Nádia estava pálida e visivelmente fragilizada.
Vestida com um conjunto de saia e blusa brancos, ela correu para a frente do carro de Ricardo e caiu de joelhos. Diante dele, ela era capaz de abrir mão de qualquer dignidade, implorando apenas que o coração dele amolecesse um pouco.
Eles se conheciam desde a infância, afinal.
Como ele podia tratá-la daquela forma por causa de uma mulher que surgiu do nada? Especialmente sendo ela também sua salvadora.
Nádia estava à beira da loucura.
O telefone em sua bolsa não parava de tocar; sua família exigia saber o que havia acontecido e por que a família Holanda cortara subitamente os investimentos. Com a retirada do capital dos Holanda, o fluxo de caixa da família dela havia quebrado, e eles precisavam urgentemente de suporte financeiro.
Mas, como haviam ofendido os Holanda, nenhuma outra empresa ousava estender a mão.
Agora, toda a empresa estava por um fio, e todos os seus parentes a pressionavam por explicações.
Só ela sabia que tudo começara por causa daquela idiota da Isabella.
Isabella fora estúpida o suficiente para tentar um esfaqueamento em público e, mesmo assim, falhara em arruinar o rosto daquela mulher. Nádia sentia um ódio mortal pela incompetência da amiga.
Inútil!
Se soubesse que contar a ela resultaria nisso, teria planejado algo melhor antecipadamente. Jamais imaginou que Isabella pudesse ser tão burra.
Agora, Isabella estava presa por tentativa de homicídio e ainda arrastava Nádia consigo por ter sido a informante.
Mas ela apenas contara o que sabia; como Ricardo podia atacar a família dela diretamente?
Eles eram amigos de gerações; a amizade vinha desde o tempo do velho Sr. Holanda, e os dois quase ficaram noivos quando crianças. Como ele podia tratá-la assim por causa de um comentário verbal?
Certamente fora influência daquela mulher.
Talvez Ricardo estivesse apenas esperando que ela viesse implorar perdão; bastava se desculpar com ela. Ele sempre fora implacável e frio, mas nunca tão cruel.
Nádia prostrou-se diante do carro, mas, temendo que Ricardo não a visse lá de baixo, levantou-se rapidamente e avançou contra a janela.
Antes que pudesse abrir a boca, as palavras morreram em sua garganta.
A mulher dentro do carro era de uma beleza estonteante e a olhava com uma expressão de dúvida.
Era aquela desgraçada.
Jasmine estava em alerta máximo com qualquer pessoa ligada a Isabella. Ela não baixou o vidro; apenas perguntou de dentro do carro:
— Você veio procurar o Ricardo?
— Ele não está no carro. Vá procurar em outro lugar.
Jasmine não tinha a menor intenção de transmitir recados. Aquela mulher estivera entre os que riram dela no restaurante; não havia motivo para ser benevolente. Ver o desespero dela agora provavelmente não era por uma boa causa.
Quando Jasmine se preparou para dar a partida, o vidro foi golpeado com força.
Nádia sentiu o ódio corroer suas entranhas ao ver aquele rosto. Ela batia no vidro com toda a força, desejando que os estilhaços destruíssem a face da rival.
Sempre ela! Tudo por causa dela!
Se não fosse por ela, Nádia jamais estaria nessa situação. Se não fosse por ela, Nádia já estaria casada com Ricardo. Por que Isabella não a matou de uma vez?
Inconformada porque Jasmine não abria o vidro e já acelerava para sair, Nádia notou um detalhe: aquela mulher estava dirigindo o carro de Ricardo.
Ricardo tinha um ciúme doentio de suas propriedades e nunca deixava estranhos entrarem em seus carros; quando crianças, ele sequer deixava Nádia brincar lá dentro. E agora essa mulher o dirigia livremente.
O ódio a deixou tonta. Naquele momento, ela compreendeu por que Isabella agira de forma tão impulsiva.
Diante daquela beleza, Nádia sentiu uma sensação de impotência. Como podia existir uma mulher tão sedutora? Mesmo que ela implorasse a Ricardo, ele certamente a puniria para agradar a Jasmine. Enquanto Jasmine existisse, nada mudaria.
Observando o carro de Jasmine se afastar, o olhar de Nádia tornou-se cruel. Se sua família falisse, ela preferiria morrer. Já que não havia saída para ela, aquela maldita também teria que morrer.
Nádia acalmou-se com uma frieza assustadora. Ela desistiu de procurar Ricardo e voltou para o seu próprio veículo. Fixando o olhar na traseira do carro à frente, ela pisou fundo no acelerador.
Jasmine dirigia em velocidade considerável. Sempre vigilante contra perigos iminentes, ela mantinha o foco total. Quando viu o carro da outra mulher fazer uma manobra brusca em sua direção, sentiu o perigo. Ela tentou desviar e acelerar, mas o carro da outra era um esportivo modificado de velocidade surpreendente.
Em um piscar de olhos, o veículo estava colado em sua traseira.
Prestes a sofrer uma colisão, Jasmine girou o volante com violência no último segundo. O carro de Nádia, que mirava o lado da motorista, acabou atingindo a traseira do carro.
Houve um estrondo ensurdecedor.
O carro de Jasmine capotou e rolou encosta abaixo, parando sobre um tapete espesso de folhas secas após um turbilhão de movimentos. O airbag disparou, deixando Jasmine atordoada.
Entre a consciência e o desmaio, ouviu um grito dilacerante:
— Jasmine!
