Capítulo 31: Gratidão
— O quanto morre?
Yan: — Do tipo que não volta nunca mais.
Ao ouvirem isso, os outros jogadores exibiram expressões de quem está vendo a tragédia alheia com gosto. Pronto! Exatamente o que a Alice queria ouvir.
Alice bateu palmas sucessivas: — Perfeito! Eu adoro um desafio. Valeu, Yan. Assim que eu pegar o terceiro fragmento, venho ver você e o Madeirinha.
Dito isso, ela partiu impaciente, entregando o segundo fragmento para Vitor. Entre todos os jogadores, ele era o único em quem ela confiava. Embora o objetivo de todos fosse vencer o cenário, nunca se podia descartar a presença de algum desequilibrado querendo arrastar todo mundo para a vala.
Alice cantarolava alegremente enquanto deixava a escola, com a mão enfiada no bolso segurando algo. Observando-os se afastar, Yan abraçou o Madeirinha e sussurrou: — Madeirinha... sua mestra... tem algum problema aqui? — Ele apontou para a própria cabeça.
Madeirinha soltou um suspiro de resignação: — Ela é sempre assim. Com o tempo você se acostuma.
Yan balançou a cabeça e, de repente, percebeu que o tigre de pano havia sumido.
Ao verem o sorriso de "eu vou aprontar de novo mas é divertido" no rosto de Alice, Sara e os outros apenas deram de ombros. Menos mal que ela era uma jogadora; se encontrassem uma entidade do mesmo tipo, nem conseguiam imaginar o nível de tortura psicológica que sofreriam.
No caminho de volta para a casa da Viúva Lúcia, uma
Precognição
surgiu novamente.
Duas da tarde. Eles entram no pátio da viúva para devolver o tigre. Marcos hesita por meio segundo ao dizer a terceira frase e comete um erro: "Xiaobao, descanse em paz". A viúva, que não aceitava a morte do filho, entra em surto ao ouvir aquilo. Ela levita, seus cabelos voam freneticamente e lágrimas de sangue jorram de seus olhos. Ela agarra Marcos pelo pescoço, erguendo-o no ar; em segundos, os membros dele se contorcem como os de um boneco quebrado e seus olhos viram. Alice corre para salvá-lo, mas a viúva a agarra pelo pulso e ela sente a dor lancinante da alma sendo rasgada. No momento da morte, o
Corpo Imortal
é ativado, mas Marcos já não tem salvação.
Alice achou que a visão terminaria ali, mas, para sua surpresa, continuou.
Seis da tarde. Diante do santuário, ela usa a morte de um jogador chamado Zhao Wenbin como sacrifício de vida para obter o terceiro fragmento. Condição de vitória atingida.
Alice não entendia por que a visão assumia que ela tentaria salvar Marcos, obrigando-a a sentir a dor da alma sendo dilacerada.
"..." Outro beco sem saída! Exatamente como no cenário anterior. Que coisa sem graça, pensou ela irritada.
Vitor, caminhando ao lado dela, notou que ela estava perdida em pensamentos e deu um toque de leve com o cotovelo: — Alice, no que está pensando?
Ela voltou a si e mentiu com naturalidade: — Nada, só estou um pouco cansada.
— Lara, você está muito pálida — comentou Marcos, preocupado. — Talvez devêssemos replanejar antes de ir. O risco com a Viúva Lúcia é alto demais.
Alice o encarou fixamente. Aquele homem honesto era o mais cauteloso do grupo e o único que anotava cada detalhe. E agora, a visão dizia que ele morreria em poucas horas. Que desperdício.
— Esperem aí! — Vitor exclamou de repente, percebendo algo errado. — Já pegamos dois fragmentos com o açougueiro e com o Yan. Mas o Yan disse que o terceiro está no santuário.
— Sim, qual o problema? — Lucas perguntou inocentemente.
— A Viúva Lúcia disse que o fragmento está com ela. Se for assim, um dos dois mentiu.
As regras diziam para "encontrar três fragmentos escondidos nas casas dos moradores". Três. Se a viúva tivesse um e o santuário tivesse outro, seriam quatro. Um erro básico desses não deveria acontecer. O grupo parou, mergulhado em dúvidas. Em quem confiar: na viúva ou no menino?
Diferente dos outros, Alice aproximou-se de Marcos em silêncio e tocou seu ombro.
— Marcos — disse ela suavemente.
— Sim?
— Você confia em mim?
Marcos hesitou por um segundo e assentiu: — Claro. Sem você, eu teria morrido logo no início com o lenço.
— E se eu te pedisse para fazer algo arriscado, você faria?
— Faria! Se precisar de mim, é só falar. Eu ajudo. — Ele via aquilo como uma forma de retribuir a gratidão pelo início do jogo.
— Você pode morrer — Alice olhou diretamente nos olhos dele. — Mas se não fizermos nada, todos morreremos.
Marcos não soube como reagir. Seria esse o favor? Pedir para ele morrer? Os outros três observavam Alice, percebendo que não era brincadeira. Marcos engoliu em seco, um gesto que fazia sempre que estava tenso.
— Qual a probabilidade de sucesso? — perguntou ele.
— Eu não sei.
Marcos franziu a testa. Não sabia e ainda pedia ajuda? Alice foi direta: — Mas eu sei que se não tentarmos, todos morrem. Se tentarmos, você pode morrer, mas os outros vivem.
Ou seja: ficar parado significava eliminação total do grupo. Se Marcos agisse, ele corria risco, mas o grupo tinha uma chance.
— O que exatamente eu tenho que fazer?
— Ir à casa da viúva, devolver o tigre e dizer três frases. Mas a terceira não pode estar errada; se errar, ela te mata.
Sara não se conteve: — Você tem aquela habilidade, por que você mesma não vai? Além do mais, nós nem trouxemos o tigre de volta.
Se ela não tivesse tido o "coração mole" de devolver o brinquedo, não estariam nesse impasse agora. Alice balançou a cabeça: — Não adianta eu ir. Tem que ser uma "pessoa comum". A viúva consegue sentir que eu sou anômala; se eu for, ela surta na hora e todos ficaremos presos aqui para sempre.
Ela exagerou a situação, misturando verdade com mentira. Na visão, ela até podia ir, mas Marcos morreria de qualquer jeito por outros motivos — uma queda na fuga ou um ataque da névoa. A morte estava "travada" em Marcos.
Em seguida, Alice tirou a mão do bolso e revelou que estava segurando o tigre de pano o tempo todo. Todos se aproximaram, incrédulos.
— Isso é...?
— Você não tinha devolvido para o garoto? Como veio parar na sua mão?