Capítulo 42: Pechinchar com o BOSS do Cenário?
— Cassino — disse Alice. — Jogos de canhotos vermelhos costumam ser os mais diretos.
Ela lançou um olhar casual para o jovem solitário. — Além disso, aquele sujeito já foi para o cassino. Se não formos agora, os melhores lugares podem ser ocupados.
1º Andar: Cassino.
Ao empurrarem as pesadas portas de madeira entalhada, uma mistura de odores os atingiu em cheio: charutos envelhecidos, perfume barato e um cheiro metálico intenso de... sangue.
O salão do cassino estava repleto de vestígios de uma folia decadente. Lustres de cristal balançavam precariamente, metade deles já caídos, espalhando fragmentos que formavam uma galáxia perigosa sobre o tapete vermelho. Várias mesas de feltro verde estavam viradas, cercadas por cartas de baralho e fichas espalhadas.
Perto da única mesa intacta, seis jogadores que chegaram antes já estavam reunidos. A
croupier
era uma mulher vestindo um longo vestido carmesim de costas nuas. Ela estava de costas para a entrada, e na pele de suas omoplatas havia uma tatuagem vermelho-escura.
— Bem-vindos~
Sem se virar, a mulher disse com uma voz melosa: — O jogo de canhoto vermelho "Roleta e Coração" está recrutando jogadores agora~
Ela se virou lentamente. Ao ver o rosto da mulher, Beatriz prendeu a respiração. A face dela era coberta por cicatrizes de sutura; parecia ter sido rasgada e costurada novamente. O olho esquerdo era de um âmbar normal, mas o direito era puramente branco, com um coração torto desenhado em tinta vermelha no centro da pupila — talvez por capricho ou apenas para parecer "bonito".
— As regras são simples~ — A
croupier
acariciou a roleta no centro da mesa com dedos de unhas pretas. — Apostem com seus "batimentos cardíacos".
Ela sorriu e bateu palmas. Instantaneamente, os jogadores sentiram uma pontada aguda no peito. Ao olharem para baixo, um número brilhante surgiu na altura do coração de todos:
10
.
【Pontos de Vida Iniciais: 10】
【Cada ponto de vida pode ser trocado por uma ficha】
【Se os pontos chegarem a zero, o coração para de bater】
A mulher de rosto costurado inclinou a cabeça, exibindo um sorriso de dar calafrios. — Seis pessoas por rodada. A roleta tem doze números, correspondendo a doze tipos de "experiências cardíacas". Quem for selecionado ganha uma recompensa; quem não for, perde pontos de vida. Após três rodadas, apenas três sobreviventes receberão o canhoto vermelho~
Ela fez uma pausa, e o desenho de coração no seu olho direito girou levemente. — Claro, é possível desistir antecipadamente, mas quem desistir...
Nesse momento, o som de correntes sendo arrastadas veio das profundezas do cassino, deixando o significado implícito.
— ...se tornará o contrapeso da roleta~
Os jogadores empalideceram, encarando fixamente a roleta de bronze. Nas bordas, estavam esculpidos doze rostos humanos em agonia, cada um correspondendo a um número. O ponteiro era feito de uma costela polida, com a ponta gotejando um líquido carmesim.
— O que são as fichas? — perguntou um jogador.
A mulher abriu um sorriso largo. — São suas vidas. 1 ponto de vida equivale a 1 ficha. Zero é igual a morte.
Ficou claro: ser contrapeso significava morrer. Era uma aposta onde a vida era a única moeda. Desde o momento em que entraram, já estavam presos à roleta da vida e morte. Desistir agora era morrer na hora. Participar era a única chance, por menor que fosse, de sobreviver.
A
Precognição
de Alice surgiu, mas, por algum motivo, a visão estava borrada por interferências:
1ª Rodada: Número 7 — Recompensa "Batimento Dobrado" (Vida x2)
2ª Rodada: Número 3 — Recompensa "Pausa Cardíaca" (Isenção de uma punição)
3ª Rodada: ……Interferência……
A terceira rodada estava bloqueada.
— Madeirinha — Alice chamou em voz baixa.