O sangue começou a escorrer sobre suas pálpebras, e os sons pareciam distantes. Mas ela sabia que não podia apagar. Reunindo todas as forças, abriu os olhos e viu uma silhueta alta correndo em sua direção de forma desajeitada.
Ricardo arrancou a porta do carro. Ao ver o rosto de Jasmine coberto de sangue, seus olhos brilharam com um desespero lancinante. Naquele instante, ele reviveu a cena do dia em que Jasmine caiu do prédio e ele a abandonou. Como pudera deixá-la naquela época?
Agora que estavam juntos novamente, ela estava ferida de novo; Ricardo sentia que ia enlouquecer.
— Jasmine! Aguente firme!
Ele a puxou para fora com uma força descomunal. Mesmo com Jasmine sem conseguir ajudar muito, ele conseguiu retirá-la quase inteira. No entanto, o lado do motorista estava deformado, e a perna dela estava presa; levaria tempo para soltá-la.
De repente, um cheiro estranho atingiu suas narinas.
O carro ia pegar fogo.
Com essa percepção, a mente de Jasmine clareou. Ela tentou se arrastar para ajudar.
— Eu consigo sair sozinha, vá embora primeiro!
O carro podia explodir a qualquer momento; Ricardo não podia ficar ali correndo risco por ela.
— Eu nunca vou te deixar para trás! — rosnou Ricardo, usando toda a sua força para retorcer a lataria do carro.
O cheiro de queimado intensificou-se, e o calor das chamas já era perceptível. Jasmine estava chocada com a atitude dele. Era perigoso, o carro ia explodir. Ele não se importava com a própria vida?
Não era ele o homem egoísta e frio que a sociedade moldara? Como ele ainda podia agir como aquele jovem impulsivo e apaixonado de outrora?
O corpo de Jasmine estava frio, mas seu coração ardia. Sem tempo para discussões, ela concentrou suas forças junto com a tração de Ricardo.
Finalmente, sua perna se soltou, embora estivesse dormente de dor. Ricardo a pegou no colo e correu.
Simultaneamente, labaredas subiram do veículo. Jasmine viu a cena aterrorizante por cima do ombro dele. No momento da explosão, Ricardo abraçou-a e jogou-se ao chão, protegendo-a completamente com o próprio corpo. Os ombros largos dele cobriram sua visão, impedindo-a de ver até o céu. Naquele instante, em seus olhos e em seu coração, existia apenas Ricardo.
O som da explosão ecoou.
Lágrimas escorreram dos olhos de Jasmine enquanto ela olhava para o homem que a sustentava. Em seu campo de visão, restavam apenas os ombros firmes dele e o clarão das chamas ao fundo. Ela ouviu a voz rouca de Ricardo:
— Jasmine, eu sempre vou amar apenas você.
Jasmine dormiu por muito tempo. Em seus sonhos, ela chorava sem parar, temendo ter perdido Ricardo de verdade. Quando acordou, sua primeira reação foi o medo. Ela já havia abandonado Ricardo uma vez em uma situação de perigo de vida, mas desta vez, quando ela esteve em perigo, ele não a abandonou.
Ao perceber isso, despertou totalmente e tentou se levantar para procurá-lo. Antes que pudesse se mover, uma mão firme segurou seu ombro.
— Você acabou de se ferir, não tenha pressa para levantar.
Jasmine parou, surpresa, e olhou para o lado. Ricardo estava sentado calmamente ao lado da cama, sem um único curativo sequer, e parecia estar trabalhando em seu laptop. Ela ficou confusa.
— Você... você não foi atingido pela explosão?
Ela estendeu a mão instintivamente para tocar as costas dele. Ricardo deixou que ela o examinasse. Seus músculos estavam firmes e saudáveis, sem sinais de ferimentos.
Ele perguntou: — Você queria que eu estivesse ferido?
— Não.
— Então você estava preocupada comigo? Começou a se importar comigo de novo?
Ricardo parecia radiante. Ele aproximou o rosto, encarando os olhos dela. Jasmine deu um longo suspiro de alívio. Ela não negou; apenas assentiu. Ela estava, de fato, preocupada.
Jasmine não era uma pessoa de fingimentos. No momento em que Ricardo se jogou para protegê-la das chamas, ela decidiu que queria ficar com ele de verdade. Percebeu que não suportaria perdê-lo novamente. Não há dor maior do que a perda definitiva. Independentemente do que o futuro reservasse, ela queria lutar por esse relacionamento.
Ao ver que ela não negava, Ricardo ficou estático por um longo tempo. Por fim, sentou-se e explicou:
— Meu carro não tinha uma bomba dentro. A força da explosão de um carro pegando fogo não é tão grande, e nós já estávamos a uma boa distância.
— Entendi...
Jasmine mal tinha relaxado quando ouviu Ricardo murmurar:
— Na verdade, eu gostaria que tivesse sido um pouco mais sério. Só para mim, claro. Assim você sentiria mais pena de mim e cuidaria de mim. Tenho medo de que, ao ver que não me machuquei, você ache que eu estava apenas atuando.
Ao ver a expressão de preocupação dele, Jasmine sentiu um aperto no peito. Ele realmente se importava tanto assim com o que ela pensava. Ele continuava sendo o mesmo de sempre, disposto a salvá-la sem hesitar. Todo o rancor acumulado pelas atitudes frias dele nos últimos tempos dissolveu-se naquele momento.
Jasmine balançou a cabeça.
— Eu conheço o seu caráter. — Ela olhou nos olhos apreensivos de Ricardo com seriedade. — Durante este um ano, vamos tentar de verdade. Se conseguirmos nos dar bem, ficaremos juntos para sempre.