Jasmine estava deitada no quarto do hospital com o corpo latejando de dor; acabara de recuperar os sentidos. Seus ferimentos haviam sido devidamente enfaixados, e o ar ao seu redor estava impregnado com o cheiro penetrante de desinfetante. O quarto era amplo, iluminado e extremamente silencioso, ideal para a recuperação.
Contudo, ela não sentia a menor tranquilidade. Passava o tempo confirmando detalhes com a Assistente Sun ao telefone.
— Você tem certeza de que o Ethan não está mais com o Vitor?
— Sim, pode ficar tranquila quanto a isso, Srta. Jasmine — afirmou a secretária de forma categórica. — O Sr. Ricardo interveio pessoalmente e o levou. Agora a criança está na mansão dos Holanda. Seus ferimentos não são leves e poderiam assustar o menino. Assim que o sangramento for totalmente controlado, você poderá ir buscá-lo.
Jasmine soltou um suspiro profundo de alívio. Após desligar, permaneceu deitada, ainda tentando processar a informação. Ricardo levara Ethan consigo. Parecia que ele finalmente aceitara aquela condição.
Exausta, ela sentiu um imenso alívio por ter a chance de se reunir com o filho. Mesmo sem a herança, ela ainda possuía mais de dez milhões em mãos. Seria o suficiente para fugirem para longe e viverem uma vida pacata; ela se dedicaria inteiramente à educação de Ethan. A família Holanda era um ninho de cobras, e ela não pretendia voltar para lá nunca mais.
Entretanto, algo ainda a intrigava. Se ele realmente não queria vê-los, por que não enviou a criança diretamente para o hospital em vez de mantê-la na mansão? Será que Ethan estava gravemente ferido? Seu coração disparou de preocupação e ela tentou descer da cama imediatamente. Precisava vê-lo com os próprios olhos para se acalmar.
Nesse momento, uma enfermeira entrou no quarto. Com um olhar furtivo e hesitante, ela se adiantou e perguntou:
— Você é a Jasmine Lima?
Jasmine assentiu.
O carro de luxo estacionou no hospital, e o homem de terno que dele desembarcou atraiu os olhares de todos os presentes. Um homem tão frio e atraente trazia, naquele momento, uma pequena criança aninhada em seu ombro.
Ethan estava exausto. Antes, cercado por estranhos, ele não ousara relaxar nem por um segundo. Agora que o encontro com a mamãe estava marcado, sua tensão diminuiu e ele não resistiu ao cansaço. Ao chegarem ao hospital, o menino já dormia profundamente no colo de Ricardo.
Os ombros de Ricardo eram largos o suficiente para que a criança dormisse confortavelmente. No entanto, mesmo dormindo, os punhos do menino estavam cerrados. Suas mãos estavam envoltas em gaze, e manchas de sangue ainda transpareciam pelo tecido. O rosto quente do menino estava colado ao pescoço de Ricardo, e seus lábios entreabertos eram idênticos aos da mulher que ele amara.
Antigamente, havia um rosto assim que se apoiava em seu peito com total confiança. Ricardo olhou de relance para a cena, e por um instante teve a ilusão de que Ethan era fruto do amor entre ele e aquela mulher. Além da compaixão e da dor, sentiu, pela primeira vez, um vazio em seu coração ser preenchido.
Mesmo tendo encontrado Isabella há mais de um ano, somente naquele momento ele se sentiu verdadeiramente vivo, e não apenas um corpo errante. A saudade dela era avassaladora, uma dor que o deixava sem fôlego. O que o fazia apressar o passo, porém, era a mãe de Ethan, que estava ali no hospital. Todos diziam que o menino era a cara da mãe.
Seu coração martelava no peito. Ricardo não ousava pensar em nada, não ousava criar expectativas. Foram anos de buscas incessantes seguidas de decepções amargas. Mas, diante do hospital, seu coração pulsava com a mesma intensidade de outrora. Finalmente, ele deu passos largos para dentro. Mesmo com o filho dormindo, ele precisava ver aquela mulher. A saudade visceral parecia prestes a explodir.
Sabia que era impossível; sabia que já havia encontrado quem procurava. Mas não conseguia se conter. O som de seus sapatos no corredor do hospital ecoava com clareza. Naquele instante, não havia vestígio da frieza do líder dos Holanda. Ele caminhava cada vez mais rápido, como um jovem ansioso para ver a amada pela primeira vez, com uma ponta de timidez em sua urgência. Se não estivesse carregando a criança, provavelmente teria corrido.
