Jasmine respirou fundo. Ela baixou a cabeça e respondeu à mensagem:
"Tem gente demais aqui. Vá para o estacionamento e me espere lá."
"Eu já disse, não quero que ninguém saiba que temos qualquer tipo de relação."
Suas palavras foram, por assim dizer, implacáveis. Afinal, agora ela não tinha mais medo de que Ricardo ficasse furioso. Ele era alguém naturalmente sem paciência; essa história de "vir ver o filho todo dia" certamente o cansaria em pouco tempo. Já que, cedo ou tarde, ele acabaria perdendo a calma, Jasmine não se dava ao trabalho de agradá-lo. Se ele decidisse parar de vir por causa disso, seria ainda melhor.
Tudo o que ela queria agora era viver uma vida comum e nunca mais ter seu nome associado ao de Ricardo Holanda. A resposta do outro lado veio rápido:
"Entendido."
"Estarei no estacionamento embaixo do seu prédio esperando por você."
Só então Jasmine relaxou um pouco. Mas ela não desceu imediatamente; esperou até que quase todos os colegas tivessem ido embora para, então, descer. O tempo estava um pouco frio. Ao sair, ela soltou os cabelos e jogou um xale preto sobre os ombros, caminhando em direção ao estacionamento.
De longe, viu o homem impecavelmente trajado de terno parado no centro, ao lado de um carro de luxo extremamente caro. Com o cabelo preto penteado para trás e uma elegância que parecia correr em suas veias, ele conseguia ser ainda mais chamativo que o próprio veículo negro. O estacionamento estava quase vazio naquele momento; ela não sabia há quanto tempo Ricardo estava ali esperando. Se alguém visse aquela cena, ficaria em choque: quem ousaria fazer o poderoso líder do Grupo HS esperar tanto tempo em um estacionamento?
No entanto, Jasmine, a pessoa por quem ele esperava, não demonstrou nenhuma comoção. Ao avistá-lo de longe, pegou o celular e enviou uma mensagem:
"Entre no carro primeiro."
Ela percebeu que precisava comprar um carro para si mesma; não podia continuar dependendo de Ricardo para levá-la para casa. Assim que ele entrou, Jasmine caminhou rápido e subiu no veículo. Ao se sentar, deparou-se com um buquê de jasmins no banco. Era um ramalhete delicado, não muito grande, elegante e belo, preenchendo o interior do carro com uma fragrância suave. Era a sua flor favorita desde a infância, e na quantidade que ela mais gostava: o suficiente para caber perfeitamente em uma mão.
Jasmine baixou o olhar, evitando fixar os olhos nas flores por muito tempo. Por um momento, o carro não se moveu. Ela viu a mão de Ricardo, com as articulações bem marcadas, segurar o buquê e colocá-lo em seu colo.
— Não precisa me dar presentes — disse Jasmine, balançando a cabeça.
— Tudo bem, então eu levo para o meu quarto — Ricardo não se irritou, pegando de volta as flores que agora estavam impregnadas com o perfume de Jasmine.
— Esqueça, eu fico com elas — Jasmine pegou o buquê de volta.
Ricardo soltou um riso baixo, com o perfil absurdamente bonito.
— Você não mudou nada.
Ele dirigia de forma muito mais estável do que ela imaginava, e seu tom de voz era pausado e calmo, sem qualquer vestígio da agressividade de ontem.
— Aos meus dezoito anos, fui sequestrado e levado para uma fábrica abandonada na Alemanha.
Ele relatou os traumas da memória como se não fossem nada.
— Nenhum dos meus pais quis pagar o resgate. Eles agiram como se eu não fosse filho deles.
Jasmine ficou atônita. Ela lançou um olhar surpreso para Ricardo; não imaginava que a vida dele, aparentemente tão perfeita, tivesse passado por algo assim. Ao mencionar essa experiência de pesadelo, não havia medo ou ódio em sua voz, mas sim uma ponta de nostalgia.
— Jasmine, foi você quem me salvou.
— Você entrou na fábrica enquanto eles dormiam, me arrastou para fora com as duas pernas quebradas e usou todo o dinheiro que tinha para o meu tratamento.
— Mesmo deixando de lado o fato de termos namorado depois, você é minha verdadeira salvadora.
— Eu sei que você me odeia. Já que odeia, odeie profundamente.
