— É o Secretário Silas, o braço direito do Sr. Ricardo!
O pânico tomou conta dos rostos daqueles que antes assistiam ao espetáculo com malícia; todos ficaram subitamente atordoados. Os seguranças ao lado também ficaram pasmos. No entanto, lembrando-se de que cumpriam ordens da Srta. Isabella, um deles tentou se explicar imediatamente:
— Foi a Srta. Isabella quem nos ordenou que a levássemos para fora.
Silas, notando a quantidade considerável de sangue nas roupas de Jasmine, franziu o cenho profundamente.
— Levem-na de volta agora. Esta é uma ordem direta do Sr. Ricardo.
"Uma ordem do próprio Sr. Ricardo." Ao ouvirem esse nome, as pernas dos seguranças fraquejaram instantaneamente. Jasmine, por sua vez, lançou um olhar surpreso para o Secretário Silas.
Será que Ricardo finalmente concordara? Pensando bem, não havia razão para ele recusar. Para ele, o melhor seria que ambos partissem definitivamente. Quem realmente temia a partida deles e a perda de controle sobre a situação era Isabella. O fato de Ricardo, por uma vez, estar do lado dela não significava que ele se importasse com ela. Pelo contrário, era sinal de uma indiferença absoluta.
Ainda assim, Jasmine sentiu o alívio de quem acabara de escapar da morte e olhou para trás com urgência. Seu coração batia com uma mistura de euforia e ansiedade. Estava feliz por finalmente poder se reunir com o filho, mas, ao mesmo tempo, não confiava em Ricardo. Talvez, ao voltar, outro inferno a estivesse esperando. No entanto, ao menos aquela situação imediata terminara.
Ela se virou rapidamente para retornar à mansão em busca do filho. Assim que ela começou a andar, os seguranças a seguiram — desta vez, não com empurrões severos, mas com desculpas cautelosas e uma postura de proteção. Jasmine nem sequer notou os guardas; sua única preocupação era correr de volta.
Silas permaneceu no local, encarando as pessoas do lado de fora do portão com um olhar gélido.
— A família Holanda não é lugar para as vossas palhaçadas. Jasmine é um membro desta casa. O que vocês pensam que estão fazendo aqui?
Essa interrogação fez com que todos empalidecessem de pavor. O que estava acontecendo? Aquela Isabella não garantira com todas as letras que o Sr. Ricardo desprezava a mulher? Ela os convocara pessoalmente, dizendo que o patrão já a havia expulsado. E agora, o próprio Ricardo enviava seu secretário particular para buscá-la.
"Maldição! Maldita Isabella!", pensavam. Eles acreditaram que Jasmine fora realmente descartada; no fim das contas, tudo não passava de uma intriga de ciúmes entre mulheres. Isabella provavelmente tentara agir pelas costas de Ricardo, aproveitando sua ausência para expulsar Jasmine à força!
Aquela mulher estúpida estava prestes a matá-los de raiva. Que as irmãs brigassem por ciúmes era uma coisa, mas envolvê-los naquela confusão era imperdoável. Se Ricardo realmente se importasse com Jasmine, eles acabariam de ofender o próprio homem mais poderoso da cidade. O pavor tomou conta do grupo; o suor frio escorria.
— Não, não é nada disso! — tentavam explicar desesperadamente. — Secretário Silas, a Srta. Isabella nos disse que a Jasmine estava de partida, então viemos buscá-la. Sim, foi a Srta. Isabella quem nos chamou!
Silas não era tolo; sabia exatamente quais eram as intenções de Isabella. Sentindo um profundo asco, ele se voltou para as ex-empregadas:
— E vocês? Também vieram "buscar" alguém?
Aquelas mulheres já haviam ofendido a família Holanda antes e perderam tudo pagando as indenizações. Ao ouvirem de Isabella que Jasmine estava arruinada, vieram movidas pelo ódio e pelo desejo de vingança. Sob o olhar de Silas, elas pareciam prontas para cair de joelhos e implorar por misericórdia.