Se alguém o visse agora, lembraria que o poderoso Ricardo Holanda tinha apenas vinte e cinco anos. Mesmo ele tinha alguém que desejava desesperadamente, mas que não conseguia alcançar.
Quase sem fôlego, ele parou diante do quarto. Seus olhos escuros fixaram-se através do vidro, observando a pessoa lá dentro. O quarto era imaculado e branco, uma suíte reservada permanentemente para a família Holanda naquele hospital; não havia erro possível.
Lá estava uma mulher deitada calmamente. Ela ainda não acordara; estava envolta em gazes e seu rosto belo estava pálido. Os cantos de seus olhos eram levemente puxados e, mesmo ferida, seus lábios mantinham um tom avermelhado — ela realmente se parecia com Ethan.
Mas não era ela. Era a mesma mulher que ele vira nos relatórios; pessoalmente, a semelhança com as fotos era ainda maior. Apenas isso.
Toda a sua impulsividade cessou bruscamente. O homem permaneceu estático no corredor por um longo tempo. Um vazio imenso voltou a dominar seu peito. Ricardo baixou o olhar, perguntando-se o que acabara de pensar. Ele já deveria saber que havia cometido um erro de identificação no passado.
Foi justamente porque aquela mulher tinha algumas semelhanças com sua amada que ele a incluíra na lista de buscas tempos atrás. Por isso ordenara que Silas a acomodasse nos hotéis da família. Ele não deveria esquecer, nem deveria desejar mais do que a realidade permitia.
Ethan realmente se parecia com a mãe. O fato de ele ter ficado ainda mais parecido com a mulher do passado era apenas uma coincidência possível. Ele deveria sentir-se grato. Embora a personalidade da Isabella atual tivesse mudado drasticamente, seu filho biológico carregava os traços de seu antigo amor. Isso deveria bastar; ele não deveria pedir por mais. Contudo, o arrependimento da juventude continuava enraizado em seu coração como um espinho cravado na alma.
Ricardo respirou fundo. Sob a luz clara, sua sombra escura se alongava pelo corredor, solitária. Ethan continuava dormindo em seu ombro. Crianças dormem por muito tempo, e ele sabia que o menino não acordaria tão cedo, assim como a mulher no quarto. Ricardo não os acordou. Ele instruiu a enfermeira para que, assim que a mulher despertasse, pedisse que ela retornasse à mansão. Então, virou-se e partiu com o filho.
Jasmine sofrera vários ferimentos nas costas, mas eram superficiais. A dor física não superava a preocupação com o filho. Ela deixou o hospital rapidamente e pegou um táxi de volta para a mansão ancestral dos Holanda.
Diferente da agitação de quando partira, a mansão estava agora mergulhada em um silêncio assustador. Os seguranças que haviam arrastado ela e o filho desapareceram, e a maioria dos empregados se escondia, sem ousar aparecer. Isabella e Vitor também não estavam em lugar algum. A ausência daquelas pessoas foi um alívio para Jasmine; ela não saberia como encará-los.
Foi então que ela avistou a Assistente Sun, que ficou surpresa ao vê-la de volta.
— O Sr. Ricardo e o Ethan foram ao hospital. Vocês não se encontraram?
Jasmine empalideceu, ficando tensa novamente.
— Por que o Ethan foi ao hospital? Ele está ferido?
— Eles foram ao hospital para ver você — explicou a assistente, percebendo a preocupação dela. — Ele teve um corte de vidro na mão esquerda, mas não foi nada grave e já foi enfaixado.
Ao ouvir isso, Jasmine desabou no chão, sem forças. Ethan se ferira tentando protegê-la. Como não amar uma criança tão dócil e dedicada?
Nesse momento, os outros funcionários da casa finalmente começaram a aparecer. Ninguém mais olhava para ela com a agressividade de antes; em vez disso, carregavam um medo profundo. Da última vez, por causa de uma palavra dessa mulher, a equipe anterior de empregados fora levada à ruína financeira. Desta vez, ela fora expulsa pela Srta. Isabella e, mesmo assim, conseguira voltar sã e salva. Até a criança, que antes era negligenciada, agora recebia a atenção pessoal do patrão. Ninguém ousava dirigir-lhe a palavra, temendo sofrer as consequências de seu rancor.