Isabella sabia melhor do que ninguém que Ricardo Holanda nunca brincava com ela. Ele realmente a estava mandando embora.
Por quê? Seria porque ela tocou naquela criança? Jasmine teria feito uma denúncia? Mas com que direito? Como Ricardo podia se enfurecer com ela por causa de uma criança que ele nem sequer prezava! Ele realmente se importava tanto com aquele garoto a ponto de expulsá-la? E que "verdade" ele queria que ela contasse?
Isabella tremia incontrolavelmente. Mesmo após dois anos de convivência, ela temia Ricardo profundamente. Ela sabia o quão implacável era a natureza daquele homem; uma vez dita uma palavra, não havia volta. Ela estava tão nervosa que mal conseguia segurar o celular. Não ousava imaginar como seria sua vida ao ser varrida para fora da casa — como aquelas pessoas que ela humilhava repetidamente se vingariam dela. Ela liderara o grupo para maltratar Jasmine tantas vezes que ninguém sabia melhor do que ela o quão terrível era a crueldade dessas pessoas.
Agora que fora descartada por Ricardo, será que conseguiria continuar sua vida estável ao voltar para a família Lima? Sem perder um segundo, Isabella tentou ligar de volta para Ricardo. Ninguém atendeu. Desesperada, ligou imediatamente para o Secretário Silas.
Silas atendeu, mas Isabella não ousou falar de imediato. Toda aquela arrogância e autoridade que demonstrava antes com ele haviam sumido; sua respiração estava ofegante e seus olhos, marejados. Do outro lado, Silas suspirou.
— Srta. Isabella, por favor, retire-se da residência dos Holanda. É melhor seguir as ordens do Sr. Ricardo e contar tudo o que sabe. Ninguém deseja pagar o preço de enfurecê-lo. Além disso, faça com que esse grupo saia da casa também. Aqui não é lugar para eles causarem desordem.
Assim como Ricardo, Silas não esperou por uma resposta e desligou friamente. O salão mergulhou em um silêncio absoluto. Todos exibiam expressões de desespero. Algumas pessoas, incapazes de se sustentar, desabaram no chão, olhando incrédulas para os braços de Jasmine.
O pequeno Ethan estava aninhado no colo da mãe, observando-os com um olhar furioso. Aquela não era uma criança qualquer e negligenciada; era o filho biológico do Sr. Ricardo, o futuro herdeiro da família Holanda, e naquele momento ele os encarava com desprezo. O Sr. Ricardo realmente expulsara Isabella por causa desse menino.
Nesse instante, o arrependimento corroia o coração de muitos. Como puderam acreditar que uma mera "mulher ideal" da juventude poderia superar o próprio sangue? Eles também vinham de famílias influentes e conheciam bem as intrigas das altas linhagens. Além disso, tratando-se de um homem de punho de ferro como Ricardo, existiria realmente algo como "amor profundo"? Eles foram tolos.
O grupo, tomado por remorso e rancor, começou a gritar insultos contra Isabella:
— Eu acreditei nas mentiras dessa maldita!
— Você não disse que o Sr. Ricardo se importava com você?!
Esses gritos despertaram os demais do estado de choque, e o grupo começou a proferir ofensas desesperadas. Bastava pensar que o Sr. Ricardo agora sabia quem eles eram e que o haviam ofendido gravemente para que o pavor sobre o futuro de suas próprias famílias os consumisse. Isabella era uma estúpida. Com toda a vantagem de ser a paixão de juventude dele, ainda assim não conseguiu vencer uma "impostora". O que ela tinha na cabeça?
Alguns mudaram o foco rapidamente e tentaram avançar em direção a Jasmine para implorar por perdão, mas ela entrou no quarto imediatamente. Desta vez, ninguém ousou bloquear ou bater na porta. Jasmine ouvia os lamentos e gritos lá fora enquanto se sentava no chão com o filho, sentindo-se como uma sobrevivente de um desastre.
Finalmente se livrara deles. Ela jamais imaginaria que Ricardo ligaria pessoalmente para expulsar Isabella. Pensar que, na noite anterior, ele a confundira com Isabella enquanto estava bêbado, agindo com tanta ternura que ela quase se sentira tocada... e, num piscar de olhos, ele descartava a mulher sem piedade.
