Jasmine baixou a cabeça e seguiu a Assistente Sun, passando apressadamente por trás dele. Seu cabelo preto, que estivera preso em um coque, soltara-se devido ao tumulto da tarde. Os fios caíam como uma cascata de ébano, cobrindo grande parte de suas bochechas pálidas e de seus ombros.
Ricardo não deu o menor sinal de que se viraria; permaneceu o tempo todo de costas para elas, com o olhar baixo. Desde aquela noite, era a primeira vez que ficavam tão próximos um do outro. Ao passarem um pelo outro, o aroma familiar fez a mão de Ricardo, que segurava o celular, travar subitamente. Todo o seu corpo enrijeceu.
Aquele perfume, após tanto tempo, tornara-se quase estranho, mas foi capaz de invadir sua mente instantaneamente, despertando memórias gravadas a ferro e fogo em sua alma. O celular escorregou da ponta de seus dedos e ele se virou bruscamente, em total descrença.
No entanto, a silhueta de Jasmine já havia desaparecido para dentro do quarto. Em seu lugar, surgiu Isabella, que saiu correndo do cômodo e se atirou em seus braços, chorando como se tivesse sido vítima de uma injustiça terrível.
— Ricardo! Eu me arrependi, na verdade eu não gosto de crianças! Eu não aguento mais! Aquele bebê não se parece nada com você, eu realmente não quero criá-lo. Ele não tem afinidade comigo e não tem os seus traços. Não dá nem para dizer que é seu filho legítimo!
Isabella chorava e fazia birra. Em suas roupas, ainda restava um vestígio do perfume suave de Jasmine, deixado no momento em que se cruzaram. Ricardo, inalando aquela fragrância familiar enquanto olhava para a Isabella transtornada à sua frente, finalmente despertou de seu transe.
"No que eu estava pensando?", questionou-se. Sua amada estava bem ali, diante dele. Talvez a insônia severa dos últimos dias estivesse pregando peças em sua mente. De tempos em tempos, qualquer rastro de algo familiar o fazia perder o sentido da realidade e ter alucinações. Ou talvez fosse apenas a saudade avassaladora da mulher que ele amara no passado.
Ricardo baixou o olhar e consentiu imediatamente com o pedido dela:
— Tudo bem. Então não o criaremos.
Ao ver que ele concordara tão prontamente, Isabella sorriu vitoriosa. O sufocamento que sentira durante todo o dia desapareceu em um instante.
Dentro do quarto, Jasmine estava ansiosa para ver o filho. Ao ouvir o choro da criança, sentiu um aperto no peito. Ela atravessou a multidão e tomou o bebê nos braços. O perfume dela era fresco e terno. Talvez ao sentir o cheiro familiar da mãe, o bebê abriu os olhos, encarou Jasmine e parou de chorar.
Os dois se pareciam muito. Unidos pelo sangue, ele era a pessoa mais próxima a ela neste mundo — e a única que nunca a abandonara. O coração de Jasmine amoleceu e ela tocou gentilmente a bochecha do pequeno. O bebê sorriu; até o formato de sua boca ao sorrir era idêntico ao de Jasmine, como uma pequena nuvem rosada e macia. Pouco depois, ele adormeceu profundamente em seu colo.
Ao lado, o Sr. Antônio observava tudo e assentia mentalmente. Isabella era instável; ele não se sentia seguro entregando a linhagem dos Holanda aos cuidados dela. Ele próprio poderia cuidar, mas havia o abismo das gerações. Uma criança não poderia crescer sem a mãe.
Enquanto Jasmine ninava o bebê, ouviu a voz do Sr. Antônio:
— Vou acrescentar mais dez milhões. Fique e cuide dele por três anos.
Qualquer palavra do patriarca era uma ordem. Uma chama de esperança se acendeu no coração de Jasmine, que olhou para ele surpresa.
— Eu posso?
Cuidar do próprio filho era tudo o que ela mais desejava. Os primeiros anos de vida são cruciais e ela não queria que o menino crescesse sem o amor materno. No entanto, ela olhou para a porta com preocupação; não sabia se Ricardo concordaria com aquilo. O Sr. Antônio percebeu sua hesitação e acenou com a mão, sorrindo:
— De agora em diante, você morará na mansão ancestral para criar o bebê. Ricardo e Isabella que voltem para a casa deles. Vocês não precisarão se encontrar.
