Jasmine sentia o corpo desfalecer. Diante dela, as pessoas que instantes antes a humilhavam, bem como ao seu filho, agora exibiam rostos tomados pelo pavor. Isabella, em particular, desabara sentada no chão, em total descrença.
O sufocamento que Jasmine sentira finalmente começou a se dissipar. Ela sempre temera que alguém pudesse adulterar o laudo de DNA, e seu pressentimento se confirmara da pior forma. Felizmente, ela tivera a cautela de procurar o Sr. Antônio naquela tarde, implorando para que ele buscasse secretamente outras instituições para realizar os exames. Do contrário, ela nem ousava imaginar qual seria o seu fim agora.
Os membros da família Holanda presentes no salão perderam a voz. Olhavam-se entre si, aterrorizados. Eles já eram figuras periféricas no clã; o Grupo Holanda era dominado inteiramente por Ricardo, e ninguém tinha voz ativa diante dele. Haviam comparecido com a intenção de agradá-lo. Como ele não viera, bajular Isabella parecia o caminho óbvio. Parte da crueldade contra Jasmine fora uma tentativa de ganhar pontos com Isabella.
Quem poderia prever tal reviravolta? Embora Ricardo desprezasse Jasmine, aquele bebê era agora, sem sombra de dúvida, seu sangue legítimo. O único filho homem do atual patriarca do clã... o peso dessa linhagem era infinitamente superior ao de qualquer um daqueles parentes distantes. Jasmine era deslumbrante; e se Ricardo, por causa da criança, resolvesse mudar de ideia e aceitá-la? Eles sentiam um calafrio na espinha só de pensar nas consequências de seus atos.
No entanto, havia outra pessoa no recinto tomada por um terror diferente. Nian Sheng permanecia afastada da multidão, sem ter participado das agressões. Seu olhar trêmulo estava fixo na nuca de Jasmine. Ninguém mais notara, mas Jasmine possuía, exatamente no mesmo lugar que Isabella, a tatuagem de uma borboleta negra.
Ricardo identificara a "mulher dos sonhos" por aquela tatuagem. Ao aproximar-se de Isabella nos últimos tempos, Nian Sheng percebera que, embora aos olhos do mundo ele a cobrisse de riquezas, Ricardo não era íntimo da suposta amada. Nian Sheng chegara a se alegrar secretamente com isso, pensando que a "mulher dos sonhos" da juventude se tornara alguém comum ao crescer. Mas agora, o pânico a dominava. Jasmine tinha a mesma marca. Nian Sheng fora quem "entregara" Jasmine a Ricardo naquela noite; ninguém conhecia as circunstâncias melhor do que ela. E se Ricardo estivesse procurando a pessoa errada o tempo todo?
— O bebê pegou um resfriado e tem contusões nas articulações. Felizmente, o socorro foi imediato e não haverá sequelas graves.
Uma equipe de médicos trabalhava incansavelmente ao redor do recém-nascido até que, finalmente, ele parou de chorar e adormeceu. Desde que soubera que aquele era seu bisneto legítimo, a atitude de Antônio Holanda mudara completamente. Seu olhar agora não tinha mais vestígios de julgamento ou frieza; ele segurava a criança com um carinho imenso e uma cautela extrema.
O bebê, fazendo jus ao sangue que carregava, parecia sentir afinidade com o patriarca. Sua mãozinha clara e macia agarrava o polegar do idoso enquanto dormia profundamente em seu colo. Aquela cena tocou a parte mais terna do coração de Antônio, que o observava com satisfação crescente.
— Ele é lindo — sussurrou, mantendo as mãos envelhecidas imóveis para não acordá-lo, enquanto sorria para o bebê. — Veja o perfil dele... não lembra o Ricardo quando pequeno?
A Assistente Sun agachou-se para observar e assentiu sorrindo:
— O Sr. Ricardo sempre teve o nariz alto e a pele muito branca. É o filho dele, sem dúvida; o nariz é idêntico. E os membros são longos e finos.
Ao dizer isso, a assistente sentiu uma ponta de pesar. A criança era tão pequena e já sofrera contusões; ela temia que aquilo deixasse alguma marca. Ao ouvir isso, Antônio sentiu o sangue ferver ao ver os braços avermelhados e arroxeados do pequeno. Era o primeiro dia de vida dele. Se não tivesse uma boa constituição física desde o útero, ele poderia ter morrido de febre após o choque térmico da chuva.
