Jasmine acabou ficando. Era apenas um ano; se durante esse tempo Ricardo realmente se cansasse dela, que assim fosse. Jasmine não ousava alimentar grandes esperanças, mas era fato que não conseguia mais pronunciar um "não". Decidiu dar a ele mais uma chance.
Naquela mesma noite, Ricardo levou os dois de carro para a mansão dos Holanda. Ao descer, Jasmine reforçou as regras várias vezes:
— Só vim porque o Ethan estava exausto. Vou ficar na sua casa apenas por uma noite.
Ricardo não demonstrou irritação ou decepção. Ele assentiu; mesmo que ela ficasse apenas uma noite, ele já estava satisfeito. Contanto que ela não sumisse de sua vida novamente, bastava.
— Tudo bem, ficaremos apenas uma noite.
Só então Jasmine sentiu-se segura para entrar com a criança. Porém, ao cruzar a porta, ela ficou atônita. Antes de ela ir embora, a mansão era fria e vazia, especialmente sem as coisas dela e do filho. Agora, ao entrar, as luzes frias deram lugar a uma iluminação quente e acolhedora, do jeito que ela gostava. A decoração do ambiente era cerca de setenta por cento idêntica à do quarto que ela mesma decorara em seu apartamento.
Embora os móveis fossem todos de altíssimo padrão, a combinação de cores e o estilo seguiam exatamente o que ela preferia, como se cada detalhe tivesse sido estudado com cuidado. Jasmine não esperava que, mesmo não morando mais ali, Ricardo mudasse a casa para agradá-la.
Mas o Ricardo de antigamente era exatamente assim. Quando moravam na Europa, todos os móveis eram escolhidos por ela. Não importava o que ela escolhesse, ele aceitava. Ricardo, um homem tão sério, chegou a usar lençóis de desenho animado bege por dois meses para acompanhá-la, até que a própria Jasmine, sem aguentar ver aquilo, decidiu trocar. O fato de que, após oito anos, esse traço dele permanecia inalterado fez com que a sensação de estranhamento de Jasmine diminuísse um pouco — mas apenas um pouco.
As pessoas mudam, e a própria Jasmine mudara. Talvez a paixão avassaladora do passado tivesse sido apenas o "efeito ponte suspensa". Jasmine logo parou de remoer; afinal, era apenas um ano. Após colocar o filho para dormir, ela percebeu que Ricardo não estava por perto. Ao abrir a porta do quarto, foi atingida pelo aroma de carne vindo de fora.
— O bife está pronto. Tome um banho e venha comer.
Ricardo olhou para ela, agindo como se o incidente anterior não tivesse ocorrido, focado em preparar o jantar. Jasmine arrependeu-se de ter pedido bife. O talento de Ricardo na cozinha era péssimo: a carne sempre ficava dura e sem gosto. No hospital, ela estava imersa em memórias e não pensara realmente em comer a comida dele.
Mas lá estava o bife. Comer algo era melhor do que dormir com fome, dado o adiantado da hora. Jasmine assentiu e, após o banho, foi à sala de jantar. Ao ver o bife no prato, sentiu um desânimo. A aparência era idêntica à de antigamente; em oito anos tudo mudara, menos aquele bife. No passado, para não ter que comer o que ele fazia, ela mesma aprendera a cozinhar o prato.
Ela não queria reviver memórias desagradáveis, nem tinha intenção de conversar muito com ele. Na verdade, mal queria erguer a cabeça para olhar o rosto que um dia a fizera suspirar. Jasmine cortou um pedaço e o levou à boca em silêncio. De repente, seus olhos brilharam. Embora a aparência fosse a mesma, o sabor era incrível. A carne estava macia, suculenta, no ponto exato. Faminta e ainda sentindo o frio da chuva, ela começou a comer com vontade.
— Como está o sabor desta vez? — perguntou Ricardo.
— Muito bom — respondeu ela, instintivamente.
Sem que ela visse, Ricardo sorriu e a observou com atenção.
— Eu sabia que você amava bife, mas eu nunca conseguia fazer direito. Por isso, nestes últimos oito anos, eu fritei um bife todas as noites para praticar. Queria que, quando você voltasse, pudesse comer um bife realmente gostoso.
Jasmine parou o que estava fazendo e ergueu o olhar. Sob a luz âmbar, os olhos de Ricardo pareciam um oceano profundo, e ele exalava um charme maduro. Ele mudara, sim, mas certas coisas permaneciam intactas. Ao olhar para o homem familiar e comer a comida que conhecia, o vazio no peito de Jasmine pareceu ser preenchido por um instante.
Ela um dia fantasiara viver assim com ele. Agora, a cena tornara-se realidade. Mesmo que fosse breve, parecia suficiente. Ela sentiu que ficar por um ano não era uma ideia ruim; era uma chance de viver sem arrependimentos. No passado, quando ela perdia a memória, ele criava novas lembranças felizes. Agora, mesmo sabendo que o final poderia não ser perfeito, ela estava disposta a criar mais algumas memórias com ele.
— Obrigada.
Ela disse isso com sinceridade. Independentemente do futuro, o fato de ele ter praticado todas as noites durante oito anos pensando nela significava muito.
Na manhã seguinte, os dois saíram de carro no mesmo horário, seguindo caminhos opostos. Após organizar os pensamentos na noite anterior, Jasmine sentia-se muito melhor. O peso em seu coração parecia ter diminuído. Porém, ao chegar à empresa, encontrou um caos. Antes mesmo de entrar, ouviu passos apressados e vozes ansiosas.
