Como se o coração, morto há muito tempo, voltasse a bater, o sangue de Ricardo Holanda subiu fervorosamente por todo o corpo.
— Siga-a!
— Siga aquele carro agora!
Suas emoções estavam quase fora de controle. Os olhos injetados de sangue fixavam-se no veículo que se distanciava; as veias saltavam em seus dedos pálidos, que quase rasgavam o estofado do banco.
Oito anos. Foi a primeira vez que ele viu aquele rosto de forma tão clara e real. Não era mais apenas uma silhueta de costas ou um perfil semelhante. Ela era exatamente igual à sua memória, sem a menor mudança — uma visão que o fazia perder a razão de tanta saudade. Mesmo sabendo que havia uma grande probabilidade de ser uma ilusão de ótica, fruto do seu desejo desesperado por ela, ele não desistiria de nenhuma mínima possibilidade. Além disso, ele a vira de fato, com clareza absoluta.
Se não fosse o medo de perder tempo trocando de lugar com o motorista, Ricardo teria assumido o volante pessoalmente naquele instante. O motorista, no banco da frente, estava apavorado com a reação do patrão. Desde que conhecera o Sr. Ricardo, nunca o vira reagir com tanta intensidade. Parecia um predador que havia focado em sua presa e não descansaria até alcançá-la. Ele jamais desistiria. Com o coração disparado, o motorista também fixou os olhos no carro à frente e usou toda a sua perícia para não perdê-lo de vista.
Contudo, Jasmine também dirigia em alta velocidade. Somado à sua vigilância constante, não demorou para que ela percebesse que um carro de luxo a seguia. Ela não ousava adivinhar a quem pertencia o veículo, mas sabia que muitas pessoas em Pequim a odiavam. Agora que fora expulsa da mansão, talvez alguém estivesse planejando se divertir às custas de sua desgraça. Ela não podia permitir que a encurralassem.
Jasmine não ousou ir direto para o hotel. Em vez disso, valendo-se do seu conhecimento das ruas, começou a dar voltas pela cidade. Ela atravessou becos estreitos e labirintos urbanos que fariam qualquer estranho hesitar, mas, como costumava frequentar aquela área com sua amiga Carol, conseguia se localizar. Após um bom tempo, ela finalmente conseguiu despistar o perseguidor por uma distância considerável.
Ao chegar ao destino, percebeu que o hotel reservado pelo Secretário Silas era de alto nível e não ficava longe da mansão dos Holanda. Desta vez, com a ajuda dos funcionários do hotel para carregar as malas, ela caminhou o mais rápido que pôde em direção ao seu quarto. No entanto, prestes a entrar, ficou atônita ao ver alguém.
Ricardo Shen estava saindo justamente do quarto em frente ao dela. Usando óculos de armação dourada, uma camisa branca simples e calças de alfaiataria, ele parecia limpo, elegante e atraente.
— Sr. Shen — Jasmine cumprimentou, surpresa e um pouco sem jeito.
Ela não sabia que ele também estava hospedado ali. Se não tivesse conseguido despistar aqueles perseguidores, o que aconteceria se alguém viesse procurá-la agora? Ela torcia fervorosamente para que ele não presenciasse nada desagradável. Ao ver Jasmine, Ricardo Shen ficou visivelmente surpreso e abriu um sorriso.
— Srta. Jasmine, não esperava encontrá-la aqui. Sinto muito pelo que aconteceu hoje.
Jasmine balançou a cabeça, dizendo que não era culpa deles. Ninguém sabia que Ricardo Holanda falava alemão, nem ela mesma. Nesse momento, o funcionário do hotel trouxe as malas, e Ricardo Shen estranhou a quantidade incomum de bagagem. Porém, sem questionar a vida pessoal dela, ele disse com gentileza:
— Se precisar de um lugar para ficar, pode me avisar a qualquer momento. Tenho algumas propriedades nesta cidade e a Srta. Jasmine será sempre bem-vinda.
Jasmine ficou surpresa com a benevolência dele. Desde que tudo aquilo acontecera em sua vida, ela já havia perdido a conta de há quanto tempo não sentia a ajuda genuína de alguém. Mas, por isso mesmo, sentia ainda mais medo de se aproximar de alguém tão "limpo". Sua identidade era vergonhosa demais. Ela temia o olhar de desprezo de Ricardo Shen e temia ainda mais que ele se tornasse alvo daquelas pessoas por causa dela.
Pensando que o carro que a seguia poderia chegar a qualquer momento, ela abaixou a cabeça com um sorriso forçado e respondeu formalmente:
— Agradeço muito a gentileza do Sr. Shen.
Ao ouvir o tratamento formal, Ricardo Shen arqueou as sobrancelhas.
— Se preferir, pode me chamar apenas de Sr. Ricardo de agora em diante. Srta. Jasmine, espero que não sinta nenhum fardo. Independente do que aconteça, pode me procurar sempre.
