localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Erro do Magnata: Uma Noite para Sempre Capítulo 4: Por um Triz

《O Erro do Magnata: Uma Noite para Sempre》Capítulo 4: Por um Triz

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A voz no telefone era única. Tão marcante que, mesmo tendo-a ouvido pouquíssimas vezes, Vitor jamais a confundiria. Aquele era, sem sombra de dúvida, o próprio Ricardo Holanda.

E Ricardo jamais atendia chamadas de números desconhecidos.

Em um instante, um calafrio percorreu a espinha de Vitor e todos os pelos de seu corpo se arrepiaram.

Jasmine soltou um suspiro de alívio profundo. Ela não imaginava que um homem tão poderoso realmente atenderia, e ainda por cima de forma tão educada. Ela não teve pressa em falar; na verdade, nem sabia o que dizer, já que não o conhecia de verdade. Apenas começou a levar o celular lentamente ao ouvido, fingindo naturalidade.

Ao lado, Vitor recobrou os sentidos e seu rosto empalideceu instantaneamente. Sem medir consequências, ele avançou e arrancou o aparelho da mão dela. O celular parecia queimar em seus dedos, mas ele ainda conseguiu forçar uma voz fina e disparar as palavras rapidamente:

— Desculpe... foi engano.

Em seguida, desligou a chamada abruptamente. Toda a arrogância anterior desapareceu. Ele caiu de joelhos com um baque e começou a bater a testa no chão freneticamente diante de Jasmine.

— Eu errei! Por favor, eu imploro, não conte nada ao meu tio!

— Senhorita! De agora em diante, farei qualquer coisa que me pedir!

Enquanto isso, Samuel aproximava-se de Ricardo com entusiasmo.

— Consegui os dados, tem uma foto aqui.

Ele não sabia como era a mulher que o chefe procurava, apenas viu que a jovem na foto era muito bonita. Correu para mostrar a Ricardo.

No exato momento em que Vitor desligava a ligação, Ricardo fixou os olhos na foto do documento. A moça era jovem, com longos cabelos castanhos ondulados e inegavelmente bela. No entanto, bastou um olhar para que ele baixasse os olhos, reprimindo uma frieza cortante.

Não era ela.

A sombra de Ricardo projetava-se no chão, densa e intimidadora. Ele perdeu completamente o interesse na chamada "por engano" que acabara de receber. Pressionou as têmporas, tentando conter a melancolia profunda em seu olhar.

Pelo visto, a noite anterior fora apenas um delírio. Ele ainda não a tinha encontrado.

— Não precisa mais me trazer nenhuma notícia sobre essa pessoa.

Dito isso, ele virou as costas e saiu sem olhar para trás.

...

Quando Jasmine saiu do quarto de Vitor, suas pernas estavam trêmulas. Vitor continuava implorando por perdão, batendo a cabeça no chão até sangrar. Os Holanda pareciam compartilhar a mesma linhagem de loucura.

Jasmine não ousava imaginar o quão furioso ele ficaria se descobrisse a verdade. Felizmente, as chances de ele verificar os fatos eram pequenas; ele parecia aterrorizado demais para ligar novamente para Ricardo. "Talvez eu consiga esconder isso por um tempo", pensou ela.

Sem coragem de ficar nem mais um segundo naquele hotel sinistro, ela fugiu apressadamente. A barra de seu vestido vermelho balançava enquanto suas pernas brancas e ágeis corriam o mais rápido possível.

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Do lado de fora, Ricardo entrou em seu Maybach preto, mantendo os olhos fechados com frieza. No momento em que o carro fazia a curva, ele abriu levemente as pálpebras. Pelo canto do olho, capturou a imagem de um vulto que o fazia delirar de saudade.

O som estridente dos freios foi aterrorizante. O sol do meio-dia não conseguia romper as nuvens densas. Pedestres pararam, chocados. Um homem deslumbrante em um terno impecável saltou do carro de luxo e começou a correr como um louco.

Em segundos, inúmeros seguranças vestidos de preto surgiram de todas as direções. Uma massa escura e opressora avançava na mesma direção.

Jasmine acabara de virar a esquina quando ouviu o som pesado de passos múltiplos se aproximando. Seu coração saltou. Seria Vitor? Teria ele percebido o blefe? O suor frio brotou em sua testa.

Fosse quem fosse, ela não podia perder tempo. Quase no mesmo instante em que ouviu os passos, entrou na primeira loja que viu. Era uma loja que ela visitara recentemente para comprar uma gravata para o noivado de Diego. Ela sabia que as câmeras dali estavam quebradas e que havia um banheiro nos fundos.

