globo ocular incrustado na vértebra correspondente explodiu em pus.
— Número 12 — anunciou a mulher com as feições contorcidas. — A punição é "Sobrecarga Cardíaca".
Alice vencera a aposta. Leonardo e Beatriz sorriram; aquela mulher tinha uma sorte absurda. O jovem levantou-se em pânico, gritando: — Não! Você disse que eu iria—!
Antes de terminar, o contorno de seu coração começou a bater freneticamente sob a pele do peito. Seus vasos sanguíneos saltaram em tons de roxo e preto, subindo do pescoço para o rosto. Ele abriu a boca para arfar, mas só emitiu sons de asfixia. Em três segundos, o "vencedor pré-determinado" desabou morto.
A marmelada fora quebrada por ela tão facilmente?! Cacete!
Enquanto todos olhavam para o jovem, ninguém notou que o rapaz do casal, por ter errado a aposta, também se tornara um espectador sem batimentos, realizando o ditado: "Não nascemos no mesmo dia, mas morremos no mesmo dia".
Os pontos de vida dos três sobreviventes subiram. Alice viu seu contador saltar para
38
e sorriu satisfeita. A
croupier
, cega de raiva, perdeu o controle das feições; as costuras de seu rosto arrebentaram, fazendo sua face parecer uma boneca de porcelana quebrada jorrando um líquido preto e viscoso.
— Você... você... — ela sibilou.
— Eu? — Alice fez cara de inocência. — Eu só fiz uma pergunta. Apenas apontei um fato objetivo: o navio realmente está subindo. O quê, vocês não olham para o céu por aqui?
Ela levantou-se, passou pelo corpo do jovem e parou diante da mulher, estendendo a mão educadamente: — O canhoto vermelho, por favor.
O jogo terminara; restavam apenas três na mesa. A mulher, tremendo, tirou de suas vestes um papel áspero e carmesim com o desenho de uma roleta e um coração gotejando sangue. Alice pegou-o: — Valeu.
— Esperem — chamou a
croupier
um segundo antes de eles saírem.