Dentro do hospital, Jasmine estava paralisada, as palavras do idoso ecoando em seus ouvidos.
— O filho que você carrega... tem relação com o Ricardo, não tem?
— Você não quer esta criança?
Uma pressão invisível se espalhou pelo ar. Jasmine balançou as mãos freneticamente, tentando negar.
— Na verdade... não é certeza que seja dele.
Jasmine não tinha certeza se Diego a havia maltratado antes daquilo, e ela realmente não queria dar à luz um filho dele. Diego era um homem de caráter deplorável; ela definitivamente não queria se casar com ele. Quanto a Ricardo... era ainda mais assustador. Até mesmo aquele idoso da família Holanda parecia alguém difícil de lidar. Pela lógica e pela razão, ela deveria abortar e se manter longe de todas essas pessoas.
No entanto, sua incerteza fez com que o Sr. Antônio se levantasse subitamente, apoiando-se em sua bengala, olhando para ela com excitação.
— Não é certeza?
— Ou seja, existe sim a possibilidade de ter relação com o Ricardo?
O olhar lúcido de Antônio fixou-se em Jasmine — ou melhor, em sua barriga — como se estivesse diante de um tesouro raríssimo. Jasmine não esperava uma reação tão intensa apenas por uma possibilidade.
Ela disse a verdade:
— Na verdade, também pode ser do meu noivo, por isso eu ainda pretendo abor...
Antônio interrompeu-a imediatamente.
— Não permito.
Ele tornou-se subitamente obstinado e autoritário. Tratando-se da linhagem dos Holanda, ele recuperou a postura de ditador que exercia quando comandava o grupo.
— Mesmo que haja apenas um por cento de chance, não permitirei que nada aconteça ao sangue da família Holanda.
Dito isso, ele ordenou que seu assistente ligasse diretamente para Ricardo. O toque do celular no hospital silencioso trazia uma sensação de terror. Jasmine começou a suar frio; jamais imaginaria que as coisas tomariam esse rumo drástico. Nada mais poderia ser escondido. Ricardo estivera caçando-a por toda parte, e agora sua identidade estava totalmente exposta.
O Sr. Antônio insistia para que ela tivesse o bebê, mas qual seria a atitude do próprio Ricardo? Seu coração martelava no peito. Em meio ao silêncio asfixiante, a ligação foi atendida. O assistente baixou a voz e relatou rapidamente o ocorrido ao chefe.
Ricardo, naquele momento, analisava os documentos de Isabella. Seus dedos tateavam a foto daquela borboleta preta familiar, profundamente gravada em seu sangue e ossos. Seus olhos estavam injetados. Depois de tantos anos, finalmente a reencontrara.
Oito anos de saudade finalmente encontraram uma saída. Ele encarava fixamente aquele rosto coberto de cicatrizes, cujas feições originais eram irreconhecíveis. Era um rosto estranho, mas a borboleta em suas costas sacudia violentamente as emoções no fundo de sua memória.
Seu peito parecia apertado por uma mão gigante. A racionalidade de Ricardo estava quase submersa; ele sentia vontade de correr até ela naquele exato momento. Contudo, em um instante tão crucial, chegava aos seus ouvidos a notícia da gravidez de outra mulher.
O olhar de Ricardo tornou-se extremamente sombrio. Aquela noite não fora um sonho, afinal; ele havia confundido outra pessoa com "ela". Lembrou-se da foto nos documentos da mulher naquele dia; o penteado era de fato semelhante. Ele, sempre tão racional, acabara fazendo aquilo com uma estranha qualquer e agora havia um filho. Ele jurara que nesta vida estaria apenas com "ela", e agora quebrara sua promessa.
O olhar de Ricardo era frio o suficiente para matar. Após um breve silêncio, o ar tornou-se terrivelmente quieto. Jasmine sentia as mãos suadas; era a sensação da tempestade que estava por vir. Pensando nos métodos de tortura de Vitor, e sabendo que Ricardo também era um Holanda — com fama de ser implacável e decisivo —, Jasmine já se preparava para receber insultos e ser levada à força para um aborto.
No segundo seguinte, veio do outro lado da linha uma voz extremamente fria e impiedosa:
— Livre-se disso.
— Eu não reconhecerei esse bastardo.
A ligação foi encerrada abruptamente. A voz gélida não dava margem para negociações. Ricardo a detestava; seu tom era o de quem descarta uma mercadoria estragada.
Jasmine sabia bem que tipo de homem ele era, mas ouvir a palavra "livrar-se" feriu profundamente sua dignidade. Humilhação e angústia a invadiram. Ela se sentia como um peixe em uma tábua de cortar, ofegando por ar em meio à asfixia.
