Isabella sentia-se inquieta. No momento, apenas duas situações poderiam lhe trazer paz de espírito: ou Jasmine sofria um aborto, ou o filho na barriga dela não pertencia a Ricardo Holanda.
...
— Graças a Deus, não houve aborto.
A Assistente Sun entrou no quarto do hospital acompanhada pelo médico. Antes mesmo de o doutor sair, ela lançou um olhar severo para Jasmine e a repreendeu friamente:
— Eu te aviso: não tente mais nenhum de seus truquinhos e, muito menos, ouse arriscar a vida dessa criança. Você viu hoje que o Sr. Ricardo não se importa nem um pouco com você; sua única importância é esse bebê. Se tentar chamar atenção novamente, a família Holanda não ficará de braços cruzados.
Ela estava prestes a sair após deixar essas palavras gélidas, mas foi interrompida por Jasmine. A cabeça da jovem estava envolta em uma gaze espessa. Ela acabara de recobrar a consciência, mas sua fala permanecia clara e articulada. Jasmine já havia processado a situação.
— Alguém me empurrou da escada enquanto eu dormia. Aqui está a prova — disse ela, erguendo o pedaço de tecido para que a assistente visse. — Eu arranquei isso da roupa da pessoa. Não existe nenhum agasalho esportivo desse tipo no meu closet ou nesta casa; vocês podem levar para perícia.
Jasmine continuou, firme:
— Eu sei que vocês não se importam comigo. Mas alguém tentou me fazer abortar, atentando contra o sangue dos Holanda. Isso deve ser investigado com rigor.
A Assistente Sun virou-se surpresa, observando o tecido. Claramente pertencia a um traje esportivo. Quanto à possibilidade de ser uma encenação de Jasmine, seria fácil descobrir ao revistar o quarto. Jasmine fora estritamente vigiada nos últimos dias e não tivera chance de comprar roupas novas; sua bagagem pessoal também fora revistada.
A assistente pegou o tecido em silêncio, lançando um olhar de espanto para Jasmine. Se alguém realmente estava tentando ferir o bebê... Na verdade, a Assistente Sun não estava surpresa; havia pessoas demais de olho naquela criança. O que a surpreendeu foi a reação de Jasmine. Uma mulher que parecia ser apenas um "rostinho bonito" e, teoricamente, vazia por dentro, estava sendo lógica em vez de apenas chorar e clamar por injustiça.
— Está bem, eu cuidarei disso — respondeu a Assistente Sun, sem se irritar com a contestação. De um ponto de vista racional, o incidente precisava de uma resolução séria.
No entanto, Jasmine não se deu por satisfeita e prosseguiu:
— Preciso de alguém dedicado para proteger minha rotina, alimentação e moradia. Não pode ser um segurança externo ou alguém que responda ao Sr. Ricardo. Quero alguém que responda exclusivamente ao Sr. Antônio.
Isso era o que ela mais precisava. Sem proteção, haveria inúmeras formas de fazê-la abortar durante os meses de gestação. Ela precisava garantir a vida da criança e, acima de tudo, proteger-se de Ricardo. Jasmine suspeitava que quem a empurrara fora enviado por ele ou por Isabella. Portanto, quem cuidasse dela não poderia seguir as ordens de Ricardo.
O pedido fez a Assistente Sun hesitar por um longo tempo. Por fim, ela ligou para o Sr. Antônio para pedir instruções e, após desligar, assentiu.
— Tudo bem. Recupere-se primeiro; não permitirei que ninguém venha vê-la. — Antes de sair, ela olhou profundamente para Jasmine. — A família Holanda está investindo muito em você.
Os dez milhões de que falavam não significavam nada para os Holanda. Mas designar o pessoal de confiança do patriarca para protegê-la... essa era a verdadeira exigência complicada.
— É bom que esse filho seja realmente do Sr. Ricardo — concluiu a Assistente Sun antes de partir.
Ela cumpriu sua palavra. Durante a recuperação de Jasmine, ninguém teve permissão para visitá-la. Corriam boatos de que outros membros da família Holanda tentaram vê-la, assim como Isabella, mas todos foram barrados.
O celular de Jasmine não parava de receber mensagens. Alguns queriam "relembrar o passado", outros a ameaçavam para que abortasse, e muitos perguntavam seu paradeiro. O Sr. e a Sra. Almeida diziam sentir saudades e queriam um encontro. Até seus pais biológicos, que antes se recusavam a reconhecê-la, diziam estar arrependidos e que agiram por impulso. Mas Jasmine não buscava mais o amor deles. Exceto por sua amiga, ninguém merecia sua resposta.
Durante esse período, sua alimentação foi gerida pelo chef pessoal que servia ao Sr. Antônio há anos, e seu médico era o próprio diretor do hospital daquela noite. Quanto à identidade de quem a empurrara, a Assistente Sun nunca mais tocou no assunto.
A família Holanda agira contra aqueles que a humilharam na festa dos Almeida apenas por uma questão de prestígio. Mas agora que alguém realmente ameaçara a linhagem da família, eles permaneciam em silêncio. Jasmine não perguntou, mas já imaginava o motivo: ou fora ordem de Ricardo, ou envolvia Isabella; caso contrário, a atitude não seria de tamanha omissão. Eles continuavam a maltratá-la.
