Assim que o Sr. Antônio se retirou, Isabella perguntou apressadamente:
— O que isso significa?
Vitor já estava com o corpo mole de pavor; se o patriarca decidisse investigar o mentor intelectual, certamente chegaria até ele. Ele estava servindo de bode expiatório para Isabella. Ao olhar para o rosto comum dela agora, seus olhos brilharam com ódio. Maldita fosse! Ele tinha vontade de lhe dar um tapa que a jogasse do terceiro andar. Tudo era culpa dela. Fora ela quem o ofendera ao dirigir mal no início, e agora o colocava nessa situação perigosa.
No entanto, isso era apenas imaginação. Isabella tinha a proteção do tio Ricardo e ficaria bem; ele ainda precisava ter paciência para explicar:
— A regra da família exige ficar de joelhos diante da placa ancestral do bisavô por um dia e uma noite inteiros, além de levar cem golpes de vara de bambu na palma da mão.
— Cem golpes! A mão incha como uma pata de porco, você não consegue movê-la por um mês! — Embora Vitor gostasse de torturar os outros de forma cruel, ele próprio morria de medo da dor. — É claro que se pode optar por não seguir a regra, mas isso significa abrir mão da proteção da família Holanda para sempre.
Vitor não ousava desobedecer. E o mais importante: após o escândalo de hoje, todos haviam perdido a confiança do Sr. Antônio. No futuro, quando houvesse oportunidades na família, o velho certamente não pensaria neles primeiro.
Ao ouvir isso, Isabella revoltou-se imediatamente. Ela era extremamente sensível à dor; como suportaria tal sofrimento? Ela nem sequer era uma Holanda, por que aquele velho queria puni-la também? "Será que aquela raposa velha desconfia que fui eu?", pensou, desesperada. Ela tinha pavor real do patriarca, especialmente agora que Ricardo não estava por perto para protegê-la. Mas também não ousava desafiar a regra; se declarasse sua saída da família antes mesmo de entrar oficialmente, nunca mais cruzaria aquele umbral.
Quanto mais pensava, mais raiva Isabella sentia. A culpa era toda de Jasmine; tudo o que acontecera hoje fora por causa dela. Se Jasmine não fosse tão promíscua a ponto de ninguém saber de quem era o filho, ninguém estaria sendo punido assim.
Logo, os outros foram levados com rostos cadavéricos para o templo ancestral ao lado; até os celulares foram confiscados. Isabella estava apavorada. Antes de entregarem os aparelhos, ela enviou uma mensagem trêmula para Ricardo:
【Socorro! Ricardo, me salve!】
Jasmine e o Sr. Antônio também entraram no templo. O local exalava um ar clássico e solene, mantido em perfeito estado ao longo dos anos. Todos os jovens descendentes estavam ajoelhados em fileiras, de frente para as placas ancestrais no centro. Jasmine observava a cena atrás de um biombo translúcido, ao lado do Sr. Antônio.
Isabella estava bem no centro do grupo. Embora seu rosto estampasse humilhação e uma vontade imensa de protestar — lançando olhares ressentidos em direção ao biombo de tempos em tempos —, ela não tinha escolha a não ser permanecer de joelhos. O piso era feito de pedras especiais, irregulares e extremamente duras, que faziam seus joelhos latejarem de dor.
Contudo, os joelhos de Jasmine doíam ainda mais. Após ser prensada ao chão pelos empregados, suas pernas estavam cobertas de hematomas roxos. Ao ver o estado de Isabella, ela não sentiu grande alívio. Não era o suficiente. Ela e o filho sofreram demais; apenas ajoelhar-se não bastava. A humilhação de Isabella não era nada comparada ao que ela passara. Ela queria vê-la ser castigada fisicamente.
O sentimento de Jasmine era complexo. Antes, sentia uma culpa profunda por ter "roubado" a vida boa que pertencia a Isabella. Por isso, tentara ser boa para ela, suportando seus caprichos e concordando em devolver todas as suas joias. Mas aquela culpa fora completamente extinta durante a tortura desta última semana. Ela sentia pena dos outros, mas ninguém sentia pena dela. Ninguém a tratava como um ser humano com sentimentos; ela precisava proteger a si mesma.
Logo, a Assistente Sun avançou. Ela retirou uma vara de bambu de uma gaveta longa e olhou para o Sr. Antônio atrás do biombo. Com um aceno de cabeça do patriarca, ela começou a aplicar a punição. O primeiro foi Vitor. Ele ergueu a mão sem ousar recuar; o som da vara atingindo a carne era rápido, seco e estridente.
Apesar de ser robusto, Vitor não conteve os gritos de dor. E aquele era apenas o primeiro golpe; os outros vieram um após o outro, sem dar tempo para respirar. A voz de Vitor chegou a mudar de tom por causa da agonia.
