Jasmine passou a manhã inteira ocupada. Ethan precisava trocar o curativo da mão; como a criança tinha pavor de dor, só se sentia segura para deixar o médico tocá-lo se ela estivesse ao seu lado. Depois, acompanhou o filho em uma brincadeira rápida no jardim e ajudou a empregada a preparar a refeição do pequeno.
Ao notar que faltava pouco para o meio-dia, ela se preparou para entrar no quarto mais cedo. Ela realmente não ousava mais cruzar o caminho de Ricardo. Sentia-se imensamente grata por Ricardo não ter vindo incomodá-la ao acordar naquela manhã; ele simplesmente saíra para a empresa pontualmente, como de costume, sem sequer dirigir um olhar para a porta do quarto dela.
Ao que parecia, ele estava tão embriagado na noite anterior que acabara esquecendo tudo. "Aquele homem não sabe beber", pensou ela, "por que de repente decidiu beber tanto?". Quanto a Isabella, parecia que os dois haviam tido um desentendimento, pois saíram separadamente.
Somente após a partida deles é que Jasmine ousou levar o filho para fora do quarto. Ela não era estranha a esse tipo de vida; na mansão ancestral dos Holanda, sua rotina era praticamente a mesma. Lá, ela não precisava se esconder tanto, mas passava a maior parte do tempo no quarto, conversando apenas com a criança e os empregados.
Já se passara mais de um ano dessa forma. Ao pensar que ainda teria que viver assim por sabe-se lá quantos anos, Jasmine sentiu um aperto no peito. A vila de Ricardo era cheia de perigos; embora tivesse o cronograma em mãos, aquele casal poderia voltar a qualquer momento. Se pudesse, ela adoraria trabalhar fora durante o dia para evitá-los completamente.
Jasmine sempre fora uma aluna dedicada. Seus planos originais eram ou estudar no exterior ou trabalhar. Agora que tinha dinheiro e não precisava se preocupar com o sustento, ela realmente desejava encontrar um emprego que amasse. Se tivesse que esperar até Ethan atingir a maioridade para se libertar da família Holanda, ela já estaria com uma idade muito avançada.
Infelizmente, na situação atual, ela não tinha coragem de se ausentar. Além disso, ela não fazia ideia de como Ricardo seria na criação de uma criança. Ele era um homem frio, implacável e focado apenas em lucros. Será que seria rígido demais com o filho, recorrendo a punições físicas ou verbais por qualquer motivo?
Ela tentava se convencer de que, afinal, ele era o pai biológico. Por mais que as visões educacionais fossem diferentes, mesmo que ele fosse indiferente, provavelmente não teria a mesma maldade que Isabella demonstrava. Ela tentava se acalmar, mas a inquietude persistia. Talvez em alguns anos pudesse tentar sair, desde que tivesse certeza da atitude de Ricardo. Ela precisava confirmar que ele estaria disposto a tratar bem o filho e que não permitiria que Isabella o maltratasse em sua ausência. Caso contrário, jamais conseguiria partir em paz.
Justo quando se preparava para entrar, Ethan, que estava comendo no jardim, correu para os seus braços chorando.
— Buááá, mamãe!
Ethan se jogou no colo de Jasmine em prantos. Ela imediatamente franziu o cenho, preocupada, ao ver que as mãozinhas dele estavam sujas de lama. Não apenas as mãos, mas seus joelhos também estavam cobertos de terra; ele claramente levara um tombo. Com o coração acelerado, ela ouviu o soluço do menino:
— Tia má.
Isabella estava de volta. Jasmine franziu a testa e tentou levar o filho para o quarto imediatamente. Ainda não era meio-dia e ela já retornara — e, ao que parecia, estava sozinha. Jasmine não ousaria deixá-los a sós; ela pegou a criança no colo e girou para entrar. No entanto, no instante em que se virou, uma explosão de risadas ecoou atrás dela.
— Irmã, o Ricardo não disse para você não aparecer na nossa frente? Você quebrou sua promessa, hein.
Jasmine estancou no lugar, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Entre o grupo, a risada de Isabella era a mais alta. Ela a media de cima a baixo, observando suas roupas largas.
— Credo, o que é isso que você está vestindo? Eu sempre disse que ela vive aqui como uma empregada, e vocês não acreditavam. Ela veio para a minha casa para ser babá, e não é que não paguemos a ela. Só que o salário de um ano dela mal paga um dos meus colares.
