Jasmine mal havia chegado à porta de casa quando ouviu o choro mimado e irritante de Isabella.
— Buáaa... o Vitor me ligou de novo agora há pouco!
A voz de Isabella era fina e suave, ecoando de forma lamentável pela mansão vazia. No entanto, sua aparência não combinava em nada com a voz. Seu rosto estava cheio de crostas de feridas, como se tivesse sofrido várias escoriações, e seu corpo parecia magro e escurecido pelo sol de quando estudava no exterior.
— Eu juro que queria ir sozinha, mas meu rosto está arruinado e não vai adiantar nada. Eu só tenho medo que ele desconte em vocês.
A voz de uma mulher, cheia de compaixão, ressoou em seguida:
— Isabella, fique tranquila. Nós não vamos deixar você ir. A culpa é toda da Jasmine por ser tão insensível.
Assim que Jasmine cruzou a porta, foi recebida por uma enxurrada de críticas. O Sr. Almeida, que sempre fora rigoroso com ela, agora apontava o dedo em seu rosto e gritava:
— Sua irmã sofreu tanto por sua causa! Mesmo depois que ela voltou, não deixamos faltar nada para você, e agora você se recusa a fazer esse pequeno sacrifício por ela?
A Sra. Almeida também a olhava com desaprovação. Aqueles olhos, que um dia a observaram com satisfação, agora estavam repletos de uma decepção inexplicável.
— Como você pode ser tão egoísta com a sua própria irmã?
— Ela não entende nada da vida, como você tem coragem de deixá-la ir?
O coração de Jasmine, que já havia esfriado com a traição do noivo, agora congelava de vez. Ela baixou o olhar, encarando as mãos impecáveis de Isabella, que pareciam nunca ter tocado em um trabalho pesado na vida.
Ela realmente sofreu? Jasmine tinha ouvido que a família onde Isabella cresceu tinha boas condições e a tratava muito bem, chegando a fazer sacrifícios para mandá-la estudar fora, mesmo com suas notas baixas.
Jasmine também queria muito ter estudado no exterior. Mas, assim que se formou na universidade, a família a forçou a ficar noiva de Diego. Seria porque ela não era filha biológica que seus pais inconscientemente nunca foram próximos dela?
Isabella voltou do exterior e imediatamente foi cercada de mimos; as duas famílias disputavam para tê-la como filha. Enquanto isso, Jasmine cresceu sob uma pressão constante e repressiva, sem nunca ter tido sequer um pouco de dinheiro extra para gastar.
Agora, nem mesmo seus pais biológicos queriam reconhecê-la. Claramente fora ela quem "roubou" a vida de Isabella, mas por que, naquele momento, ela sentia tanta inveja da irmã? Uma dor ácida e amarga subiu por seu peito.
— Parem com isso. Eu vou.
As palavras leves fizeram as reclamações cessarem instantaneamente. Isabella saiu do abraço da Sra. Almeida, olhando para ela com uma mistura de surpresa e desconfiança.
— Você aceita mesmo?
A reputação de Vitor era péssima no círculo social; ele era conhecido por humilhar jovens herdeiras e até mesmo por ter deixado algumas com sequelas físicas. No entanto, por ter o sobrenome Holanda, ninguém ousava enfrentá-lo.
— Sim — Jasmine apertou o celular, reprimindo o medo em seu coração.
Ela precisava encarar isso de frente. Mesmo que não aceitasse agora, acabaria sendo enviada para lá dopada em algum momento, e então não teria chance alguma de resistência.
Com a concordância dela, a expressão severa no rosto do casal Almeida desapareceu num piscar de olhos. Eles a puxaram para perto, satisfeitos.
— Sabíamos que a Jasmine era a mais ajuizada.
— Desde pequena você nunca nos deu trabalho, sempre foi a criança mais exemplar. Temos certeza de que saberá o que fazer.
Isabella franziu a testa, observando o rosto de Jasmine — aquela beleza que ela tanto invejava — sem acreditar que ela realmente havia cedido. Com medo de que ela fugisse no meio do caminho, Isabella agarrou o pulso da irmã, fingindo um gesto de proteção.
— Não tenha medo, eu vou com você.
O casal Almeida ficou emocionado com a cena.
— Nossa Isabella realmente amadureceu.
Jasmine vestiu um vestido vermelho idêntico ao de Isabella. Quando as duas ficaram juntas, tinham alturas semelhantes. Apesar de estarem com a mesma roupa, o corpo de Jasmine era curvilíneo e elegante, com ombros e pescoço longos e delicados. Seus cabelos negros contrastavam com os lábios vermelhos e a pele de porcelana, criando uma beleza arrebatadora.
Já Isabella era magra e sem curvas. Seu rosto, no máximo comum, estava coberto de marcas, tornando o resultado visual drasticamente diferente. De costas, a estrutura óssea e o comprimento do cabelo as tornavam parecidas.
Mas, se alguém olhasse com atenção, notaria outra semelhança. Na nuca alva de Jasmine, havia a tatuagem de uma pequena borboleta preta. O desenho era delicado e único, destacando-se intensamente contra a pele clara.
