As palavras de Jasmine foram ditas em voz baixa. Em meio à multidão barulhenta, porém, elas caíram como uma bomba de alto impacto. O grupo, que antes estava em êxtase cruel, silenciou-se instantaneamente.
— O quê?
— Caramba!
Muitos acharam que tinham ouvido errado. No entanto, os mais rápidos entenderam a situação de outra forma: ela fora "usada" por alguém. Fazia apenas alguns dias que sua farsa fora descoberta e ela já estava com a barriga crescendo. Os olhares tornaram-se lascivos, percorrendo o corpo dela de cima a baixo.
Antes que pudessem continuar com as piadinhas, ouviram a frase seguinte:
— O filho é de Ricardo Holanda.
O tom não foi alto, mas a revelação foi tão chocante que as pessoas demoraram a processar. Alguém, perdendo a paciência, estava prestes a jogar vinho nela, mas o movimento foi bruscamente interrompido por Isabella.
O rosto de Isabella estava contorcido em uma careta de ódio. Ela empurrou violentamente a taça que estava perto do rosto de Jasmine. O som de vidro quebrando ecoou enquanto o champanhe molhava os pés dos convidados. O grupo, assustado, finalmente entendeu o que Jasmine acabara de dizer.
Isabella ignorou todos os outros, cravando os olhos no rosto de Jasmine. Sua voz saiu quase como um rosnado:
— De quem você disse... que é o filho?
Aquele nome era inacreditável demais; ela tinha certeza de ter ouvido errado. O cérebro de Isabella era um caos, e sua primeira reação foi de que Jasmine estava mentindo. "Essa criatura desprezível inventaria qualquer coisa para não ser forçada a beber", pensou.
Mas suas mãos tremiam. Porque, por mais que quisesse rebaixar Jasmine, ela sabia que aquele rosto não mentia. Jasmine tinha, de fato, a beleza necessária para seduzir qualquer um.
"Por que?! Eu jamais permitirei isso!", pensava Isabella. Ela esperava que Jasmine se retratasse, que dissesse que se enganara e que o filho era, na verdade, de Vitor. No entanto, a voz firme de Jasmine ecoou pelo salão:
— Ricardo Holanda.
Independentemente de ter cem por cento de certeza, naquele momento Jasmine precisava que fosse dele. Ela não era mais ingênua. Precisava da proteção da família Holanda. Mesmo que Ricardo a detestasse, ela precisava proteger aquela criança.
A resposta fez com que os olhos de Isabella ficassem injetados de sangue; ela sentia vontade de avançar e rasgar a carne de Jasmine com os dentes. Mas, logo em seguida, as pessoas ao redor explodiram em gargalhadas.
— Hahaha! O que foi que eu ouvi? Um filho do Sr. Ricardo?
— Jasmine, se quer mentir, tente algo mais verossímil.
— Você deve ter ouvido o nome dele por aí e resolveu usar, não é? Sabe que nem nós temos acesso ao Sr. Ricardo?
— Para seduzir alguém, primeiro você precisa encontrá-lo. Você faz ideia de onde ele costuma estar?
— Você acha que, só porque a Isabella tem contato com ele, você também teria?
— Ela e o Sr. Ricardo se conheceram estudando no exterior, e você?
— Pare com isso. O Sr. Ricardo e a Isabella são o casal perfeito. Você, como impostora, não deveria tentar se meter onde não é chamada.
Os convidados quase dobravam de tanto rir. Diego também ria, observando Jasmine com um olhar gélido. Ele não sabia em qual cama a filha do Diretor Nian havia colocado Jasmine naquela noite, mas ela realmente engravidara de primeira.
Ele sentiu uma ponta de irritação. Se a barriga dela crescesse tão rápido, ele não conseguiria "emprestá-la" muitas vezes antes do parto. Além disso, precisaria perguntar à herdeira da família Nian se o figurão em questão pretendia assumir a criança. Quanto a ser filho de Vitor, era improvável. Vitor podia ser libertino, mas como um Holanda, ele sempre era cauteloso; jamais deixaria uma mulher do nível de Jasmine carregar um herdeiro seu.
As risadas do grupo fizeram a paranoia de Isabella evaporar. "Claro, com o status dela, Jasmine jamais chegaria perto do Sr. Ricardo", pensou. Ela cobriu a boca, olhando para a irmã com desdém:
— Irmã, se você queria as minhas coisas, era só pedir. — Ela inclinou a cabeça, carregada de sarcasmo. — Eu posso te dar qualquer coisa que eu tenha, afinal, você já usou tudo o que era meu por anos, não é? Mas o Sr. Ricardo é diferente. — Seu olhar esfriou: — Ele não é alguém que você possa sequer sonhar em ter.
