Jasmine saiu do consultório em transe, apertando o exame contra o peito. Vestida com um simples vestido branco, os cabelos negros soltos e o rosto sem maquiagem, sua beleza estonteante a fazia parecer uma aparição etérea, porém exausta. Sem forças, ela desabou em uma cadeira do saguão, cobrindo o rosto com as mãos.
Grávida. Ela estava realmente esperando um filho de Ricardo Holanda.
Um homem da poderosa família Holanda, que ela só vira uma vez, mas que parecia ser violento e implacável. Jasmine não ousava imaginar o quão furioso ele ficaria se descobrisse. Será que ele a forçaria a abortar?
Ela apertou o papel com força. Se não fosse pelo fato de a gestação ainda ser muito recente, ela teria desejado interrompê-la naquele exato momento. Aquele bebê era uma bomba-relógio em seu ventre.
Jasmine tentava se consolar: talvez não fosse de Ricardo. Ela acordara antes de ser entregue à cama dele, mas não sabia se Diego havia feito algo com ela antes disso. De qualquer forma, não importava de quem fosse; ela não podia levar adiante. Ela ainda não era casada e seu único desejo era fugir definitivamente desse círculo social predatório.
Infelizmente, ela quase não tinha dinheiro. Os Almeida sempre a controlaram rigidamente, nunca lhe dando quantias significativas, e ela nunca teve acesso aos recursos das negociações entre as famílias Almeida e Diego. Feitas as contas, ela tinha pouco mais de mil yuans. Ninguém acreditaria se ela contasse. Esse valor mal cobria os custos médicos, muito menos um aluguel.
Pedir dinheiro a Vitor estava fora de cogitação. Ela estava fugindo dele e tinha pavor de que qualquer palavra a mais revelasse seu blefe. Suas joias e bolsas de marca haviam sido devolvidas a Isabella. Sua única saída era conseguir um emprego. Com seu currículo acadêmico de alto nível, não seria difícil, desde que os Almeida e Diego não interferissem.
Enquanto caminhava atordoada para a saída, Jasmine não percebeu que o idoso cercado por médicos parou e fez um sinal discreto para alguém ao seu lado. Uma mulher de meia-idade, vestindo um jaleco branco, aproximou-se dela imediatamente.
— Olá, você precisa de ajuda? Parece um pouco pálida.
Jasmine ergueu o olhar e viu uma médica observando-a com preocupação.
— Sou a diretora deste hospital. Se estiver se sentindo mal, pode me dizer e eu providenciarei os exames necessários.
Jasmine ficou surpresa com o atendimento. "O serviço em hospitais particulares é realmente impecável, com razão este lugar é tão famoso", pensou.
— Obrigada, mas não é necessário. Acabei de fazer meus exames.
A diretora sorriu gentilmente e apontou para o relatório na mão dela.
— Poderia me deixar dar uma olhada?
— Ah, claro.
Jasmine não sentiu desconfiança daquela médica e entregou o papel. Ao ler o conteúdo, o sorriso da diretora aumentou.
— Parabéns, você está grávida. Pelo tempo, foi bem recente.
A médica começou a fazer várias perguntas. Jasmine, sem entender muito bem os protocolos hospitalares, respondeu honestamente a tudo: a data provável da concepção, como se sentia e até mesmo sua intenção de não manter a gravidez.
No entanto, a diretora não concordou com a ideia imediata do aborto. Disse que era cedo demais e que ela deveria esperar pelo menos até a semana seguinte. Aconselhou-a com doçura a ir para casa, alimentar-se bem e fortalecer o corpo, pois qualquer procedimento seria desgastante.
A conversa, embora em tom baixo, foi ouvida perfeitamente pelo idoso que observava de longe. O coração de Jasmine, tão maltratado nos últimos dias, sentiu-se um pouco confortado pelas palavras da médica.
Quando a diretora se afastou e Jasmine se preparava para sair, uma foto foi subitamente colocada diante de seus olhos. Na imagem, ela reconheceu imediatamente o corredor do hotel e seu próprio rosto, nítido e inconfundível.
