Assim que entrou, a Assistente Sun explicou as regras: de agora em diante, Jasmine e a criança ficariam no primeiro andar. O segundo andar era a residência exclusiva de Isabella, enquanto o Sr. Ricardo morava sozinho no terceiro andar.
Jasmine ergueu os olhos para os andares superiores. O segundo andar estava intensamente iluminado, mas no terceiro, nenhuma luz brilhava; estava mergulhado em uma escuridão que fazia parecer desabitado. Aquela casa tinha uma frieza assustadora. Mesmo alguém com a personalidade vibrante de Isabella parecia incapaz de dar vida àquele lugar.
Após um breve momento de surpresa, Jasmine logo deixou de achar estranho. Ao que parecia, a natureza de Ricardo jamais mudara; ele continuava sendo o mesmo homem gélido de sempre. Mesmo que Isabella fosse a "mulher ideal" que ele buscara por anos, ele não parecia valorizá-la tanto agora que a encontrara. Ela ainda não conseguira entrar em seu coração.
Não era de se admirar que ele tivesse ignorado a vontade de Isabella ao trazer Jasmine e o filho para dentro. Naquele momento, a crueldade de Ricardo era, na verdade, uma vantagem para Jasmine. Como os três viviam em andares distantes, poderiam evitar qualquer contato no futuro.
Criar o filho ali, em silêncio, não parecia uma má ideia. A atitude da Assistente Sun para com ela também se tornara consideravelmente mais calorosa. Sendo uma pessoa pragmática, a assistente antes pensava que Jasmine ficaria ali por apenas dois ou três anos; agora que ela ficaria até a maturidade da criança, as explicações tornaram-se mais detalhadas, mencionando inclusive que Jasmine poderia abastecer e usar a geladeira livremente.
Ao olhar para a geladeira na sala, a mente de Jasmine voltou por um instante a um ano atrás. Ela se lembrou do olhar de desprezo que Ricardo lhe dirigira naquela época. Com um sorriso contido, ela concordou, mas no fundo não pretendia tocar em nada. Ela sabia que só estava ali por causa do filho. Naquela casa, ninguém além da criança a queria por perto. Ela se esforçaria para evitar Ricardo e Isabella e não mexeria em nada que pertencesse a eles.
Rapidamente, ela deu uma volta básica pelo andar e retornou ao quarto. Pouco tempo depois, a porta foi escancarada sem aviso. Isabella estava lá, de braços cruzados e com uma expressão de total desdém.
— Irmã, você veio visitar a minha casa e nem sequer cumprimenta a dona da residência?
Era evidente que ela estava cheia de raiva acumulada e descera para descontar em Jasmine. Esta, por sua vez, não queria entrar em discussões fúteis. Jasmine sabia muito bem que brigar com Isabella não lhe traria benefício algum. Ela vira com os próprios olhos o quanto Ricardo era parcial a favor de Isabella no passado — ele ignorava os fatos para acreditar nela incondicionalmente.
Aqueles poucos encontros deixaram traumas psicológicos em Jasmine. Mesmo que ele parecesse se importar com o filho agora, isso não significava que ele moveria um dedo por ela, a mãe. Jasmine não queria tomar nenhuma atitude drástica que atraísse a atenção de Ricardo. Sem responder à provocação, ela perguntou diretamente:
— Você veio aqui por algum motivo específico?
Isabella estudou o rosto dela. Aquele rosto bonito que ela tanto detestava estava calmo, sem qualquer sinal de humilhação. Mesmo sendo insultada daquela forma, Jasmine não parecia zangada ou irritada. Isabella sentiu como se tivesse dado um soco no vácuo.
Era sempre assim. Desde quando fora reconhecida pela família Lima, era a mesma coisa. Jasmine agia como se não se importasse com nada, deixando-a fazer escândalos sem reagir e sem lutar pelas coisas que lhe eram tomadas. Isabella odiava aquela atitude; fazia parecer que ela mesma era a única agindo sem razão.
