O rosto de Jasmine ficou vermelho instantaneamente.
Tomada por um constrangimento avassalador, ela levantou-se na mesma hora para procurar por Ricardo.
No entanto, não havia ninguém no banheiro; ela estava realmente sozinha na suíte principal.
A essa hora, ele deveria estar em outro quarto ou dormindo no escritório.
Jasmine sentiu-se um pouco impotente, mas, sendo tão tarde, não iria acordar Ricardo apenas para questioná-lo sobre isso. Além disso, como já haviam sido um casal no passado, ser vista por ele não parecia um crime tão grave.
Ela tentou acalmar seu embaraço e, ao notar pelo relógio que ainda era madrugada, preparou-se para voltar à cama e continuar dormindo.
Porém, pelo canto do olho, ela avistou um cofre sobre o criado-mudo.
A porta do cofre não estava trancada; estava escancarada.
Como ele podia ser tão descuidado a ponto de esquecer algo assim aberto?
Jasmine ficou sem palavras; em toda Pequim, poucas pessoas não gostariam de saber o que havia no cofre de Ricardo Holanda.
Ela era uma dessas poucas.
Além disso, em um relance rápido, percebeu que, em vez de barras de ouro ou dinheiro, o interior parecia conter documentos de papel mais importantes. Para outros, aquilo seria um tesouro inestimável, mas ela não se importava muito.
Quando ia desviar o olhar, viu sem querer um detalhe verde.
Aquele tom familiar de verde-musgo a deixou estática. Olhou novamente e, desta vez, teve certeza.
Aquele tecido familiar... não era o retalho da bainha de um vestido que ela usara no passado?
Na época, o vestido fora rasgado pelos arbustos na floresta e ela pedira para Ricardo jogá-lo fora.
Como aquilo fora parar ali?
Jasmine não sabia descrever o que sentia. Ela saiu da cama novamente, agachou-se diante do cofre e pegou o pedaço de tecido.
Logo em seguida, viu os papéis que estavam dentro.
Não eram contratos, mas sim dezenas de retratos dela.
Eram desenhos, um após o outro, de sua silhueta na juventude: caminhando de mãos dadas com Ricardo na floresta, passeando juntos à beira-mar, ou abraçados dentro de um quarto.
Cada desenho retratava algo que realmente acontecera; até as roupas e acessórios que ela usava naqueles dias estavam idênticos.
Ricardo nunca soubera desenhar; ele aprendera isso depois.
Mas, depois de tanto tempo, ele conseguira se lembrar de cada detalhe.
Cada retrato tinha a data correspondente anotada, e até os dias pareciam exatos.
Jasmine pegou os desenhos, atônita.
As memórias que ela havia esquecido ou que haviam se tornado turvas agora voltavam como uma maré alta, inundando sua mente.
Os sentimentos reprimidos também emergiram com força.
Ela realmente amava Ricardo.
Após recuperar a memória, ela tivera medo de que ele tivesse mudado.
Temia que ele estivesse apenas usando a saudade dela como pretexto para estar com outras pessoas, buscando "substitutas".
Temia também perder o controle e se apaixonar novamente por esse Ricardo adulto e implacável.
Mas, ao ver aqueles desenhos, o sentimento de saudade profunda era tão nítido que até ela conseguia senti-lo.
Ela ficou paralisada, incapaz de parar de pensar:
"Será que os sentimentos dele por mim nunca mudaram?"
"Seria possível que, se ficássemos juntos, ele não se cansaria de mim rapidamente?"
Esse pensamento surgiu incontrolavelmente em seu coração — ou talvez, no fundo, ela estivesse sempre esperando e ansiando por isso.
Antes que pudesse processar tudo, viu que, abaixo dos desenhos, havia um caderno de diário preto familiar.
Aquele diário fora usado pelos dois; continha cada pequeno detalhe da vida que compartilharam.
A ponta dos dedos de Jasmine tremeu. Após hesitar por muito tempo, ela finalmente o abriu.
As primeiras páginas ainda traziam os registros de antigamente: desde grandes viagens até os filmes que assistiram juntos.
O diário parecia gasto, como se tivesse sido folheado inúmeras vezes.
Quase metade do caderno estava preenchida, mas havia uma página a mais do que ela se lembrava.
Nessa página, havia o desenho de uma borboleta realista.
Uma borboleta à beira da morte, mas que renascia em direção ao sol — exatamente como a tatuagem em sua nuca.
Abaixo, havia uma linha escrita com uma caligrafia firme que quase atravessava o papel:
【Eu com certeza vou te encontrar.】
Jasmine não aguentou continuar lendo.
Ela largou o diário e saiu do quarto em busca de Ricardo, com o coração batendo forte no peito.
Ela precisava encontrá-lo e perguntar honestamente o que ele pensava.
Não podia mais continuar suspeitando dele daquela forma.
Se o que aconteceu antes fora um mal-entendido, ela precisava ouvir a explicação da boca dele.
Ao sair do quarto, o dia já estava clareando lá fora; o tempo passara sem que ela percebesse.
O novo mordomo, que acabara de acordar, não demonstrou surpresa ao vê-la.
— Bom dia, Srta. Jasmine.
— Deseja algo específico para o café da manhã?
Jasmine balançou a cabeça: — Em qual quarto o Ricardo está dormindo?
— O Sr. Ricardo?
O mordomo a conduziu gentilmente até o primeiro andar, parando diante de uma porta fechada.
— O patrão dormiu aqui ontem à noite e provavelmente ainda não acordou.
— Na verdade, ultimamente ele não tem dormido na suíte principal. Tem ficado sempre neste quarto, embora eu não saiba o motivo.
Jasmine olhou para a porta fechada e ficou atordoada.
Não era aquele o quarto onde ela e Ethan haviam ficado hospedados?
Ricardo estivera dormindo ali o tempo todo?
Ela levantou a mão para bater na porta, mas mudou de ideia ao pensar que ele a trouxera de volta na noite anterior e tivera todo o trabalho de trocar suas roupas; ele devia estar exausto.
"Esquece. Mesmo que eu queira uma explicação, não preciso acordá-lo agora. Ele estaria grogue e não conseguiríamos conversar direito."
Resolveria isso durante o dia.
Com o efeito do álcool dissipado e sentindo-se desperta, Jasmine fez uma refeição leve e saiu para trabalhar primeiro.
A mansão dos Holanda era enorme e protegida por várias camadas de segurança rigorosa.
Assim que ela saiu com o carro, viu um veículo aproximar-se da mansão e ser barrado na entrada.
Em seguida, esse mesmo carro começou a persegui-la e parou bruscamente à sua frente.
A moça que saltou do veículo era muito familiar.
Jasmine a reconheceu imediatamente: era a garota que vira no restaurante de culinária privada, a amiga de Isabella.
Ela ficou em alerta e permaneceu dentro do carro.
— Ricardo!
— Sou eu, a Nádia!
Como Jasmine estava dirigindo o carro de Ricardo, a garota achou que ele estava lá dentro e correu gritando.
Nádia parecia prestes a chorar ao ver o carro familiar.
— Ricardo! Como você pôde fazer isso comigo?!