Ao dizer isso, o grupo atrás dela caiu na gargalhada. Homens e mulheres ao redor exibiam expressões de deboche. Aquela era a briga interna da família Holanda. Por mais que antes desprezassem Jasmine como uma "impostora", ela afinal conseguira se instalar na casa dos Holanda graças à criança. Ninguém sabia ao certo qual era a situação atual. E agora, eles estavam prestes a testemunhar os assuntos privados da família e até entrar pessoalmente na vila — algo que jamais ousariam imaginar antes.
Observando aquela silhueta elegante carregando a criança, os convidados comentavam do lado de fora:
— Que desperdício de corpo, pensar que ela não é nem sequer uma concubina de luxo dos velhos tempos.
Nesse momento, Isabella fez um sinal discreto para que alguns bloqueassem o caminho de Jasmine para o quarto, enquanto convidava os amigos para entrar.
— Não tenham medo, o Ricardo tem compromissos e não volta hoje. Venham, entrem e sentem-se. Vocês ainda não conhecem a minha casa, né?
Muitos olhavam para a imponente vila com suor de excitação, sentindo-se orgulhosos por estarem ali. Isabella conduzia o grupo para dentro, mantendo os olhos fixos no rosto de Jasmine.
— Que concubina o quê? O Ricardo nem toca nela, ele não quer nem ver a cara dela. Por que vocês acham que ele não foi cobrar de vocês aquele incidente na mansão ancestral? E o que importa o Secretário Silas? Bastou uma palavra minha e ele não perseguiu ninguém. Vou dizer claramente para vocês: a Jasmine só mudou para cá porque veio ser criada do filho. Ela estava prestes a ser expulsa, só foi trazida de volta porque o moleque não vive sem a mãe.
Ao ouvir isso, os presentes arfaram. Ninguém conseguia acreditar totalmente. Aquela era a mãe biológica do filho do Sr. Ricardo, e ela simplesmente se tornara uma babá? Eles temiam que fosse apenas Isabella falando por ciúmes, como da última vez. Especialmente ao notarem que os lábios de Jasmine pareciam um pouco inchados e avermelhados.
Os convidados trocaram olhares, sem saber se aquilo era cansaço de cuidar da criança ou alguma outra situação. Desta vez, todos haviam aprendido a lição: ninguém ousou comentar nada. Quase ofender o Sr. Ricardo da última vez fora o suficiente para deixá-los cautelosos. Apenas a segunda senhorita da família Chen, amiga íntima de Isabella, sorria maliciosamente enquanto cobria a boca:
— Se o que a Isabella diz é verdade, vocês verão com seus próprios olhos daqui a pouco. Vamos ver se essa impostora ousa nos encarar.
Na verdade, Isabella estava muito irritada hoje. E ver os lábios de Jasmine inchados, o que a deixava ainda mais deslumbrante, só aumentava sua fúria. Será que Ricardo vira Jasmine na noite anterior?
Quando ela ouvira o barulho e descera as escadas, sentira um alívio ao ver apenas Ricardo na sala. Mas a reação dele ao vê-la fora desoladora. Embora Ricardo fosse naturalmente frio e não gostasse de ser tocado, após beber ele se tornara ainda mais inacessível, atingindo o ápice da indiferença. O olhar que ele lhe dirigira fora como o de um total estranho.
Além disso, Ricardo prometera registrar o casamento hoje de manhã. No entanto, ele, que nunca se atrasava ou quebrava promessas, dissera que tinha um assunto urgente de última hora. O mais absurdo foi que ele disse que precisava ir a um estúdio de tatuagem. Ele falara com tanta seriedade que chegava a ser assustador.
Isabella estava indignada. O que o poderoso líder da família Holanda iria fazer em um lugar daqueles? Será que ele não queria mais se casar com ela? Mas como seria possível, se ele a buscara por tantos anos? Pensando nisso, uma suspeita cresceu em seu peito. Ela temia que Jasmine ou o "pirralho" tivessem dito algo a Ricardo. E ver os lábios inchados daquela mulher só a deixava mais transtornada. Aquela maldita... Ricardo jamais a tocaria. Ela devia ter feito aquilo de propósito nos próprios lábios para fingir que era favorecida.