— Pois é.
Mariana terminou de falar com uma expressão confusa, mas logo abriu um sorriso malicioso para a amiga.
— E então? Quando você morava com o Diego, vocês dois por acaso... hmmm. Realmente, aquele idiota tirou a sorte grande.
Dito isso, ela ficou vermelha e entregou um teste de gravidez nas mãos de Jasmine.
— Faça o teste também. Vou preparar o café da manhã.
Ela saiu correndo, cobrindo o rosto de vergonha.
Jasmine segurava o teste, que parecia queimar em suas mãos. Seu coração, que antes batia descompassado, começou a se estabilizar. "Foi apenas uma noite. Mesmo que tenhamos perdido a conta de quantas vezes aconteceu, eu não teria tanto azar assim, teria?", pensou ela.
Para garantir, ela entrou no banheiro. Cinco minutos depois, Jasmine saiu com o rosto pálido e as mãos trêmulas segurando o dispositivo.
Como ela podia ser tão azarada? Sempre fora uma "boa menina", nunca havia namorado durante os estudos por ser obediente. Mesmo no noivado com Diego, o máximo que permitira fora segurar as mãos. E agora, estava grávida.
Para Jasmine, aquilo era como um trovão em céu aberto. Ela achava que as crises irreais finalmente haviam ficado para trás, mas agora carregava uma bomba-relógio no ventre. Será que o teste estava errado? Ou talvez ela não soubesse usá-lo direito?
Ela decidiu que precisava ir ao hospital. Respirou fundo, tentando manter a calma, inventou uma desculpa qualquer para sair da casa da amiga e seguiu direto para um grande hospital particular nas proximidades.
No mesmo hospital.
O diretor recepcionava pessoalmente um grupo de médicos que escoltava um idoso de status elevadíssimo. O senhor vestia um sobretudo de terno e segurava uma bengala com cabo em formato de cabeça de dragão. Apesar dos cabelos e barba brancos, seus olhos eram lúcidos e afiados. Ele dispensava qualquer ajuda, caminhando com passos firmes e rápidos no centro do grupo.
Embora esse comportamento não fosse o ideal para um homem de oitenta anos que acabara de se recuperar de uma doença, ninguém ousava dizer uma palavra. Aquele era Antônio Holanda, o antigo líder do Grupo Holanda.
O velho senhor mantinha uma expressão severa que impunha respeito imediato; ninguém se atrevia a puxar conversa até que uma certa pessoa apareceu. O diretor do hospital endireitou a postura e avançou para recebê-lo.
— Sr. Ricardo, o senhor chegou.
Se o velho Sr. Antônio já era imponente, a aparência de Ricardo era ainda mais fria. Ele exalava uma aura de autoridade que mantinha todos à distância. Apesar de ter um rosto mais belo e marcante que o de qualquer celebridade internacional, ninguém ousava olhá-lo por mais de um segundo.
Ao lado, Samuel aproximou-se do diretor para perguntar sobre a recuperação do patriarca, anotando cada detalhe com seriedade. Nesse momento, o celular de Ricardo tocou.
Ao ouvir o toque, Ricardo ignorou tudo à sua volta, inclusive o avô a quem tanto amava, e parou imediatamente para atender. Do outro lado da linha, o assistente falava de forma rápida e clara:
— Desculpe, Sr. Ricardo. O modelo original daquele vestido foi alvo de pirataria no passado. Atualmente, há mais de três mil mulheres no mundo que usaram modelos idênticos. Devemos continuar...?
— Encontre-a — interrompeu Ricardo, categórico. — Mobilize todos os recursos. Quero saber a identidade dela até hoje à noite.
— Sim, senhor.
Samuel suspirou internamente. Tantos anos haviam se passado; quem sabia se a aparência e a personalidade daquela mulher não haviam mudado completamente? No entanto, embora o rosto pudesse mudar, a tatuagem dificilmente mudaria — mesmo que tivesse sido removida a laser, haveria marcas.