O coração de Jasmine saltou uma batida. Era a filmagem do hotel. A família Holanda a encontrara. Em choque, ela se virou e viu um idoso alto e elegante. Ele falou com uma voz que, embora gentil, carregava uma autoridade inquestionável:
— Esta é você, não é? Se importaria de conversar comigo?
Ao entardecer, na mansão da família Almeida.
Isabella estava dando uma festa. Era a primeira vez que ela organizava um evento em seu nome desde que voltara, e escolhera propositalmente um momento em que Jasmine não estivesse presente. Quando fora apresentada pela primeira vez ao círculo social pela Sra. Almeida, ela se sentira uma tola ignorante, sendo totalmente ofuscada por Jasmine.
Isabella guardava rancor daquele dia. Por puro despeito, ao ver a bela tatuagem de Jasmine, fizera uma igual apenas para provocá-la. O irônico era que Jasmine parecia nem saber que tinha aquela tatuagem, talvez por ser em um local difícil de ver. O fato de Jasmine não ter reagido à provocação deixou Isabella ainda mais irritada.
Naquela noite, a mansão estava resplandecente. Isabella convidara apenas mulheres. Entre taças de champanhe, as fofocas tornavam-se cada vez mais cruéis.
— Isabella, esse vestido é maravilhoso. Deve ter sido caríssimo — comentou uma amiga.
— Comprei no exterior — respondeu Isabella, omitindo qualquer detalhe de sua vida anterior na China e focando apenas em histórias de seu intercâmbio.
As convidadas logo começaram a adulá-la:
— Filha biológica é outra coisa, né? Você tem um ar de nobreza natural. Não é como aquela impostora vulgar; quem não conhece pensa que é uma oportunista sedutora.
— Eu sempre quis dizer isso: ela tem rosto de concubina, não tem classe nenhuma.
— Agora a situação dela é pior ainda, o status dela é de dar pena. Não tem nada a ver com o nosso mundo.
— Isabella, quando seu rosto cicatrizar totalmente, você vai ficar lindíssima.
Isabella deliciava-se com os elogios. Finalmente, não havia aquela mulher detestável para servir de comparação. Ela achava que seu próprio rosto não era ruim e que, após a recuperação, seria deslumbrante.
Em meio ao barulho da festa, o toque de um celular passou despercebido por quase todos. Isabella estava levemente alterada pelo álcool. Ao ser reconhecida pelos Almeida, ela trocara de número para cortar laços com seu antigo círculo social inferior. Poucas pessoas tinham seu novo contato, apenas aqueles ricos com quem ela desejava manter relações.
Mesmo sem muita vontade de atender, ela pegou o celular e, por impulso, ativou o viva-voz.
— Quem é? — perguntou ela, com a voz um pouco arrastada.
— Falo com a Srta. Almeida? — A voz do outro lado era calma e profissional. — Sou Samuel, secretário do Grupo Holanda.
Ao ouvirem "Grupo Holanda", a festa barulhenta silenciou-se instantaneamente.
— É... é o Secretário Samuel, o braço direito do grande chefe — sussurrou alguém, incrédulo.
O nome de Samuel era lendário no círculo social da capital; todos sabiam que ele era o confidente de Ricardo Holanda. Ele ocupava uma posição única e extremamente influente; muitos fariam qualquer coisa apenas para conseguir falar com ele. Isabella, embora fosse a herdeira legítima dos Almeida, teoricamente não teria nível suficiente para atrair a atenção de Samuel. E agora, ele estava ligando para ela...
Ouvindo os sussurros chocados ao seu redor, a mão de Isabella começou a tremer de excitação.
— S-sou eu. Em que posso ajudá-lo?
A voz no telefone soou extremamente cordial e respeitosa:
— A Srta. Almeida teria disponibilidade amanhã? O Sr. Ricardo gostaria de ter um encontro pessoal com a senhorita.
O som de uma garrafa de vinho quebrando no chão foi o único ruído. A festa transformou-se em um caldeirão fervente de choque e agitação.