O velho estava bem-humorado. Este era o seu octogésimo aniversário e ele de fato exigira que Ricardo morasse com ele por um ano, mas agora que tinha um bisneto para lhe fazer companhia, não precisava mais da presença daquele neto ocupado.
Com a garantia do Sr. Antônio, a ansiedade que pesava sobre Jasmine finalmente se dissipou. Ela passaria três anos na mansão ancestral com o filho, sem ter que encarar Ricardo ou Isabella. Ela se esforçaria para dar todo o amor ao pequeno e manteria distância daquele pai irresponsável.
Naquela mesma noite, a notícia de que Jasmine dera à luz um herdeiro legítimo dos Holanda espalhou-se como pólvora. Muita gente ficou boquiaberta; ninguém esperava que o bebê fosse realmente de Ricardo, e muito menos que fosse um menino. A sorte dela parecia ter mudado drasticamente. O fato de ela não ter sido expulsa após o parto e estar instalada na mansão ancestral calou os sussurros maldosos da sociedade.
"E daí que ela é a substituta?", pensavam agora. Ao menos Jasmine conseguira subir na vida graças à maternidade. Todos sabiam que os Holanda valorizavam a descendência acima de tudo. Com o primogênito nos braços e morando sob o mesmo teto que a elite da família, bastava Ricardo demonstrar um pingo de interesse no filho para que a chama entre eles pudesse reacender.
Muitos olhares voltaram-se para Isabella com dúvida. Entre as duas irmãs, parecia que Jasmine seria a vencedora final. Aqueles que haviam ofendido Jasmine começaram a entrar em pânico. Sabendo que ela estava protegida na mansão ancestral e que eles não tinham acesso a ela, alguns começaram a enviar dinheiro aos pais de Jasmine como forma de compensação.
Mesmo sem sair da mansão, a conta bancária de Jasmine recebeu vários depósitos de milhões. No total, a soma já passava dos quatro milhões. O maior depósito, curiosamente, veio de Diego Rocha, que tentara ligar para ela desesperadamente nos últimos dias, sem sucesso.
Se fosse a Jasmine de antigamente, ela ficaria apavorada com tamanha quantia e tentaria devolver tudo, pois não queria perdoá-los e, portanto, não aceitaria o dinheiro. Mas agora, ela aceitava tudo com tranquilidade. Daqui a três anos, quando deixasse os Holanda, o dinheiro seria sua única segurança. Ela precisava construir seu próprio futuro. Quanto ao risco de essas pessoas tentarem reaver o dinheiro mais tarde... que viessem pedir para a família Holanda.
Aos olhos do mundo exterior, Isabella estava perdendo feio. Teve sua vida de luxo roubada por Jasmine no passado e, agora que voltara, a posição na família mais poderosa do país já fora ocupada pela outra. Isabella parecia não ter astúcia suficiente; não conseguira nem impedir que o bebê nascesse. Recentemente, muitos começaram a evitar Isabella para tentar bajular Jasmine, hesitando em qual lado escolher.
Isabella estava à beira de um colapso. Ela sentia que Jasmine estava vencendo aquela rodada e sabia que muitos esperavam para rir de sua cara. Incapaz de suportar a atenção negativa, ela se trancou no quarto e ligou para sua amiga Nian Sheng, chorando:
— Por que isso está acontecendo? Ela é só a filha de um motorista! — reclamava, sentindo-se humilhada por ser comparada a Jasmine. — Mesmo que o velho tenha dito que moraremos em casas separadas, eu não fico tranquila. Você não tem ideia de como aquele pirralho se parece com ela; ver os dois juntos é irritante demais. Agora ele é pequeno e precisa da mãe, mas e quando crescer? E se ele começar a chorar e pedir pela mãe o tempo todo? O Ricardo me trata bem, mas não quer me tocar. Se continuar assim, o filho da Jasmine vai acabar herdando tudo!
Isabella tagarelou por um longo tempo, mas Nian Sheng permaneceu em silêncio absoluto do outro lado da linha. O sinal de alerta soava na mente de Nian Sheng. Após um longo silêncio, ela perguntou com incredulidade:
— Você está dizendo que... o bebê é a cara da Jasmine?
— Sim! É do tipo que você olha para a criança e lembra da Jasmine na hora!