Ele não estava sendo apenas educado; parecia realmente querer que ela se aproximasse. Jasmine sentiu-se tocada por sua doçura e sinceridade. Aquele respeito de igual para igual era algo que ela não experimentava há muito tempo. Seu coração dilacerado sentiu um leve alento, e ela o chamou sinceramente de Sr. Ricardo. Talvez, se não fosse pelas humilhações constantes, ela realmente aceitasse o convite. Infelizmente, na situação atual, ela sentia que não tinha o direito de fazer amigos.
Ao entrar no quarto, quando se preparava para desfazer as malas, a campainha tocou insistentemente. Jasmine hesitou. Seria o Sr. Ricardo que esquecera de dizer algo? Ela foi até a porta e a abriu por instinto.
O homem de terno parado do lado de fora a fez perder o fôlego instantaneamente; ela sentiu como se tivesse caído em um poço de gelo.
Como podia ser Ricardo Holanda? E, naquele momento, ele exalava uma aura esmagadora. Seus olhos injetados de sangue pareciam carregar uma tempestade, e o olhar afiado como uma lâmina causava um medo profundo. Ela teria feito algo errado novamente, ou ele estaria bêbado de novo? Jasmine teve um pressentimento terrível e tentou fechar a porta freneticamente.
Contudo, o braço longo e magro de Ricardo bloqueou o caminho abruptamente, forçando a entrada. O corpo masculino e imponente invadiu o quarto de forma súbita. Antes que Jasmine pudesse reagir, seu corpo macio foi abraçado com violência, e beijos alucinados começaram a cair sobre ela como uma enxurrada.
Ricardo avançou sem pensar nas consequências; ele estava completamente entregue àquela loucura. O perfume e a essência familiares inundaram seus sentidos. Consumido por uma saudade doentia, ele buscava desesperadamente cada centímetro dela. Sua mão grande, com as articulações bem marcadas, segurou a nuca dela, onde a borboleta tão familiar estava agora sob seu domínio.
Cada detalhe daquela pessoa em seus braços despertava inúmeras memórias. Finalmente, não era um sonho; ele estava abraçando sua amada de verdade. Ela não morrera. Era ela, e não havia como se enganar novamente. Ele não se importava com mais nada, apenas saqueava freneticamente, fundindo-a ao seu abraço enquanto a beijava.
Ela lutava. Mas aquela resistência insignificante não deteve Ricardo nem por um segundo. Seu rosto deslumbrante assumiu uma expressão sombria e cruel.
Ela quer fugir de novo.
Ele jamais permitiria que ela o abandonasse novamente; nunca mais nesta vida. Ele já fora "mole" uma vez, e fora o suficiente. O olhar de Ricardo tinha a ferocidade de quem recupera um tesouro perdido.
Com seu porte de modelo de elite, ele ergueu Jasmine subitamente e caminhou a passos largos em direção à cama. O som dentro do quarto tornou-se extremamente ambíguo. Jasmine estava sendo subjugada, com as roupas desalinhadas, tentando lutar em vão. Mas sua força era nula diante da agitação do homem. Aquele rosto incrivelmente bonito, que costumava ser frio e austero, agora parecia querer devorá-la viva.
Ela não fazia ideia de que tipo de loucura era aquela. Certamente ele estava bêbado de novo. O que fazer? Quando ele acordasse, provavelmente ficaria furioso. Da última vez, ele a expulsara; se acontecesse de novo, talvez até Ethan fosse mandado embora junto com ela. Em meio à confusão, ela conseguiu agarrar a porta por um segundo, tentando mantê-la aberta.
Do lado de fora, Ricardo Shen saiu de seu quarto carregando uma tigela de sopa quente. Ele não conseguia parar de se preocupar. Não sabia o que havia acontecido com a Srta. Jasmine para que ela se mudasse com tantas malas às pressas para um hotel. Se fosse possível, ele ainda esperava que ela aceitasse morar em uma de suas propriedades.
Ao chegar em frente ao quarto dela, Ricardo Shen percebeu que a porta não estava trancada, mantida entreaberta por algo que a bloqueava. Aquela cena incomum o fez franzir o cenho. Ele entrou no quarto e perguntou educadamente:
— Srta. Jasmine?
Ninguém respondeu. Em vez disso, o que se ouviu foram sons de beijos profundos e carnais que fariam qualquer um corar. Antes que ele pudesse processar a situação, uma cena impactante atingiu seus olhos: Jasmine estava com as roupas em desordem, suas pernas finas e brancas sendo prensadas sob os ombros largos de um homem.
Ricardo Shen ficou paralisado, e sua face, habitualmente serena e erudita, ficou completamente vermelha de imediato. Em seguida, ele percebeu a luta desesperada e angustiada de Jasmine. Com os olhos transbordando fúria, ele largou a tigela e avançou para dentro do quarto.
— Não toque nela!