Isabella tinha uma borboleta idêntica no mesmo lugar. Quando foi reconhecida pela família Almeida, sentia-se muito insegura. Em um momento de impulsividade, ela copiou a tatuagem de Jasmine. Infelizmente, por ter a pele mais escura e seca, o efeito era muito inferior.
Nesse momento, ao ver a borboleta na nuca de Jasmine, a raiva de Isabella cresceu. Ao lado delas, a Sra. Almeida só tinha elogios para Isabella, ignorando Jasmine completamente.
— Minha filha é quem parece ter sorte na vida, veja como se parece comigo!
Ela baixou a voz e apontou discretamente para cima.
— Ouvi dizer que o grande chefe da família Holanda está procurando por sua amada em todos os lugares. Acho que só uma moça como a nossa Isabella teria essa sorte.
Ao ouvir o comentário satisfeito, a inveja nos olhos de Isabella transformou-se em orgulho. "É, de que adianta ser bonita se você vai ser entregue para ser usada pelos outros?", pensou ela. Ela era a verdadeira herdeira de sorte, e sua aparência lembrava a de sua mãe rica. No futuro, ela certamente faria um excelente casamento. Quem sabe até na linhagem principal dos Holanda? Ela não se contentaria com um primo qualquer.
Para Isabella, Jasmine era apenas a filha de um motorista; ter a chance de se envolver com um Holanda, mesmo sendo de uma linhagem secundária, já era um privilégio imenso. Caso contrário, com o status dela, nem serviria para limpar os sapatos de gente assim.
Ela apertou a mão de Jasmine com força e a levou para o hotel de luxo onde Vitor estava hospedado. Ao entrar no hotel, cuja sofisticação ultrapassava sua imaginação, Isabella respirou fundo diante da porta do quarto.
— O Sr. Vitor está aí dentro. Não fique parada, bata logo na porta.
Naquele instante, Jasmine parou, atônita. Ela nunca imaginou que, depois de tantas voltas, retornaria ao mesmo hotel da noite anterior. Vitor também estava hospedado ali? Fazia sentido, afinal, todos eram da família Holanda. Só que o verdadeiro detentor do poder morava na cobertura. Ela se perguntou se ele já teria acordado. Provavelmente não se cruzariam.
Como Jasmine demorou a reagir, Isabella, com medo de que ela fugisse, ficou ali apressando-a:
— O que está esperando? Bata na porta logo!
Assim que ela terminou de falar, a porta se abriu. Um jovem de aparência sombria, vestindo um robe de seda preto, apareceu. Os membros da família Holanda costumavam ser bonitos, mas o rosto de Vitor estava desgastado pelos excessos, conferindo-lhe um ar cruel e assustador.
Isabella começou a tremer assim que o viu. No entanto, Vitor nem olhou para ela. Seus olhos fixaram-se em Jasmine, brilhando com um desejo evidente.
— Então esta é a irmã da família Almeida de quem você falou?
— Sim, sim... eu a trouxe para o senhor.
— Ora, que espetáculo.
Vitor assentiu satisfeito. Justo quando Isabella soltou um suspiro de alívio, ele disparou:
— Ela é muito melhor do que você, sua feia e gorda. Ainda bem que teve autocrítica e não veio você mesma, senão eu quebraria suas pernas.
Dito isso, ele puxou Jasmine para dentro e bateu a porta com força. A porta quase atingiu o rosto de Isabella. Ela ficou ali fora, sentindo-se profundamente humilhada. Toda a confiança que a Sra. Almeida havia inflado desapareceu num instante. Com um olhar carregado de ódio e inveja, ela deu meia-volta e saiu.
Dentro do quarto, Vitor estava impaciente e tentou beijá-la imediatamente. Jasmine resistiu desesperadamente, tentando pegar algo em sua bolsa, mas sua força não era páreo para a dele. Ele agarrou seus pulsos, ameaçando-a. O rosto pálido de Vitor estava cheio de malícia.
— É melhor você se comportar, e talvez eu seja gentil. Me sirva bem e, quando eu estiver satisfeito, eu ajudo você a dar uma lição naquela sua irmã horrorosa.
As palavras dele soavam como uma promessa vazia. Jasmine, ao olhar para os objetos espalhados sobre a cama que pareciam instrumentos de tortura, sabia que se tentasse "servi-lo", correria o risco de não sair dali viva.
Ela tentou acalmar seu coração frenético, buscando manter o mínimo de serenidade.
— Eu... eu trouxe algo para você. Está na minha bolsa, deixe-me pegar.
Vitor não esperava por essa. Olhando para o rosto corado e belo à sua frente, ele soltou uma risada fria.
— Deixe que eu pego.
Em seguida, seu tom de voz tornou-se sombrio e ameaçador:
— É bom que seja algo valioso. Se você estiver tentando me enganar, vou fazer você se arrepender de ter nascido.
Dito isso, ele virou a bolsa no chão. O celular caiu primeiro, seguido por um cartão de visitas. Além disso, não havia mais nada.
Vitor franziu a testa, pronto para explodir em fúria, mas no segundo seguinte, Jasmine pegou os dois objetos nas mãos. Ele então viu nitidamente o nome lendário impresso no cartão.