Ela também sentia uma injustiça profunda. Naquela noite, ela não se movera; fora Ricardo quem se aproximara com aquele ar de paixão profunda, e agora agia dessa forma. Ela era a "impostora" na boca de todos, e por isso seu filho também era um "bastardo".
Jasmine comprimiu os lábios. Por mais dócil que fosse, ela ficou realmente furiosa. Por um breve instante, teve até o impulso de ter o bebê apenas para atormentá-lo. Ricardo nascera em berço de ouro e era prepotente; provavelmente nunca enfrentara um revés na vida. Se surgisse um filho do nada, quem sabe o quão furioso ele ficaria.
Mas esse impulso foi passageiro. O melhor seria abortar obedientemente, exigir uma indenização e sumir desse círculo podre da capital. Se fosse a Jasmine de antes, ela jamais conseguiria pedir dinheiro, mas depois de tudo o que passara, ela não tinha mais "rosto" a preservar. Ninguém a respeitava de qualquer forma; apenas ter dinheiro faria a vida ser um pouco melhor.
Ela se virou para falar com o Sr. Antônio, mas percebeu que ele não estava zangado; pelo contrário, ele sorria.
— Ele não negou, essa é a melhor notícia.
Parecia que de fato havia a possibilidade de ser um herdeiro dos Holanda.
— Esse garoto continua teimoso, mas eu também sou muito obstinado.
O cabelo branco de Antônio estava impecavelmente penteado para trás. Ele olhou para Jasmine com benevolência, mas seu tom era inquestionável.
— Darei a você dez milhões como compensação. Você morará na mansão ancestral dos Holanda para cuidar da gestação. Após o nascimento, faremos o teste de DNA.
— Enviarei pessoas agora mesmo para acompanhá-la até sua casa para arrumar as malas. Você se muda hoje mesmo.
As palavras que Jasmine pretendia dizer ficaram presas na garganta. Ela olhou para os assistentes altos e médicos que começavam a cercá-la respeitosamente. Uma vez que o Sr. Antônio dava a ordem, não havia volta. Agora não dependia mais dela; teria que dar à luz.
Curiosamente, ao perceber isso, Jasmine sentiu um alívio inexplicável. Independentemente de o filho ser de Ricardo ou não, ela receberia dez milhões. O mais importante era que, durante esse ano, ela teria a proteção real da família Holanda.
Mesmo que Diego quisesse vendê-la, mesmo que Vitor descobrisse que ela não era a "mulher dos sonhos", mesmo que o próprio Ricardo a detestasse... e daí? Mesmo que todos a desprezassem, ela carregava no ventre um possível herdeiro dos Holanda. Uma vez instalada na mansão sob os olhos de Antônio, quem ousaria tocá-la?
Todas as suas crises imediatas seriam resolvidas. Sua única preocupação seria evitar Ricardo. Morando na mansão ancestral, ele provavelmente apareceria pouco; as chances de encontro seriam mínimas. Após o nascimento, ela entregaria o fardo à família Holanda, pegaria seus dez milhões e desapareceria para sempre daqueles monstros.
Nesse momento, uma assistente fez um gesto convidando-a. Ela tinha um ar elegante e um leve sorriso no rosto.
— Srta. Jasmine, por favor, acompanhe-me.
— Pode me chamar de Assistente Sun. De agora em diante, cuidarei da sua rotina.
Acompanhada pela Assistente Sun, Jasmine entrou no carro de luxo da família Holanda para buscar seus pertences. De longe, viu a vila dos Almeida toda iluminada. O pátio estava lotado de carros de luxo, indicando que a festa atraíra muito mais gente do que o comum.
Jasmine tocou a barriga instintivamente. Após ser rotulada como impostora, muita gente na capital esperava para rir dela. Se estivesse sozinha, ela esperaria todos irem embora antes de entrar. Mas com a Assistente Sun vigiando-a, ela não teve escolha.
Jasmine pediu para estacionarem um pouco longe e desceu para entrar na casa, enfrentando a situação de frente. O barulho lá dentro era ensurdecedor. Incontáveis jovens cercavam Isabella, brindando com ela sem parar. Seus pais sorriam orgulhosos para a filha biológica.
Entre os herdeiros presentes, Letícia, a segunda filha da família Rocha, era a mais próxima de Isabella. Ela brilhava ao lado da amiga, elogiando-a sem parar:
— A verdadeira herdeira retornou, e ainda é a mulher que o Sr. Ricardo procurou por tantos anos!
— Que conto de fadas maravilhoso!
— Isabella, quando você se mudar para a mansão dos Holanda, não se esqueça das suas amigas, hein!