O carro logo parou em frente ao prédio dela. Antes que Jasmine pudesse processar o que significava "odiar profundamente", a chave daquele carro de luxo foi colocada na palma de sua mão. Ricardo a encarou com olhos profundos como a noite.
— Jasmine, aceite. Agora este carro é seu.
Jasmine segurou a chave, que parecia queimar em sua mão. Mas ela a guardou com determinação; não recusaria uma quantia tão grande de dinheiro apenas por causa de sua resistência pessoal ao homem.
— Você não precisa me agradecer pelo passado. Eu salvaria qualquer um que estivesse naquela fábrica. Você não tem nada de especial para mim.
— Eu não gosto de você. Mesmo que me dê o carro de graça, não ficarei grata.
Ela disse o que realmente sentia. Finalmente entendia por que um homem frio como Ricardo não a esquecia: pessoas como ele são egoístas e só se importam consigo mesmas. Quase perder a vida certamente o marcou, por isso ele era tão grato. Provavelmente ele também sentia culpa por ter tratado sua salvadora daquela forma. Mas um presente caro não mudaria a opinião dela. Para Ricardo, um carro de luxo era apenas um brinquedo; dá-lo a alguém não significava muito. Ela aceitou sem peso na consciência e deixou claro que não se deixaria comover.
Após falar, ela observou a expressão de Ricardo, esperando que ele ficasse bravo. Para sua surpresa, ele baixou a cabeça e riu. Ele riu tanto que tossiu levemente, cobrindo a boca com a mão, e até as pontas de seus dedos ficaram avermelhadas.
— Se você aceitou, está ótimo. Você dizia exatamente a mesma coisa antigamente.
Dito isso, ele saiu do carro e abriu pessoalmente a porta do passageiro para Jasmine.
— Vamos. Só me restam quarenta minutos para ver o menino.
Ele parecia genuinamente feliz. Mesmo com o tom ríspido dela, não se importava, contanto que ela tivesse aceitado o carro. Jasmine não achou a reação estranha; ele também fora generoso com Isabella antes de deixá-la sem nada no fim. Ela usaria o carro por enquanto; se um dia Ricardo quisesse de volta, ela o entregaria sem problemas.
Lá em cima, ela ficou de lado supervisionando Ricardo enquanto ele brincava de carrinho com Ethan. A paciência dele com a criança era surpreendentemente boa, e Ethan riu muito durante aquela meia hora. Jasmine não baixou a guarda, mantendo-se distante, temendo que ele usasse o filho como desculpa para se aproximar fisicamente dela. Felizmente, até o fim, Ricardo não fez nada inadequado.
Só quando ele foi embora é que ela relaxou.
— Ethan, você gosta do papai? — Jasmine pegou o filho no colo e perguntou.
O pequeno ainda estava imerso na alegria da brincadeira. Ele ia assentir por instinto, mas hesitou por um segundo. Então, balançou a cabeça freneticamente.
— A mamãe não gosta dele, então o Ethan também não gosta.
Jasmine franziu a testa. Ela percebeu seu erro: não importava o quanto os pais se detestassem, a criança não deveria saber disso. Os sentimentos das crianças são aguçados, e seu descontentamento com Ricardo não passara despercebido. Ela decidiu que não seria mais tão óbvia no futuro.
Na manhã seguinte, assim que chegou à empresa, Jasmine foi parada por Bianca. Bianca era uma recém-formada, na idade perfeita para fofocas e vitalidade; ao ver Jasmine, não conteve a empolgação.
— Jasmine, você é tão linda! — Ela segurou o braço de Jasmine, caminhando junto com ela. — Você sabia? Houve um grande segredo neste prédio ontem.
— O quê? — Jasmine voltou para sua mesa e tirou o casaco, sem muito interesse. A equipe deles alugava apenas um andar; ela não se importava com o que acontecia nas outras empresas do prédio.
— Não sei se é verdade, mas dizem que ontem alguém filmou uma mulher entrando no carro do Sr. Ricardo Holanda.
— Ai, o assunto explodiu nos virais! Vou pegar meu celular para te mostrar daqui a pouco.
— Não filmaram o rosto, mas aquele xale preto que ela estava usando é maravilhoso, virou febre instantaneamente. Eu até estou pensando em comprar um igual.