Quem era a pessoa que realmente usurpara seus pais por mais de vinte anos, e agora ocupava sua casa e seu marido? Ela não acreditava que Jasmine não tivesse temperamento. Achava que aquele ar de "quem não quer nada" era apenas uma encenação.
Uma fúria subiu-lhe à cabeça; Isabella não se sentia tão sufocada há muito tempo. Ela esteve a ponto de gritar insultos terríveis, mas, ao abrir a boca, viu Ethan dormindo na cama ao lado. O pirralho parecia exausto e dormia profundamente. Ao ver aquele rosto tão parecido com o de Jasmine, Isabella sentiu uma repulsa mortal, querendo atirá-lo pela janela.
Contudo, ela sabia que Ricardo realmente se irritara com ela hoje. Afinal, tratava-se do filho biológico dele. Isabella tinha consciência de que grandes clãs valorizavam o sangue acima de tudo. Ela apenas sentia um rancor amargo, sem entender por que Ricardo se recusava a ter um filho com ela. Era como se houvesse uma promessa antiga entre eles que ele insistia em manter.
Isabella sentia-se impotente; ela simplesmente não conseguia decifrar Ricardo. "Esqueça", pensou, "não posso falar alto para não acordar o moleque, senão o Ricardo desce aqui e se irrita de novo".
Respirando fundo, ela tirou um papel do bolso e o jogou deliberadamente no chão.
— Este é o cronograma da próxima semana. Estão marcados os horários em que eu e o Ricardo estaremos em casa. Irmã, nesta casa você deve se lembrar da sua posição. Você é apenas a babá que cuida da criança. Ninguém aqui, exceto ele, quer ver a sua cara.
— Sua presença não deve vir à luz. Nos horários em que eu e o Ricardo estivermos em casa, você não deve aparecer na nossa frente sob hipótese alguma. Se o Ricardo quiser ver o filho, deixe que a Assistente Sun venha buscá-lo. Não importa o que aconteça, não saia do quarto para estragar o nosso visual. Entendeu?
As palavras foram extremamente cruéis, capazes de humilhar qualquer pessoa. No entanto, Jasmine apenas se abaixou com paciência, pegou o cronograma e assentiu. Ela não tinha a menor intenção de aparecer diante deles. Não queria que Ricardo passasse a detestar Ethan por vê-la, nem queria encontrar Isabella para ser maltratada.
O que Isabella dissera era algo que Jasmine já sabia em seu coração, e era exatamente como ela vinha agindo há mais de um ano. Estar ali permitia-lhe ficar com o filho e ainda ganhava muito dinheiro para isso. Esconder-se era um preço pequeno a pagar. Sua situação já era muito melhor do que quando era intimidada por todos.
Ao ver Jasmine assentir docilmente, Isabella não soube se sua frustração diminuiu ou aumentou. Logo, lembrou-se de algo e fez um aviso severo:
— E vou logo te avisando: nem pense em falar mal de mim para a criança ou tentar nos afastar. O Ricardo só trouxe esse menino porque nossa família precisa de um herdeiro. Ele só não quer que eu passe pelo sofrimento de um parto. O Ethan só será feliz aqui se ele for próximo de mim. Entendeu?
Isabella falava com as mãos na cintura, em tom de comando. Vestia marcas de luxo caríssimas e apontava para Jasmine com dedos adornados por anéis de pedras preciosas, como quem repreende um criado. Jasmine, que saíra às pressas do hospital, ainda vestia a roupa de paciente e parecia um pouco abatida. Ela não olhou para a irmã, apenas confirmou:
— Eu entendi.
Vendo que Jasmine não revidava, Isabella perdeu o interesse. Virou-se para a empregada que estava por perto:
— Fique de olho nela. Não deixe que ela se encontre com o Ricardo.
Após a saída dela, Jasmine olhou para o cronograma em mãos e ficou surpresa. A agenda de Ricardo estava lotada. Ele parecia realmente usar a casa apenas para dormir; saía pontualmente às sete da manhã e retornava às oito da noite. Ele também não voltava para almoçar.
Dessa forma, seria muito difícil cruzarem um com o outro, a menos que ocorresse algum imprevisto.