Vitor ficou atônito ao ouvir aquilo. A porta diante dele era de vidro; se ele a chutasse, os estilhaços certamente cortariam quem estivesse lá dentro. Havia o risco real de deixar alguém desfigurado por acidente. No entanto, ao hesitar, ele recebeu imediatamente um tapa no rosto desferido por Isabella.
A fúria de Vitor entrou em ebulição. "Sua idiota, quem você pensa que é para me bater?", pensou ele. Mas, como não podia revidar contra Isabella, descontaria tudo em Jasmine. Ele era, por natureza, alguém que sentia prazer em ver sangue. A ideia de ferir os dois logo o deixou excitado. Afinal, lá dentro estavam a mulher e o próprio filho de seu tio.
— Jasmine, entregue a criança agora, ou não serei responsável se os cacos te machucarem. Vou contar até três!
Jasmine abraçava o filho com todas as suas forças. Através da divisória de vidro fosco, ela via a silhueta alta e escura do lado de fora. Ela tentava ser forte, não querendo transparecer seu medo diante do pequeno. Aquelas pessoas lá fora eram aterrorizantes como demônios.
Ethan olhava para fora com lágrimas escorrendo pelo rosto, mas mordia os lábios, sem ousar soltar um único som. Tão pequeno, mas seus olhos já carregavam o mesmo ódio que os da mãe. Ele odiava aquelas pessoas por maltratarem sua mamãe e a deixarem triste.
O banheiro era pequeno demais; Jasmine e o bebê não tinham para onde fugir. Se o vidro quebrasse, cairia todo sobre eles. Jasmine apertava o celular, rezando para que Ricardo ligasse e impedisse aquilo. No entanto, o aparelho permanecia em silêncio absoluto. A ansiedade a corroia, mas ela não podia permitir que o filho se machucasse. No momento em que ela ia se levantar para dizer que não precisavam chutar, Vitor, sem sequer terminar a contagem, desferiu o golpe.
A fina parede de vidro não resistiu ao impacto do homem. Estilhaços choveram violentamente sobre eles. Jasmine imediatamente virou as costas e se encolheu, usando todo o seu corpo como um escudo para proteger o filho. Ethan abraçava o pescoço de Jasmine, esticando suas mãozinhas para tentar proteger a cabeça da mãe dos vidros que caíam.
Uma dor aguda e lancinante atingiu as costas de Jasmine. A quebra repentina do vidro fez com que as pessoas ao redor recuassem gritando, e logo manchas de sangue surgiram no chão. Isabella sentiu um pânico momentâneo. Jasmine e a criança pareciam feridas; covarde como era, ela mal ousava olhar. Contudo, o medo logo se transformou em prazer maligno. Ela apressou Vitor:
— Rápido! Pegue a criança!
Vitor olhou para a beldade ferida diante dele, achando que o sangue sobre aquela pele alva era uma visão magnífica. Jasmine parecia ainda mais bonita depois de ser mãe; sua aura tornara-se mais feminina e suas curvas eram impecáveis. Se não pudera possuí-la no passado, agora ela estava sob seu controle. O prazer de humilhar uma mulher tão bela era indescritível. Ele deu uma risada e arrancou a criança dos braços dela.
Jasmine estava com o corpo coberto de dores e não conseguia lutar fisicamente contra Vitor. Ele não se importava em machucar o bebê ao puxá-lo, mas ela sim. No entanto, no segundo seguinte, Vitor soltou um urro de dor. Ethan cravara os dentes com força na base do polegar dele. Ninguém imaginaria que uma criança tão pequena tivesse tanta força; o sangue jorrou na hora.
— Homem mau! — Ethan, que tinha um temperamento forte, gritava enquanto mordia.
Jasmine tentou puxar o filho de volta para trás de si, mas sete ou oito seguranças avançaram de uma vez, arrastando o menino que se debatia violentamente.
— Mamãe! Buááá! Eu quero a mamãe!
Por mais corajoso que Ethan tentasse ser, ele ainda era apenas um bebê. Isabella, vendo a cena, estava impaciente e sentia um profundo asco pelo rosto da criança. Não esperava que, após um ano, ele ficasse ainda mais parecido com Jasmine. Ela mesma avançou e ergueu o menino do chão com brutalidade.
