Capítulo 24: Perturbar o Sono é um Crime Imperdoável!
As expressões de todos mudaram instantaneamente; a Regra 3 ecoou em suas mentes. Na última vez, escaparam por pouco da água oferecida pelo vovô e pensaram que o assunto estava encerrado. Quem diria que haveria um café da manhã?!
— Visitantes, preparamos este desjejum especialmente para vocês. Comam um pouco.
Sara lançou um olhar para Lucas, como se dissesse: "Vá lá ver o que é esse café da manhã". Lucas entendeu o recado e arrastou os pés lentamente, espiando o conteúdo das tigelas. Era apenas mingau de arroz branco, sem nada acompanhando. Havia cinco tigelas, uma para cada um, exatamente como no dia anterior.
— É mingau branco — anunciou Lucas.
Após o incidente com Clara, os jogadores tornaram-se extremamente cautelosos. Haveria algo misturado no mingau? Seria apenas arroz e água? As dúvidas os paralisaram; ninguém ousava dar um passo à frente.
— O quê? A água de ontem não os agradou e o mingau de hoje também não lhes agrada? — perguntou o idoso com uma voz afiada.
Alice tomou a iniciativa e pegou uma tigela, observando o conteúdo pensativa. "Este mingau... está simples demais", pensou ela. Parecia apenas arroz cozido com muita água. Sob o olhar atento de todos, Alice começou a oferecer a tigela aos outros jogadores.
— Você quer comer? — perguntou ela a Sara, que balançou a cabeça negativamente de forma enfática. — E você? — Marcos nem hesitou e gesticulou com as mãos para longe; preferia morrer de fome a tocar naquilo. Lucas, antes mesmo de ser questionado, já balançava a cabeça freneticamente.
Quando chegou a vez de Vitor, Alice simplesmente o ignorou e não perguntou.
— Já que ninguém quer, e eu estou com fome, não vou fazer cerimônia — disse Alice em tom descontraído, acariciando o estômago.
O vovô, escaldado pela experiência anterior, não acreditou em uma única palavra dela enquanto o mingau não entrasse em sua boca. Alice ergueu a tigela, mas no instante em que o líquido tocaria seus lábios, seu pulso foi agarrado. Vitor, com uma força surpreendente, tomou a tigela de suas mãos e, antes que ela pudesse reagir, deu uma colherada generosa.
Os outros três ficaram boquiabertos. O que deu no Vitor? Não precisava arriscar a vida para bancar o herói.
— Por que você pegou a minha? Tem mais ali, podia ter pego uma para você! — Alice fingiu irritação, estufando as bochechas. Teria ele percebido alguma coisa?
— Sem gosto e sem graça — avaliou Vitor com uma seriedade cômica.
Alice pegou outra tigela e provou um pouco. — É, está aceitável, mas falta um tempero. Tem conserva de vegetais?
O idoso teve um espasmo no canto da boca e, quase que por instinto, ordenou a um aldeão: — Traga conserva!
Três minutos depois, os cinco estavam sentados em bancos de pedra, comendo mingau com conserva como se estivessem em um passeio de agroturismo.
— Lara, como você sabia que o mingau estava seguro? — perguntou Sara, mastigando a conserva.
— Ele provou e não morreu, não foi? — Alice respondeu, apontando para Vitor com a cabeça.
A intenção dela era ser a primeira a testar, mas Vitor se antecipara. Como ele estava bem, o restante do mingau também estaria. Vitor continuava comendo, radiante. Ele percebera, desde que a Regra 4 surgira na noite anterior, que Alice trocara de quarto para enfrentar a entidade no lugar dele. Vê-la sã e salva naquela manhã fora um alívio imenso. Se houvesse algo no mingau, ele aceitaria de bom grado; era a sua forma de protegê-la de volta.
Marcos encarava sua tigela, pensativo: — A Clara morreu, perdemos uma pessoa. Nesse ritmo, talvez não passemos de hoje.
Ao ouvir isso, Alice lembrou-se do caderno e o compartilhou com o grupo.
— O que é isto? — perguntou Lucas, pegando o objeto.
— Leia e descubra.
Os jogadores deixaram o mingau de lado e se amontoaram ao redor de Lucas.
— Se querem vencer antes do tempo acabar, acelerem o passo — disse Alice, terminando seu mingau. — Os fragmentos estão com o Açougueiro Marcos, a Viúva Lúcia e o Menino Louco, Yan. Para pegá-los, precisamos de sacrifícios: de sangue, de alma e de vida.
— Três sacrifícios? — Sara franziu a testa. — Isso é algum tipo de condição oculta? O sistema não mencionou nada.
Alice mostrou também o que o menino lhe dera: — O Açougueiro precisa de sangue: levar um frango vivo à casa dele à meia-noite e derramar o sangue na soleira. A Viúva precisa de alma: encontrar o tigre de pano do filho dela. E o Menino Louco...
Ela hesitou por dois segundos. Vitor completou o raciocínio: — O Menino Louco provavelmente precisa de um sacrifício de vida.
— Frango vivo? — Marcos olhou ao redor. — Onde vamos achar um frango vivo neste lugar maldito?
Alice sorriu. — Quem disse que não tem?
Mais cedo, ela ouvira o galo cantar e sentira uma vontade imensa de matá-lo por ter interrompido seu sono. Perturbar o sono alheio era um crime imperdoável! No entanto, ela suavizou o tom ao falar: — Por isso, vamos pedir emprestado.
— De quem?
— Dos moradores, ora.
Alice deu um sorriso amigável e devolveu a tigela ao vovô. — Vovô, obrigado pelo esforço de nos trazer o café tão cedo.
— Não foi nada. —
Se achasse que foi esforço, vocês já teriam morrido logo. Já ganharam comida e ainda pediram conserva. Francamente... nós aqui só comemos vegetais o dia todo
, pensou o idoso, apressando os outros: — Visitantes, já terminaram?
— Sim. — Os outros devolveram as tigelas com sorrisos sem graça.
— Vovô, o senhor já está com uma idade avançada, quando pretende se aposentar? — Alice perguntou com sinceridade.
Aldeões: "..."
Vovô: "..."
Essa garota tem noção do que pergunta?
Um dos aldeões finalmente falou: — Visitante, não entendemos o que você quer dizer.
Alice assentiu, fingindo entender. Após a partida dos moradores, Marcos disse ansioso: — Vamos para o oeste procurar o Açougueiro.
Eles iam começar a andar, mas Alice os deteve: — Esperem. Antes disso...
O olhar dela pousou, com uma intenção nada amigável, no jovem Lucas. O rapaz começou a suar frio e deu um sorriso nervoso: — Lara, fala logo. Pode parar de me olhar desse jeito? Dá medo.
— Lucas, você estaria disposto a morrer uma vez?
Lucas: "???"
Que pergunta idiota é essa? Quem quer morrer?
Alice explicou: — O sacrifício de sangue pede um frango. Mas a nota diz que, se usarmos sangue humano, o açougueiro entrará em fúria e matará. Ou seja, o sangue humano faz ele enlouquecer e atacar.
— E daí? — perguntou ele, trêmulo.