Dito isso, Isabella perdeu o interesse. Virou as costas e empurrou Jasmine em direção à multidão eufórica, como se estivesse descartando lixo. Ao se virar, ouviu gritos de surpresa:
— Meu Deus, aquela não é a Assistente Sun?
— Ela é o braço direito do velho Sr. Antônio. Praticamente viu o Sr. Ricardo crescer! Não acredito que ela veio pessoalmente buscar a Isabella!
Mesmo sabendo que Isabella era a favorita de Ricardo, o prestígio de ter a Assistente Sun ali deixou todos boquiabertos. "O Sr. Ricardo é tão frio, quem diria que ele se importaria tanto com alguém", pensavam.
Imediatamente, a multidão ignorou Jasmine e correu para a porta. Jasmine, ao ver a Assistente Sun chegar, soltou um suspiro de alívio. Temendo que a situação saísse do controle, ela pedira à assistente para intervir assim que mencionasse a gravidez.
Isabella, ouvindo os comentários, abriu um sorriso triunfante. O descontentamento de antes sumira. "Por que eu me importaria com a Jasmine? Eu tenho o apoio dos Holanda", pensou. Agora que até o patriarca enviara alguém, ela sentia que poderia destruir o rosto de Jasmine em um estalar de dedos se quisesse.
Ela ajustou seu sorriso mais doce e correu para receber a visita, enquanto o grupo abria caminho para ela. No entanto, a Assistente Sun sequer olhou para ela, passando direto por seu lado. Isabella franziu a testa e viu a assistente percorrer a sala com o olhar, indo direto na direção de Jasmine.
Alguém no fundo não aguentou e soltou uma risadinha, sussurrando:
— A Jasmine é tão bonita que a Assistente Sun deve ter confundido as duas.
Muitos tentavam segurar o riso diante da confusão. Letícia Rocha, a melhor amiga de Isabella, decidiu desfazer o mal-entendido e se aproximou:
— Olá, Assistente Sun. A Isabella está deste lado — disse ela, fazendo um gesto solícito.
A Assistente Sun seguiu o gesto, lançando um rápido olhar para Isabella antes de desviar os olhos imediatamente.
— Quem é Isabella? Eu vim por ordem do Sr. Antônio buscar a Srta. Jasmine.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Jasmine? O velho Sr. Antônio enviara sua assistente pessoal para buscá-la?
Sem dar atenção ao choque geral, a Assistente Sun aproximou-se de Jasmine. Ao chegar perto, percebeu algo errado: havia uma mancha de vinho no ventre do vestido de Jasmine e algumas gotas em seus cabelos. Para uma gestante no início da gravidez, qualquer risco era inaceitável.
O rosto calmo da Assistente Sun inflamou-se de fúria. Ela virou-se para a multidão:
— Quem fez isso?
Sua indignação eletrizou o salão. A reviravolta repentina deixou todos gaguejando. Ninguém conseguia responder; estavam todos em estado de choque.
O filho na barriga de Jasmine... era realmente de Ricardo Holanda? Se não houvesse certeza, o Sr. Antônio jamais daria tal prestígio a ela, nem a Assistente Sun estaria tão preocupada com aquela gravidez. Como isso era possível? Como duas pessoas de mundos tão diferentes haviam se conhecido? E mais: Ricardo, que nunca tivera mulheres por perto, teria um filho com Jasmine? Seria possível que ele não se importasse tanto assim com sua "mulher dos sonhos"?
Eles não conseguiam entender, e não tinham tempo para pensar, pois o desastre era iminente. Ao lembrarem do que haviam feito momentos antes, muitos sentiram um frio na espinha. Se aquela criança fosse de Ricardo, não importava o quanto a desprezassem por ter "caído na cama dele", Jasmine não era mais alguém que pudessem tocar. Todos os que participaram da humilhação estavam arruinados.
Isabella assistia a tudo rangendo os dentes, tremendo de puro ódio. A Assistente Sun, vendo que ninguém ousava falar, deduziu o que ocorrera. Ela conduziu Jasmine diretamente aos donos da casa.
O Sr. e a Sra. Almeida estavam estáticos, em choque. Antes que pudessem reagir, foram repreendidos severamente:
— Senhores, a Srta. Jasmine não é da família?
— Como permitem que ela seja tratada dessa forma dentro da própria casa?
— Ela carrega o sangue da família Holanda. Se algo acontecer, vocês serão capazes de arcar com a responsabilidade?
— Ou será que a família Holanda não tem importância nenhuma para os senhores?