O mundo sabia apenas que a mulher dos sonhos dele tinha uma tatuagem. Mas nem mesmo Samuel, seu secretário de confiança, sabia como era o desenho ou onde estava localizado. Muitas candidatas a "impostoras" chegavam a tatuar desenhos aleatórios para tentar a sorte, mas nenhuma correspondia à original.
Samuel sentia curiosidade: o que havia de tão especial naquela tatuagem que ninguém conseguia acertar?
Ricardo desligou o telefone e o velho Antônio aproximou-se. O rosto cansado do idoso demonstrava uma certa resignação. Naquele momento, ele parecia apenas um avô comum preocupado com o neto, longe da imagem do estrategista que comandou os Holanda.
— Oito anos... e você ainda procura por ela.
Ricardo guardou o celular e assentiu levemente.
— Estou quase encontrando.
— Você diz isso todas as vezes — resmungou Antônio. — Se nunca a encontrar, pretende ficar solteiro para sempre? Só se casa se for com ela? Já pensou que, se ela te abandonou no passado, pode não querer ficar com você mesmo que a encontre?
Ricardo paralisou por um instante, a sombra de seus cílios longos escurecendo seu olhar.
— Não importa se ela não gostar de mim.
Ele apertou o celular com força, as veias saltando no dorso da mão. O simples fato de mencionar o assunto tornava seu olhar sombrio e assustador, contradizendo totalmente o "não importa".
Antônio suspirou e balançou a cabeça.
— Você é perfeito em tudo, exceto por ser teimoso. Teimoso como uma mula desde pequeno. A linhagem dos Holanda depende de você. Não sei quando estes meus velhos ossos poderão carregar um bisneto.
Ele fez um gesto de dispensa com a mão.
— Esqueça, não preciso que me acompanhe. Vá procurar sua mulher. Quanto mais cedo encontrá-la, mais cedo terei meu bisneto. E não esqueça de voltar para a mansão à noite; você prometeu que moraria comigo por um ano inteiro.
Ricardo esboçou um leve sorriso.
— Certo. Não quebrarei minha promessa.
Dito isso, ele se afastou a passos largos. Assim que ele saiu, o assistente do Sr. Antônio aproximou-se com algumas fotos.
— Sr. Antônio, estas são as imagens das câmeras de segurança do hotel daquele dia.
Ele abriu as fotos, que mostravam claramente uma mulher saindo do hotel. Mesmo apressada e sob um ângulo ruim, a beleza estonteante do rosto dela era evidente.
— Dizem que o Sr. Ricardo investigou essa mulher e concluiu que não é quem ele procura. No entanto... — O assistente hesitou por um momento, observando a reação do patriarca. — O Sr. Ricardo passou a noite inteira no mesmo quarto com ela, saindo apenas ao meio-dia do dia seguinte.
Ao ouvir isso, Antônio Holanda finalmente abriu os olhos com interesse e examinou as fotos cuidadosamente.
— De que família ela é?
— Da família Almeida, do setor imobiliário. Recentemente descobriram que ela não é filha biológica. Desta vez, foi o próprio noivo quem a enviou para o hotel.
O assistente falou com certo descaso. Para um gigante como o clã Holanda, qualquer herdeira da família Almeida, legítima ou não, era apenas uma formiga.
O Sr. Antônio sempre foi muito atento às pessoas que apareciam ao redor de Ricardo. O próprio Ricardo sabia disso, mas não se importava, já que nunca havia mulheres ao seu redor. Esta era a primeira mulher que realmente tivera contato íntimo com ele.
O que deixava o assistente intrigado era: se ela não era quem o chefe procurava, por que ele passaria a noite inteira com ela? Ricardo tinha alta tolerância ao álcool e era extremamente controlado. Normalmente, mesmo bêbado, ele não perderia a razão por completo. Seria ela parecida com a outra?
O que realmente aconteceu naquela noite no hotel era algo que apenas os dois sabiam. E ele jamais teria audácia de perguntar diretamente ao chefe.
Enquanto ponderava se deveria chamar a mulher para um interrogatório, o assistente sentiu o olhar ser atraído por uma silhueta delicada e branquíssima que passava ao longe. Aquela beleza era tão rara que, bastava vê-la uma vez, para jamais esquecer.
Era ela!