Será que ele realmente valorizava tanto o Ethan? Jasmine não sentiu alegria com essa valorização. Pelo contrário, sentia uma inquietação profunda, uma sensação de "quando um cai, o outro espera". Isabella fora a mulher que Ricardo buscara por anos, a quem ele mimara tanto. Jasmine vira de perto quão pesada era essa preferência, e agora via que, em apenas dois anos, ele se cansara.
Quando um homem perde o sentimento, ele realmente expulsa a pessoa sem remorso e ainda exige responsabilidades. Esse homem gélido e de humor instável realmente se importaria com a criança para sempre? No dia em que ele se cansasse dela e do filho, qual seria o destino deles?
Jasmine preocupou-se por um momento, mas logo balançou a cabeça. Na verdade, ela não precisava se preocupar. Se ele se cansasse deles, seria até melhor. Ela não confiava na educação que ele daria ao filho; se ele resolvesse expulsá-los, ela não insistiria. Sairia por conta própria.
Quanto ao presente... Jasmine abriu uma fresta da porta. Viu as pessoas lamentando e Isabella sendo arrastada pelos braços por seguranças. Isabella estava em um estado deplorável; suas joias finas estavam espalhadas pelo chão e seu penteado, desfeito. Ela resistia desesperadamente, querendo levar as joias de seu quarto, mas os seguranças a arrastavam à força. Desta vez, não houve hesitação. Aquela era uma ordem direta do Sr. Ricardo que não seria revogada. Os outros herdeiros também eram retirados sem nenhuma cortesia.
O salão era um coro de lamentos. Jasmine abriu a porta por completo, e Isabella, em meio à luta, a viu.
— Jasmine! Não cante vitória antes da hora! — Isabella rugiu. Ela não tinha mais disposição para chamá-la de "irmã" falsamente; queria apenas destruir aquele rosto idêntico ao dela. — Você é apenas minha impostora! Se eu não pude ficar, você acha que consegue? Não pense que o Ricardo realmente liga para esse bastardo! Não ouse sonhar em ser a Sra. Holanda! Mais cedo ou mais tarde, você também será chutada para a rua!
Ela gritava em colapso, esperando ver medo ou preocupação no rosto de Jasmine. No entanto, Isabella não encontrou nada disso. Jasmine permanecia em silêncio no meio do caos, com roupas simples, mas com um semblante límpido e sereno. Era exatamente como no primeiro dia em que a vira. Aquela indiferença inalcançável fazia Isabella ranger os dentes de ódio.
Jasmine balançou a cabeça.
— Eu nunca quis ser a Sra. Holanda.
Desde o início, ela fora empurrada pelo destino; nunca desejara casar-se com um Holanda. Se pudesse, sairia dali com o filho agora mesmo. Jasmine deu as costas àquelas pessoas e entrou no quarto. Com a retirada gradual de todos, a imensa vila finalmente ficou em silêncio.
Ainda assustada, Jasmine abraçou o filho e começou a lhe contar histórias em voz baixa para acalmá-lo. As mãozinhas de Ethan agarravam a barra de sua roupa, e seu rostinho delicado transbordava dependência. A vida parecia ter voltado à calma. Nenhum empregado ousava perturbá-los. Ethan, sendo muito pequeno e tendo passado por tanta confusão, não aguentou e logo adormeceu.
Ao observar o sono tranquilo do filho, a preocupação de Jasmine só crescia. De agora em diante, ela teria que enfrentar Ricardo sozinha. Naquela noite, ela não ousou sair do quarto, e Ricardo não retornou. O telefone dela tocou inúmeras vezes com chamadas de pessoas desconhecidas, mas ela não atendeu nenhuma. Sabia que aquelas pessoas estavam acabadas, mas não intercederia por elas; nem tinha esse direito. O cansaço e a ansiedade sobre o futuro a fizeram revirar na cama, e demorou a pegar no sono.
Raramente, ela dormiu até a manhã seguinte. Jasmine acordou sonolenta, sentada na cama ainda de camisola, percebendo que perdera a hora. Olhou para o filho faminto e sentiu-se frustrada consigo mesma. Deveria ter colocado mais despertadores, caso contrário Ethan sempre acabava desligando-os.
Nesse momento, houve uma batida suave na porta. Antes que ela pudesse processar o que estava acontecendo, a voz cautelosa da Tia Wang ecoou:
— Srta. Jasmine, o Sr. Ricardo veio ver a criança.