— O que aconteceu? — perguntou ela a um colega.
O homem estava agitado e olhou para ela como se visse uma salvação.
— Socorro! No lote de documentos que enviamos para a HS ontem, estava o contrato da construtora Shengcai?
Jasmine franziu o cenho.
— Eu não tive tempo de revisar aqueles contratos. O Diretor Shen pediu para o Rodrigo entregar.
— Droga, então já foi entregue. Não conseguimos encontrar a nossa via aqui.
Nesse momento, Regina apareceu com as mãos na cabeça, visivelmente estressada. Ao ver a situação, Jasmine adivinhou:
— O contrato da Shengcai está com erro, não é?
— Sim! — Regina estava tão nervosa que chegara a aparecer uma afta em seu lábio. — O pior é que foi entregue ontem. O Sr. Ricardo Holanda costuma trabalhar até tarde para processar tudo no mesmo dia. Ele já deve ter visto o contrato. A Bianca cometeu um erro na impressão e acabou apagando um zero no preço unitário. Se a HS perceber, vão achar que nossa equipe é incompetente. Se não perceberem e assinarem, será um desastre financeiro. Agora ninguém tem coragem de dar a cara a tapa para contar isso ao Sr. Ricardo ou ao Diretor Shen.
Jasmine olhou para dentro do escritório e ouviu o choro de Bianca ao longe. Ela percebeu que aquela equipe recém-formada ainda era imatura e muitos não tinham experiência. Embora ela mesma não tivesse, ela sabia que Ricardo não tivera tempo de trabalhar até tarde ontem por causa dela. Talvez ele ainda não tivesse visto o documento.
— Não entrem em pânico. Vou até a HS resolver isso.
Ao ouvirem a iniciativa dela, todos ficaram surpresos. Não era uma tarefa invejável; ir até lá pedir um contrato errado de volta significava provavelmente levar uma bronca monumental e deixar uma péssima impressão na HS. Bianca saiu correndo da sala, chorando, e segurou o braço de Jasmine.
— A culpa foi minha, eu mesma vou lá falar. Mesmo que eu seja demitida ou tenha que pagar o prejuízo, o erro é meu. Não posso deixar você assumir isso, Jasmine.
— Não precisa. Eu conheço algumas pessoas lá, será mais fácil conversar — Jasmine confortou a colega e saiu. Ela não explicou quem conhecia, e os outros não conseguiram relaxar. Decidiram segui-la; afinal, o erro passara por várias mãos antes de chegar ao Sr. Ricardo. Mesmo que Jasmine conhecesse alguém, dificilmente teria influência suficiente diante do presidente. Era melhor irem todos juntos para mostrar a sinceridade do arrependimento da equipe. Não podiam deixar Jasmine levar a culpa sozinha por algo que nem fora erro dela.
Jasmine notou que todos a seguiam e sentiu-se um pouco impotente. Após tentar convencê-los a voltar, sem sucesso, continuou o caminho apreensiva. Logo, o grupo chegou à sede da HS. Para surpresa de todos, antes mesmo de falarem com a recepção, deram de cara com o Secretário Silas saindo do elevador.
No prédio, Silas exalava uma aura poderosa e séria de um executivo de elite. O grupo atrás de Jasmine quase parou de respirar. Todos sabiam que Silas era implacável e exigente. Se ele descobrisse o erro, o assunto nunca seria resolvido de forma discreta; ele jamais toleraria uma falha tão amadora de um parceiro. Bianca chegou a apertar o braço de Jasmine, querendo recuar.
— Esquece, vamos voltar e falar com o Diretor Shen primeiro — sussurrou ela, acovardada.
Mas, antes que ela terminasse a frase, Silas, cercado por assistentes, olhou na direção deles. Seu olhar afiado por trás das lentes dos óculos de armação dourada mudou instantaneamente para surpresa e alegria ao ver Jasmine. Ele caminhou apressadamente até ela.
— Srta. Jasmine! Por que não me avisou que vinha? — disse ele, com um sorriso cordial.
Ao ouvirem "Srta. Jasmine", os outros ficaram boquiabertos. Silas estava indo diretamente falar com ela! Como uma figura tão importante conhecia Jasmine? Seria ele o contato que ela mencionara? As pessoas se entreolharam com uma mistura de incredulidade e esperança. Estavam salvas! Nunca imaginaram que a rede de contatos de Jasmine chegasse até o braço direito do Sr. Ricardo Holanda.
No entanto, não sabiam se Silas, sendo tão rigoroso, abriria uma exceção. Quanto ao fato de ele tê-la tratado com tanta deferência... eles simplesmente acharam que tinham ouvido errado. Afinal, como seria possível?
Jasmine sentiu o coração acelerar. Com medo de que Silas perguntasse algo sobre Ricardo na frente de todos, ela tomou a iniciativa e falou nervosamente:
— "Veterano", preciso falar com você sobre um assunto. Podemos conversar em particular?
Sua expressão era de tensão, mas ela tentava manter o tom natural. Silas, sendo extremamente perspicaz, entendeu a situação e o tratamento de "veterano" imediatamente. Ele exibiu um sorriso familiar:
— Claro. É sempre um prazer receber a visita de uma "caloura".