Ela tornou-se cada vez mais cautelosa, relatando qualquer desconforto ao médico, decidida a não permitir que ferissem a criança novamente. Finalmente, o dia do parto chegou em meio a uma tempestade de tensões nos bastidores.
Inúmeras pessoas vigiavam aquele nascimento. O mundo exterior comentava que Isabella estava brigada com Ricardo por causa desse bebê; embora ela já vivesse na mansão, o casamento ainda não acontecera. Tudo dependia agora do teste de DNA. O exame poderia ser feito assim que o bebê nascesse, definindo o vencedor daquela disputa.
Muitos murmuravam: se Jasmine realmente estivesse grávida de Ricardo e ficasse na mansão para cuidar do filho, o espetáculo estaria garantido. De um lado, a mãe biológica e estonteante presente todos os dias; do outro, a amada "mulher dos sonhos" da juventude. Outros, porém, torciam secretamente para que o bebê fosse de outro homem, apenas para ver Jasmine ser escorraçada e poderem acertar as contas com ela.
Sendo o centro de todas as atenções, Jasmine não se sentia bem. Estava cercada pela melhor tecnologia médica e por doutores renomados, mas sabia que todos ali olhavam apenas para o seu ventre, e não para ela como pessoa. Não havia cuidado humano, apenas a frieza de priorizar a criança acima de tudo.
Jasmine sentia-se apreensiva, torcendo apenas para que o parto corresse bem e não surgisse aquela escolha cruel entre salvar a mãe ou o bebê. Felizmente, a criança colaborou e o parto foi tranquilo.
— É um menino! — exclamaram os médicos, entusiasmados. Todos aplaudiram, como se o herdeiro dos Holanda já estivesse confirmado.
Jasmine sentiu uma ponta de decepção; no fundo, queria uma filha dócil. Se o bebê se parecesse com Ricardo ou Diego, ela não saberia como reagir. No entanto, ao ouvir o choro, ela não resistiu e olhou para o lado. O pequeno bebê era rosado e delicado, e logo parou de chorar, mostrando-se muito calmo.
Mal nascera, a equipe médica já preparava a coleta de sangue para o DNA. Quando a agulha fria perfurou a pele, o choro do bebê ecoou pelo quarto. Ele tentava agarrar o ar em direção a ela, e suas feições eram quase idênticas às fotos de Jasmine quando criança.
Naquele instante, um sentimento de ternura e dor brotou em Jasmine. Aquele era o seu sangue, seu único parente real neste mundo. Ela sempre achara que não gostava de crianças, herança de traumas de infância quando fora intimidada por outras crianças. Durante toda a gravidez, vira o bebê apenas como uma moeda de troca pela sobrevivência. Mas, ao vê-lo sofrer, Jasmine foi tocada. Independentemente de ser um Holanda ou não, aquele era o seu filho.
— Ricardo, agora que o bebê nasceu, deixe a Jasmine ir embora. Não tínhamos combinado de ficar com o filho e descartar a mãe? Se ele for realmente seu, eu cuidarei muito bem dele.
Isabella já não se dava ao trabalho de fingir carinho fraternal, nem insistia mais em ter seus próprios filhos. Ela percebera que não conseguia convencer Ricardo. Além disso, meses se passaram e ele sequer a tocara. Quando ela tentou ser direta, Ricardo alegou que, como ela não se lembrava do passado, ele não queria se aproveitar de uma vontade que talvez não fosse genuína.
Aquela desculpa deixava Isabella furiosa. Ela chegara a suspeitar que Ricardo, por ter sido gordo na infância, tivesse algum problema de desempenho agora. "Que desperdício de rosto!", pensava. Agora ela duvidava seriamente que o bebê fosse dele, por isso ele parecia tão indiferente.
Aos olhos do público, Isabella vivia em glória na mansão dos Holanda, mas apenas ela sabia da frustração que sentia. Por isso, ao saber do parto, correu para tentar expulsar Jasmine. Ela precisava tirá-la de lá antes do resultado do DNA. Sair da casa dos Holanda era fácil, o difícil seria voltar. Se ela estivesse fora, o bebê ficaria naturalmente com Isabella. "Maldita seja, no fim das contas ainda terei que criar o filho da Jasmine", resmungava.
Após ouvi-la falar tanto, Ricardo virou-se para ela. Seus olhos amendoados e profundos podiam parecer apaixonados ou dar a sensação de que ele enxergava através da alma da pessoa, deixando-a sem escapatória. Isabella sempre evitava o contato visual direto. Mesmo que suas cicatrizes tivessem sumido e sua pele estivesse mais clara e bem cuidada, ela perdia a confiança diante dele.
Ao desviar o olhar, seus cabelos deslizaram, revelando a borboleta negra em sua nuca. Ricardo não respondeu ao que ela disse; em vez disso, perguntou subitamente:
— Isabella, lembro-me de que você não gostava muito de crianças. Você está disposta a criar um filho que não tem o seu sangue?
— Claro que sim! — respondeu Isabella, com os olhos brilhando de empolgação.
No fim das contas, ele ainda estava preso às memórias do passado. Era natural que ela não gostasse de crianças quando ela mesma era uma; agora que era adulta e sabia que um herdeiro era útil, é claro que gostaria.
Entretanto, não soube se foi impressão sua, mas após ela declarar com entusiasmo que criaria o bebê, o olhar de Ricardo pareceu tornar-se ainda mais frio.