Isabella sentia-se um pouco desorientada, mas, para sua sorte, Ricardo não disse nada para contestá-la.
— Vamos esperar pelo resultado — limitou-se a dizer ele.
— Está bem.
Isabella não ousou insistir na expulsão de Jasmine; no fundo, ela ainda tinha um certo temor dele. Retirou-se do local demonstrando sua insatisfação. Ricardo permaneceu encostado na parede, sua silhueta solitária no corredor mal iluminado.
Ele teoricamente encontrara quem procurava. Mas, por mais que tentasse, não conseguia conectar a Isabella atual com a mulher que amara no passado. As coisas mudam, as pessoas mudam. O amor e o ódio, por mais intensos que fossem, pareciam não encontrar um lugar real para pousar.
"Será que é ela mesma?", questionava-se. Ela dissera uma vez que esqueceria muitas coisas no futuro. A doença também poderia alterar drasticamente a aparência de alguém, mas seria possível a essência de uma pessoa mudar por completo?
Ele vivia em uma luta interna diária. Não queria duvidar dela, mas não conseguia encontrar sequer um vestígio da mulher de outrora. Ele ligou para o Secretário Si.
— Você descobriu algo?
— Sim, senhor. Estou enviando agora os dados de todas as pessoas com quem ela teve contato no exterior. Muitas delas possuem tatuagens.
O secretário enviou o e-mail organizado, sem ousar dizer mais nada. "Será que o patrão suspeita que Isabella não é a pessoa que ele procura?", pensava ele, suando frio. Mas, refletindo bem, fazia sentido. Em tantos anos, a personalidade e a aparência mudaram demais; confiar apenas em uma tatuagem e na localização geográfica não era totalmente seguro. Talvez Ricardo suspeitasse que a tatuagem de Isabella não fosse única, mas algo feito em conjunto com amigos ou colegas. A verdadeira amada poderia estar entre os colegas de intercâmbio.
Na verdade, o que o Secretário Si nunca tivera coragem de dizer era que ele também achava que Isabella não se encaixava no perfil. Afinal, a única mulher com quem Ricardo realmente tivera um envolvimento íntimo fora Jasmine — e ninguém sabia de onde ela viera. Comparada a uma beleza estonteante como a de Jasmine, Isabella estava em um patamar completamente inferior. Os gostos de um homem poderiam mudar drasticamente assim?
Jasmine já estava de volta à mansão dos Holanda, aguardando o resultado do teste de DNA. Assim que o recebesse, ela ganharia os dez milhões. Seu corpo estava muito magro; mesmo após o parto, sua silhueta não mudara, mas seu rosto estava pálido e a estrutura esguia parecia não preencher as roupas largas que vestia.
No escritório de estilo clássico e solene, ela parecia tão frágil que poderia se desfazer com um sopro de vento. Ainda assim, esforçava-se para manter a postura enquanto observava o Sr. Antônio segurando seu filho. O resultado ainda não saíra. Antônio olhava para o bebê com um olhar analítico, não como quem observa um bisneto ansiosamente aguardado.
A maioria dos recém-nascidos não é muito bonita, mas o filho de Jasmine era branquinho e delicado, com traços refinados. Era fácil imaginar que ele se tornaria uma criança adorável. No entanto, o patriarca procurou por muito tempo e não encontrou nenhum vestígio de Ricardo no bebê.
— Ele se parece com você.
Jasmine assentiu. De fato, ele se parecia com ela. Isso era bom. Ela não queria que o filho pelo qual tanto sofrera se parecesse com o homem que a humilhara repetidamente.
Antônio não se importava tanto com a aparência. A beleza e o nível educacional de Jasmine eram adequados. Embora sua origem fosse humilde, ela não mancharia a linhagem dos Holanda; parecer-se com ela não era ruim. O importante era que o sangue fosse realmente dos Holanda.
Faltavam apenas algumas horas para o resultado. Com um gesto imponente, o patriarca sinalizou para que todos saíssem. Jasmine, porém, permaneceu.
— Sr. Antônio, tenho um pedido a fazer.
Antônio olhou para ela surpreso e, lentamente, assentiu.
Ao entardecer, a mansão ancestral estava agitada. O resultado do teste finalmente estava prestes a sair. Tratando-se do futuro herdeiro da família, os jovens membros do clã Holanda residentes na capital reuniram-se no local, criando um movimento raro. Qualquer uma daquelas pessoas, individualmente, era uma figura de destaque e prestígio na sociedade.
Vitor Holanda também compareceu, mas sem qualquer traço de sua arrogância habitual. Seu rosto sombrio estava mais magro e ele agia de forma retraída. No recinto estava Heloísa Holanda, outra neta direta do patriarca; Vitor era apenas neto do irmão de Antônio.
Heloísa lançou um olhar de desdém para Vitor:
— Sobrinho, onde andou aprontando desta vez?
— Não fiz nada ultimamente — respondeu ele, verdadeiramente acuado.