No seu ombro, o boneco respondeu prontamente: — Mestra, a roleta está amaldiçoada.
— Consegue ver quem a controla?
Madeirinha silenciou por um segundo. — É aquela mulher. Há um fio preto saindo do dedo dela conectado à roleta.
Alice semicerrou os olhos.
Resultados manipulados manualmente?! Trapaça?!!!
Enquanto ela hesitava, quatro jogadores veteranos já haviam se sentado, rangendo os dentes. Já que o fim parecia certo de qualquer jeito, era melhor arriscar tudo.
Alice notou que o número no peito do jovem de óculos brilhava com um tom levemente azulado, diferente do branco dos outros.
— Vencedor pré-determinado — sussurrou ela.
— O quê? — perguntou Leonardo.
— Aquele de óculos — Alice indicou discretamente com o olhar. — Ele está mancomunado com a
croupier
. Nesta rodada, os outros são apenas figurantes.
Beatriz gelou o olhar. — Então vamos desistir?
— Você é boba? Desistir agora é pedir para morrer.
— Mas se já tem um vencedor escolhido, como vamos ganhar? Não tem como.
Alice sorriu. — Por que desistir? Figurantes também têm seu jeito de jogar.
Já que estavam lá, precisavam jogar. Ela caminhou até a mesa e puxou uma cadeira, fazendo as pernas de madeira rangerem contra o tapete. Leonardo e Beatriz sentaram-se ao lado dela.
A mulher de rosto costurado focou seu único olho nela. — Nova cliente, vai participar?
Alice: — Vou. Mas quero mudar uma regra.
O cassino mergulhou no silêncio. Os outros jogadores franziram a testa.
Ela tem coragem de pechinchar com o BOSS do cenário?
Primeiro perguntou como matar aliados legalmente, agora quer mudar as regras? O que ela pretende?
As costuras no rosto da
croupier
tremeram levemente. — As regras não podem ser mudadas~
Alice: — Não é mudar, é adicionar uma opção de aposta. A regra diz que os jogadores apostam em números, mas não proíbe apostar que um jogador específico vá perder, certo?
Ela apontou para o jovem de óculos. — Eu aposto que este sujeito vai perder na terceira rodada. Se eu acertar, me dê a recompensa conforme a probabilidade. Se eu errar, não apenas perco minhas fichas, como me ofereço voluntariamente para ser o contrapeso eterno da roleta.
Dez pontos de vida. Perder tudo era morrer. Mas, para Alice, parecia um negócio garantido.
O sangue da roleta pingava no tapete:
tap... tap...
O som parecia amplificado no silêncio. O jovem de óculos levantou a cabeça bruscamente, um rastro de pânico cruzando seus olhos.
As cicatrizes da mulher começaram a sangrar misteriosamente, e ela exibiu um sorriso distorcido. — Cliente... você sabe o que significa ser um contrapeso eterno?
— Sei — respondeu Alice, relaxada. — É ser enfiada dentro da roleta e girar para sempre. Parece bem relaxante para tirar o estresse.
— ......
A
croupier
ficou sem palavras. Seu olho direito puramente branco fixou-se em Alice, e o coração vermelho nele girou freneticamente. Leonardo puxou a barra da roupa de Alice por trás e sussurrou: — Você enlouqueceu?
Beatriz colocou a mão no cabo da adaga, pronta para o combate. Diante do silêncio da mulher, Alice apressou-a com impaciência: — E então? Aceita ou não? Se não aceitar, vou sair por aí espalhando que este jogo é marmelada. Afinal, a Regra 4 só proíbe dano físico, não disse nada sobre difamação verbal.
Ao ouvir isso, o sangue no rosto da mulher escorreu mais forte, manchando o vestido carmesim.
— ...Aceito.
A
croupier
a encarou com um olhar malévolo. — Mas se ele vencer a terceira rodada, você não apenas será o contrapeso, como eu arrancarei metade da sua alma para aumentar a aposta dos outros clientes.
Alice assentiu e olhou para o jovem de óculos: — Boa sorte, colega de óculos. Minha vida está inteiramente nas suas mãos.
O jovem tinha uma expressão complexa e permaneceu em silêncio. O jogo começou.