A vendedora estava de costas organizando o estoque. Jasmine passou como um relâmpago e trancou-se em uma das cabines do banheiro feminino. Encolhida, sentia o coração martelar contra as costelas. Ela tinha corrido a tempo; eles ainda não tinham virado a esquina quando ela entrou. "Por favor, que não me encontrem", implorava em silêncio.

Mas o medo crescia. Fugir adiantaria? Se fosse Vitor, ele sabia quem ela era e a encontraria facilmente depois. "E se não for ele? E se esses passos não forem para mim?", pensava Jasmine, cobrindo o rosto com as mãos.

De repente, os passos entraram na loja. Uma voz masculina, fria e magnética, ressoou.

— Alguém entrou aqui agora?

A voz não era familiar, mas era inesquecível — era a mesma que ela acabara de ouvir pelo telefone. Jasmine paralisou, sentindo como se tivesse caído em um lago congelado. Quem a caçava não era Vitor, mas Ricardo Holanda.

Como? Será que ele a viu saindo do hotel, reconheceu-a como a mulher da noite passada e ficou furioso? Que tipo de olhar clínico aquele homem tinha para reconhecê-la apenas pelas costas?

O desespero tomou conta dela. Ricardo enviara tanta gente para capturá-la; se fosse pega, quem sabe que destino terrível a aguardava. Ela não era ingênua a ponto de achar que ele estava apaixonado; provavelmente achava que ela era uma aproveitadora que invadira sua cama.

Ela não podia ficar ali esperando. Jasmine saiu cautelosamente da cabine e olhou para a pequena janela no alto do banheiro. Era tão estreita que parecia que apenas uma criança conseguiria passar. Como adulta, ela certamente se machucaria, mas não havia outra opção.

Os Holanda eram perigosos demais. Enquanto ele não soubesse sua identidade, ela não podia deixar que ele visse seu rosto.

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Dentro da loja, o silêncio era absoluto. A vendedora olhava aterrorizada para o homem imponente à sua frente, gaguejando diante do olhar frenético dele. Ricardo tinha os olhos injetados e as veias das mãos saltadas. Ele parecia uma fera encurralada que finalmente reencontrava o que havia perdido. Um amor intenso e distorcido queimava em seu peito.

— E-eu não vi ninguém entrar, mas ouvi passos correndo lá para o fundo.

Os olhos de Samuel brilharam, mas ele tentou manter a cautela. Nos últimos anos, Ricardo enlouquecia toda vez que via alguém minimamente parecida com "ela", apenas para se decepcionar e beber até cair depois. Ele não queria que fosse mais um alarme falso, embora a reação do chefe desta vez fosse muito mais visceral.

— Verifique as câmeras — ordenou Samuel.

A vendedora quase chorou.

— O sistema está quebrado há semanas, ainda não consertamos. Mil desculpas.

Antes que Samuel pudesse dizer algo, Ricardo, impaciente, começou a revistar a loja pessoalmente. Ele caminhou a passos largos em direção aos fundos.

Jasmine finalmente alcançara a janela alta. Enquanto tentava passar uma perna para o lado de fora, a porta do banheiro feminino foi golpeada com força. Do lado de fora, a voz educada, porém firme, de um segurança ecoou:

— Tem alguém aí? Por favor, responda, precisamos entrar.

Os seguranças estavam ansiosos. Se não fosse pelo fato de a pessoa ser possivelmente a mulher da vida do chefe — alguém que exigia privacidade e respeito máximo —, eles já teriam derrubado a porta. Se a encontrassem, suas carreiras estariam garantidas, mas não podiam ofendê-la.

Jasmine não se atreveu a responder. Sabia que, se falasse, eles entrariam no mesmo instante. Com um esforço desesperado e ignorando a dor, ela forçou os ombros através da abertura estreita. As lágrimas de dor quase caíram. Graças à sua flexibilidade, ela conseguiu passar, embora sentisse que seus ossos protestavam.

No segundo anterior à porta ser arrombada, ela escorregou para fora e fechou a janela. Os homens invadiram o banheiro, batendo nas portas das cabines.

Jasmine caiu do outro lado do muro e, ignorando a dor aguda no ombro, começou a correr desesperadamente. O medo e a tristeza transbordavam. "Por que os Holanda são tão crueis? Por que perseguir alguém assim?".

Ela achava que Vitor era o pior, mas agora percebia que Ricardo, o homem que a possuíra na noite anterior, era igualmente implacável. Definitivamente, não havia uma alma boa naquela família.

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