Vitor estava apavorado. Ele não entendia por que tivera tanto azar a ponto de as duas mulheres que ele decidira humilhar serem ligadas ao seu tio Ricardo. Felizmente, ele sabia quando recuar; naquela noite, dera vários tapas no próprio rosto e passara a noite de joelhos, transferindo todo o seu dinheiro para Isabella e garantindo total lealdade futura. Do contrário, nem sabia se estaria vivo hoje.
Ao menos agora ele contava com a proteção de Isabella, a verdadeira "mulher dos sonhos" de Ricardo. Jasmine, embora também estivesse sob a esfera de influência do tio, era desprezada por ele e, até o momento, não fizera nada contra Vitor. Mesmo assim, ele estava inquieto, olhando constantemente para o andar de cima.
Os convidados conversavam e tomavam chá no primeiro andar, comentando que quase ninguém vira Jasmine. Ela passara todo o tempo trancada no quarto e, depois, ficara no hospital sem permitir visitas. Alguém murmurou insatisfeito:
— Que demora. Por que ela ainda não desceu?
— Quem ela pensa que é para nos fazer esperar?
Um primo mais jovem comentou entre risos:
— Provavelmente ficou horrorizada com a própria aparência após o parto e não quer ser vista. Deve estar com medo de que o primo Ricardo sinta nojo dela.
— Você acha que o Ricardo se importa? Ele nem apareceu.
Todos olharam ao redor e notaram que Ricardo realmente não estava presente; apenas Isabella comparecera. Isabella vestia trajes de luxo e mantinha o queixo erguido, sentada no lugar de destaque. Ela trouxera sua nova amiga, Nian Sheng, da família Nian. Teoricamente, não se trazia estranhos a tais ocasiões, mas como se tratava de Isabella e da família Nian, que era próxima dos Holanda, ninguém objetou.
Isabella estava no auge de sua glória. Até mesmo os orgulhosos membros da família Holanda tentavam puxar conversa, esforçando-se para agradar a futura senhora da casa. Contudo, Isabella quase não percebia os elogios. Suas mãos sob as mangas tremiam incontrolavelmente — talvez de empolgação, talvez de medo, ou ambos. Ela mantinha os olhos fixos no andar superior, conversando em voz baixa com Nian Sheng.
Até que a figura familiar surgiu. Uma babá carregava o bebê, e Jasmine vinha logo atrás, vestindo roupas casuais brancas extremamente simples. Mas, quanto mais simples a roupa, mais transparecia sua beleza natural; o tecido largo não conseguia ocultar as curvas de seu corpo. Jasmine estava sem maquiagem, com os cabelos negros presos casualmente, revelando um pescoço elegante. Seus traços eram esculpidos e belos de forma natural, tornando impossível desviar o olhar.
Assim que ela apareceu, o burburinho no primeiro andar cessou instantaneamente. Isabella, incomodada com a atenção voltada para a irmã, falou primeiro:
— Irmã, venha sentar-se aqui comigo com o bebê.
Nesse momento, uma criança falou com a sinceridade típica da idade, e sua voz ecoou pela sala:
— Elas não nasceram no mesmo dia? Por que a "irmã feia" está chamando ela de irmã?
O comentário fez com que todos ao redor tentassem segurar o riso. Os pais da criança taparam sua boca imediatamente, pedindo desculpas nervosas a Isabella. Isabella ainda não era oficialmente da família, então não podia explodir de raiva; fingiu generosidade e indiferença, mas suas mãos quase rasgaram o estofado do sofá.
Jasmine lançou apenas um olhar para Isabella, notando o bracelete de pérolas que ela fizera questão de usar. As pérolas não tinham formas perfeitas, parecendo colhidas de forma artesanal, mas possuíam um brilho raro e encantador. Jasmine não lembrava como o conseguira, mas sempre amara aquele bracelete, tendo até certo receio de usá-lo. Isabella o tomara logo no primeiro dia em que chegara à casa dos Almeida. Na época, Jasmine, consumida pela culpa, não conseguira impedir, mesmo contra sua vontade. E hoje, em um dia tão importante, Isabella o ostentava novamente.
Mas Jasmine não tinha ânimo para sentar-se ou discutir. O momento que decidiria o destino dela e do filho chegara. Ela mantinha uma postura distante; o convite de Isabella ficou no vácuo e o clima tornou-se constrangedor. Nian Sheng interveio para puxar conversa, suavizando a situação.
Jasmine permaneceu ao lado da babá, protegendo o bebê. Os olhares dos presentes finalmente migraram para a criança. Muitos acharam a semelhança entre mãe e filho impressionante. Honestamente, o bebê era muito fofo. Como o resultado do DNA ainda não saíra, mesmo quem suspeitava que ele não era um Holanda guardava as críticas para si, pensando apenas com sarcasmo: "Não adianta ser bonito se o Ricardo o rejeitar. Ele detesta essa mulher; o bebê sendo a cara dela, imagine o asco que ele sentirá".
Enquanto o clima ficava tenso, a equipe médica entrou apressadamente com o envelope do laudo.
— Saiu o resultado! — exclamaram.