Ao ver que Isabella chegara ao ponto de convocar até antigas empregadas para humilhar a irmã, o desprezo de Silas por ela aumentou. Ele podia tolerar as táticas de ciúmes de antes, mas trazer estranhos para fazer algazarra e transformar a mansão em um circo era passar de todos os limites. Felizmente, a criança chorara desesperadamente chamando pela mãe, fazendo com que o Sr. Ricardo o enviasse a tempo. Caso contrário, um escândalo vergonhoso teria ocorrido.
Ele não entendia que tipo de feitiço aquela mulher jogara no Sr. Ricardo. Sem vontade de dirigir mais uma palavra àquela gente, Silas deu as costas e partiu.
Ao saber do que ocorrera, Isabella teve um surto de raiva em casa, quebrando tudo o que via pela frente.
— Eu sabia que não podia deixar o Ricardo ver o bastardo daquela vagabunda!
Isabella estava mergulhada em arrependimento. Por que Vitor não fora mais rápido? Por que perdera tempo discutindo com Jasmine? Maldito seja, eles acabaram se encontrando. Ao mesmo tempo, um medo profundo a consumia. Bastara um encontro com a criança para que Ricardo demonstrasse algum vestígio de sentimento.
Ela queria perguntar a Vitor o que exatamente acontecera. Por que, após um único olhar, Ricardo decidira levar o menino consigo? A criança nem sequer se parecia com ele. No entanto, aquele imprestável do Vitor estava agora com a perna e as costelas quebradas, inconsciente no hospital, impossibilitado de dar explicações.
O que mais a apavorava era que Ricardo, apenas por causa de algumas reclamações da criança, mandara buscar Jasmine de volta. Quem ele realmente queria ver: o filho ou Jasmine? Ninguém sabia. Enquanto Isabella andava de um lado para o outro ansiosa, Nian Sheng estava muito mais desesperada. Ela apertava os punhos com tanta força que as unhas cravavam na carne sem que ela sentisse dor. Seu coração transbordava ressentimento pela mãe e pelo filho.
"Ricardo ainda tem sentimentos por ela", pensou Nian Sheng. Se ele ficara naquele estado apenas ao ver a criança ferida, será que não faria a conexão com a mãe? Se apenas por causa do filho ela já garantira sua permanência na família Holanda, o que aconteceria se ele visse a própria Jasmine?
No momento, com a criança ferida, Ricardo talvez estivesse distraído. Mas assim que ele percebesse o quanto o menino se parecia com a mãe, ele iria imediatamente ao hospital para vê-la. Nian Sheng tinha um pressentimento terrível e avassalador. Sem perder tempo com Isabella, ela se afastou e fez uma ligação.
Do outro lado, na vila da família Holanda — uma residência próxima à mansão ancestral que pertencia a Ricardo e Isabella —, a situação era tensa. Havia uma equipe médica de ponta de prontidão, mas, ainda assim, os tremores da criança não paravam. Ethan não se importava com a dor na mão. Ele mordia os lábios até sangrar, encarando a multidão de estranhos ao seu redor, soltando soluços baixos e aterrorizados:
— Mamãe... Mamãe...
cof cof
... Mamãe!
Devido à agitação emocional, Ethan começou a tossir compulsivamente. Ele não ousava chorar alto, e seu rosto delicado estava vermelho de esforço. Até os médicos ficaram comovidos com a cena, imagine Ricardo. Ao ver aquele rosto expressando tanta dor e, ao mesmo tempo, uma vontade ferrenha de não demonstrar fraqueza, as memórias no fundo da mente de Ricardo tornaram-se insuportavelmente nítidas.
Seu coração parecia prestes a rasgar. Que trauma uma criança tão pequena levaria daquilo? Ricardo mal conseguia acreditar que Isabella fora capaz de ordenar tamanha crueldade. Ele respirou fundo, tentando reprimir as lembranças, com os olhos injetados de sangue. Ele olhou para Silas e perguntou:
— Ela chegou?
Silas baixou a voz para que o menino não ouvisse:
— Já enviamos pessoas para buscá-la, mas ela tem vários cortes de vidro pelo corpo e desmaiou no caminho. Já ordenei que a levassem para o hospital. Assim que ela acordar, organizaremos o encontro.