Jasmine também recebera medicação após o parto e o resfriado. Com os joelhos devidamente tratados, ela tomava um caldo fortificante ao lado. Os dez milhões ainda não haviam caído em sua conta porque suas contas antigas eram controladas pela família Almeida; ela pretendia abrir uma nova conta no dia seguinte e partir assim que o dinheiro chegasse, para longe daquelas pessoas assustadoras.
Observando o carinho do idoso, ela não sentia gratidão, apenas um leve alívio. Desejava apenas que os Holanda cuidassem bem da criança. Mas, lembrando-se do ocorrido, ela decidiu falar. Foi sua primeira denúncia direta.
— Sr. Antônio, não me sinto segura sabendo que pessoas que feriram o bebê podem vir a cuidar dele no futuro. Se eu não tivesse segurado meu filho, eles o teriam jogado no chão, tirando-o do cobertor.
Jasmine estava genuinamente furiosa. Os empregados a empurraram com violência proposital e tentaram arrebatar a criança de seus braços para lançá-la longe. Se ela não tivesse protegido o filho, ele poderia ter sofrido fraturas graves. A malícia era palpável; fora intencional. Nenhuma criança deveria ser tratada assim, independentemente de sua linhagem. Ela sabia que a hostilidade geral se devia ao desejo de todos de agradar Isabella. Isabella era a raiz de toda aquela crueldade, e Jasmine suspeitava que a fraude no DNA fora obra dela. Antes de partir, ela não deixaria que aqueles que os feriram saíssem impunes.
Antônio não sabia desses detalhes sórdidos. Achava que o bebê se machucara no tumulto, mas ao ouvir o relato, suas sobrancelhas se ergueram em fúria.
— Isso é inaceitável!
Ele bateu com sua bengala de cabeça de dragão no chão e levantou-se. Mesmo com a idade, sua presença ainda era imponente. A raiva do patriarca silenciou a todos. Do lado de fora do escritório, os parentes que aguardavam de castigo começaram a suar frio. Ninguém ousava pedir clemência; sabiam que Antônio prezava a descendência acima de tudo, especialmente a de Ricardo. Estavam furiosos entre si, sem entender como alguém fora tão estúpido a ponto de falsificar um laudo de forma tão amadora e vulnerável, acabando por envolver a todos.
Com o som rítmico da bengala se aproximando, os descendentes mal ousavam respirar. Antônio percorreu o grupo com o olhar, detendo-se por alguns segundos no rosto pálido de Isabella antes de desviar. "Algo desprezível", pensou ele. Com sua experiência de vida, ele entendia exatamente o que ocorrera. Aquilo era fruto de uma mente pequena, burra e maldosa que, antes mesmo de entrar na família, já tentava atentar contra o sangue dos Holanda. Ele sempre achara que Ricardo tinha bom gosto, mas agora questionava o que acontecera com o neto. Em contrapartida, passara a ver Jasmine com outros olhos: ela não era tola e prestara um serviço à família ao dar à luz um herdeiro.
Ele anunciou a punição com uma voz que não admitia contestação:
— Todos os empregados que tocaram neles hoje serão expulsos. Amanhã, o departamento jurídico do Grupo Holanda entrará com processos; quero que percam até o último centavo que possuem.
Ao ouvir isso, gritos de desespero vieram dos empregados no corredor. Eles clamavam por misericórdia, incapazes de aceitar que anos de serviço seriam jogados fora com uma punição tão severa por causa de uma mulher. Os Holanda não demonstravam um pingo de consideração pelo passado. Alguns ainda gritavam que o bebê não era legítimo, mas suas vozes foram abafadas pelos seguranças da mansão, que os arrastaram e os jogaram na noite chuvosa sem piedade.
A cena fez os outros membros da família tremerem. Ninguém ousou defender os empregados, nem mesmo aqueles que os haviam criado desde a infância, por medo de atrair a fúria para si. Antônio continuou com as ordens:
— Investiguem cada funcionário do laboratório que participou do exame. Quero o mentor intelectual punido severamente. Quem ousa mexer com um bisneto dos Holanda apodrecerá na cadeia. E quanto a vocês... — O patriarca olhou para os parentes ao redor. — Vocês violaram o terceiro artigo das regras da família. Todos para o templo ancestral receber o castigo físico!
Isabella ficou confusa ao ouvir sobre "regras da família"; os Almeida não tinham nada parecido. Ela não imaginava que uma família tão moderna pudesse ser tão tradicional a ponto de manter punições corporais. O que seria o castigo? Ela pensou que talvez tivessem que copiar textos ou algo do gênero. Mas, ao ver o rosto de pavor e arrependimento das pessoas ao seu redor, seu coração deu um solavanco de medo.