Jasmine sempre tivera medo de Vitor. Para os Almeida, ele era uma figura intocável, alguém cujo menor descontentamento poderia causar uma tragástrofe. Mas, ao vê-lo naquele estado, seu medo diminuiu consideravelmente. Ela não era mais alguém que Vitor pudesse humilhar ou "entregar" para outros a seu bel-prazer. Nem que fosse apenas pela honra do bisneto dos Holanda, o Sr. Antônio não permitiria mais que ela fosse tratada daquela forma.
Ao ver a mão de Vitor sangrar gradualmente, Jasmine soltou um longo suspiro de alívio. Parecia que, finalmente, ela poderia se afastar de todos eles e viver uma vida comum. Estes eram seus últimos momentos na casa dos Holanda, e ela só queria que a punição fosse concluída. O fato de o idoso tê-la chamado para assistir indicava que ele reconhecia o sofrimento dela e da criança hoje.
Jasmine sentia-se ansiosa, olhando constantemente para a porta. Rezava para que Ricardo não voltasse naquele momento. A Assistente Sun era rápida, mas havia gente demais ali. Jasmine começou a se sentir exausta; após o parto e tudo o que enfrentara hoje, suas pernas quase não a sustentavam. Mas ela mantinha o foco: precisava ver Isabella ser punida. Isabella tinha o apoio de Ricardo, então Jasmine não podia tocá-la. Somente na ausência dele, com o Sr. Antônio no comando, seria possível vê-la sofrer alguma consequência. Era sua única chance; não haveria outra.
Jasmine torcia mentalmente para que tudo corresse rápido, sem imprevistos. Finalmente, a Assistente Sun sinalizou para que Isabella se levantasse e avançasse. Isabella tremia inteira. Olhava para a vara com ódio e mantinha os lábios cerrados, recusando-se a mover.
A assistente franziu o cenho:
— Pretende desafiar as regras da família?
— N-não... — Isabella, suando frio, tentava ganhar tempo. — Eu só não consigo me levantar... me deixe descansar um pouco.
E de fato, ela mal conseguia; a dor nos joelhos era aguda. Se antes ela fingira torcer o pé diante de Ricardo, agora a dificuldade era real. Praguejando internamente, ela começou a se levantar com movimentos extremamente lentos e penosos, chegando a cambalear e cair sentada novamente algumas vezes.
Mas, por mais que procrastinasse, ela acabou parando diante da Assistente Sun, encarando-a com um olhar carregado de rancor. A assistente, que seguia apenas as ordens da família, já erguera a vara.
No entanto, no momento seguinte, exclamações de surpresa ecoaram atrás do biombo. Não eram vozes de alegria, mas de um respeito e temor profundamente enraizados.
— Sr. Ricardo.
— O Sr. Ricardo veio pessoalmente!
Jasmine viu a vara nas mãos da assistente parar no ar. Seu coração afundou. Por muito pouco. Ela olhou para a entrada, inconformada. Por trás do biombo, viu a silhueta de um homem alto entrando com passos firmes. Lá fora ainda chovia forte; Ricardo trazia consigo a umidade e o frio da chuva, com um olhar gélido e cortante.
Ele chegara rápido demais. Por instinto, Jasmine recuou um passo, escondendo-se atrás do Sr. Antônio. Não queria encarar Ricardo nem ser humilhada por ele novamente. Para sua sorte — se é que se podia chamar assim —, os olhos dele nunca estavam voltados para ela. Ele passou pelo biombo sem olhar para os lados, indo direto para o centro do templo onde os parentes estavam ajoelhados.
Ninguém ousava dizer uma palavra. Apenas Isabella desatou a chorar, com lamentos que Jasmine conseguia ouvir perfeitamente. Ricardo, embora fosse um homem de temperamento frio, demonstrava uma paciência incomum com Isabella. Sua voz soou firme e decidida:
— Pare de chorar. Vou investigar o que aconteceu hoje. Vamos para casa.
Ninguém se atreveu a impedi-los; até o Sr. Antônio apenas observou Ricardo levar a mulher embora. Jasmine, atrás do biombo, sentiu-se dominada por uma sensação total de impotência. Sempre era o Ricardo. Com a chegada dele, Isabella nunca seria punida. Mesmo que ele descobrisse a verdade, será que ele realmente a castigaria? Todo o esforço de Jasmine fora em vão.
Ela olhou para o Sr. Antônio, buscando uma última confirmação, mas o idoso apenas disse com um sorriso enigmático:
— Ricardo, não vai ver o seu filho? Ele é um legítimo Holanda, é muito adorável e se parece muito com você.