As perninhas de Ethan chutavam o ar. Ele tentava atingir Isabella, mas recebeu um beliscão cruel no braço em resposta. Ethan tinha apenas um ano de idade; não tinha como suportar tamanha violência. Seu choro lancinante era de partir o coração. Os olhos de Jasmine estavam injetados de sangue; ela sentia vontade de matar cada pessoa ali presente. Isabella não era humana para tratar uma criança daquela forma.
Jasmine tentou avançar, mas foi agarrada pelos seguranças e arrastada em direção à porta dos fundos para ser expulsa da mansão. O pequeno corpo de Ethan, que ainda lutava desesperadamente, ficava cada vez mais longe. Jasmine sentia a alma sendo rasgada enquanto via seus inimigos levarem seu filho. O celular no chão permaneceu mudo o tempo todo. Ela desabou em prantos, percebendo o quão ingênua fora ao achar que Ricardo se importaria. Tudo o que Isabella estava fazendo tinha o consentimento dele. Ele era o verdadeiro mentor implacável por trás de tudo.
Vitor correu o mais rápido que pôde, carregando a criança para fora. Ele queria levar o menino para casa o quanto antes para provar seu valor. No entanto, o pirralho não parava de lutar, e tinha uma força considerável. Impaciente, Vitor o enrolou em um lençol para imobilizar seus membros e jogou um pano sobre o rosto dele para abafar o som. O choro silenciou-se sob o tecido e o menino apenas se contorcia.
Finalmente, Vitor teve paz. Contudo, em sua pressa para lidar com a criança, ele não olhou por onde ia e quase colidiu com alguém.
— Quem é?! — rosnou ele, irritado.
Uma silhueta alta, impecavelmente vestida em um terno, estava parada contra a luz, projetando uma sombra densa como nanquim. Vitor emudeceu instantaneamente. Um medo visceral tomou conta dele. Ele sempre temera esse tio, que era dois anos mais novo que ele, e o medo só aumentara agora que ele detinha o poder absoluto. As mãos de Vitor começaram a tremer e ele se desculpou profusamente:
— Tio Ricardo, mil perdões! Eu não vi por onde andava! A culpa é toda minha!
Ricardo estava ao telefone e nem sequer olhou para ele. Ouvindo o relato da Assistente Sun, ele assentiu:
— Pode ser. A herança permanece a mesma. Eu não chegaria ao ponto de querer o dinheiro deles.
Do outro lado, a assistente suspirou de alívio. Ela sabia que Isabella estava agindo por conta própria. Por mais que Ricardo não gostasse da criança, ele apenas evitava vê-los; não chegaria a perseguir uma mãe e um filho órfãos de proteção, nem roubaria o "dinheiro de bala" do menino. Só alguém mesquinho como Isabella pensaria nisso. Jasmine finalmente teria uma saída: poderia partir com o filho e a herança. A assistente tentou ligar para Jasmine imediatamente, mas, para sua agonia, a ligação não completava.
Ricardo desligou o celular e, antes de sair, lançou um olhar para o volume nos braços de Vitor. Vitor sentiu o couro cabeludo formigar. Naquele momento, ele finalmente teve a nítida percepção de que o pirralho irritante em seus braços era o filho biológico do homem à sua frente. Um filho legítimo. Ele fora levado pela empolgação de Isabella e agora percebia que aquela criança não era um brinquedo qualquer que pudesse maltratar. Mesmo que não se importasse, o tio Ricardo daria ao menos uma olhada ao encontrá-lo.
Vitor começou a suar frio, arrependido. E, momentos antes, seu comportamento com o menino fora desumano. Seu coração batia freneticamente, temendo que o tio o punisse ou mudasse de ideia sobre deixá-lo levar o garoto. No entanto, Ricardo apenas franziu o cenho. De fato, ele não se importava com o filho, mas, ainda assim, estendeu sua mão elegante e removeu o pano que cobria o rosto da criança e que poderia causar sufocamento.
Ethan imediatamente começou a tossir de forma violenta, com o rosto vermelhinho pela falta de ar. Sua face estava banhada em lágrimas. Seus olhos amendoados e amendoados estavam injetados, e seus lábios desenhados estavam feridos por suas próprias mordidas. Ele tossia e chorava ao mesmo tempo, mas, sem se dar por vencido, abriu a boca tentando morder Vitor novamente. Seus caninos pequenos e pontiagudos eram adoráveis — e lembravam demais a mulher que Ricardo amara profundamente.